Após a conquista do 27º Campeonato Paulista em um embate contra o Novorizontino no último domingo (8), o técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, utilizou o momento de celebração para se pronunciar sobre as críticas dirigidas à sua equipe.
O treinador, que já figura como o mais vitorioso na história do clube, abordou diretamente a percepção de uma “seca de títulos” na temporada anterior, uma situação incomum desde sua chegada ao Alviverde.
Em seu desabafo, Abel Ferreira fez um apelo por união e veementemente refutou o que considera uma desvalorização do trabalho executado pelo Palmeiras ao longo de 2025, enfatizando a manutenção de um caminho e a solidez do projeto.
O retorno vitorioso e as cobranças
A conquista do Campeonato Paulista de 2026 marca um momento de alívio e reafirmação para o Palmeiras e sua comissão técnica. O período de um ano sem troféus, vivenciado na temporada passada, gerou um intenso escrutínio da mídia e da torcida, com questionamentos sobre o desempenho e o futuro da equipe.
Esta pressão é inerente ao futebol de alto nível, especialmente em um clube com a envergadura do Palmeiras. Abel Ferreira, contudo, tem demonstrado repetidamente a capacidade de sua equipe em transformar críticas em motivação, consolidando um legado de vitórias e superação.
Resiliência e força coletiva em campo
O comandante alviverde apontou a própria trajetória do time como um testemunho de resiliência. Ele recordou a dura derrota por 4 a 0 sofrida diante do Novorizontino no início do Paulistão, um resultado que, à época, foi interpretado como um sinal de crise para muitos.
“Quando perdemos de 4 a 0 aqui, parecia o fim do mundo, mas fim do mundo para quem? Imprensa? Torcida?”, questionou Abel Ferreira em suas declarações, destacando a disparidade entre a percepção externa e a convicção interna do grupo de trabalho.
A recuperação da equipe após esse revés, que culminou na vitória contra o mesmo adversário na final, serviu como uma poderosa demonstração da capacidade do Palmeiras de se reerguer. O treinador sublinhou a força que emerge da coesão: “Quando jogamos juntos, a torcida, organizadas, o time, somos muito mais fortes.”
Para o técnico, essa unidade é o elemento fundamental que permite ao elenco superar os momentos difíceis e seguir em frente, independentemente dos obstáculos, sempre visando um objetivo comum maior que os interesses individuais.
A consistência como pilar do projeto
Abel Ferreira fez questão de diferenciar a ausência de títulos em 2025 da qualidade e da consistência do trabalho desenvolvido. Em sua visão, focar apenas nos troféus seria uma análise incompleta e simplista da performance da equipe.
“Se valer a consistência do trabalho, consistência da equipe, competitividade, tenho que te dizer que fomos a equipe mais consistente ao longo dos últimos anos”, declarou o técnico português. Ele argumenta que a capacidade de manter um alto nível de competitividade é um valor que transcende o resultado final de um campeonato.
Ele também ponderou sobre a realidade do futebol, onde a promessa de títulos é uma ilusão devido à forte concorrência. Grandes clubes e treinadores de alto nível garantem que cada temporada seja um desafio extremo, e a vitória nem sempre é garantida, apesar do esforço.
Valorização do desempenho de 2025
O técnico português enfatizou a importância de não desqualificar o trabalho realizado na temporada anterior, mesmo sem a adição de novas taças à galeria do clube. Ele citou especificamente o desempenho no Paulistão de 2025 e na Libertadores do mesmo ano, competições em que o Palmeiras demonstrou alta performance.
Para Abel Ferreira, a valorização do esforço e da qualidade do futebol apresentado é crucial. Desconsiderar a dedicação e o planejamento por um ano sem títulos seria uma forma injusta de avaliar a evolução e a competitividade do elenco, que se manteve entre os protagonistas do cenário nacional e continental.
Detalhes da Libertadores de 2025
Um dos momentos mais sensíveis para o técnico foi a campanha na Libertadores de 2025, que culminou em um doloroso vice-campeonato. Abel Ferreira relembrou um lance específico de arbitragem que, em sua opinião, foi determinante para o resultado adverso. Ele se referiu a “um cartão vermelho que deveria ter sido dado e não deu”, alterando o cenário da partida crucial.
Apesar de reconhecer que a performance do time naquele dia poderia ter sido superior, a menção ao incidente de arbitragem por parte de Abel Ferreira sublinha a percepção de que fatores externos também desempenharam um papel significativo no desfecho da competição continental. Essa derrota, especialmente em uma final, foi um duro golpe para o Maior Campeão do Brasil e seus torcedores, que esperavam mais um título.
Filosofia de não desistir do treinador
A base da filosofia de Abel Ferreira para o futebol e para a vida é a resiliência e a recusa em desistir. Ele frequentemente compara o esporte à vida, onde nem sempre se desfruta de “pudim”, mas também se encontra o “torresmo”, uma metáfora para os desafios e as adversidades inevitáveis. Essa consistência de atitude é o que ele busca incutir em seus jogadores e na comunidade palmeirense, incentivando a superação contínua.
