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Israel: Netanyahu anuncia terceiro objetivo de guerra mirando derrubada do regime no Irã

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Foto: Netanyahu - Foto: Instagram

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou em 12 de março a inclusão de um novo e audacioso objetivo em sua campanha militar: auxiliar o povo iraniano na derrubada do regime teocrático que governa o país. Em sua primeira coletiva de imprensa com a mídia local desde o início dos conflitos, Netanyahu delineou esta terceira meta estratégica, afirmando que ela visa criar as condições necessárias para que os iranianos possam se libertar da opressão que, segundo ele, perdura por quase cinco décadas.

Esta nova direção complementa os dois objetivos já estabelecidos por Israel. Ambos os propósitos, o de prevenir o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã e o de aniquilar a capacidade de Teerã de produzir mísseis balísticos, continuam a ser pilares da política de segurança israelense. A enunciação deste terceiro objetivo representa um avanço significativo na retórica de confronto e nas intenções declaradas de Israel em relação ao seu arqui-inimigo regional.

Dirigindo-se diretamente à população iraniana, Netanyahu enviou uma mensagem de encorajamento, afirmando que “um momento se aproxima para um novo caminho rumo à liberdade” e que “Israel está ao lado do povo iraniano”. Contudo, ressaltou que, “no fim das contas, tudo depende de vocês”, destacando a agência dos próprios iranianos na busca por sua autodeterminação. A fala do primeiro-ministro sublinha uma postura que busca incitar uma mudança interna no Irã, além das operações militares externas.

Paralelamente, o líder israelense não poupou advertências sobre a intensificação de possíveis ataques militares contra o Irã. Ele enfatizou que golpes “fatais” já foram desferidos contra a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), suas bases, tropas e postos de controle. A declaração de que “muitos outros ataques virão” demonstra a disposição de Israel em manter a pressão militar sobre a infraestrutura iraniana, visando desestabilizar as operações e o poderio do regime.

Estratégia Abrangente e Alvos Críticos

A estratégia de Israel, conforme delineado por Netanyahu, transcende as operações militares convencionais. O primeiro-ministro também alegou que ataques israelenses resultaram na morte de alguns dos mais importantes cientistas nucleares do Irã. Esta informação, se confirmada, indicaria uma campanha velada e direcionada para frear o avanço do programa nuclear iraniano, não apenas pela destruição de infraestruturas, mas pela neutralização de seu capital humano mais qualificado.

A eliminação de cientistas nucleares representa uma tática de desarticulação de alto nível, visando atrasar significativamente o desenvolvimento de capacidades atômicas. Esse tipo de ação sugere uma complexa rede de inteligência e operações clandestinas, que operam em paralelo aos confrontos abertos, e são destinadas a minar a espinha dorsal dos programas estratégicos iranianos, como o nuclear e o de mísseis.

Diplomacia e Alianças Regionais

Netanyahu fez questão de ressaltar a estreita relação de seu governo com os Estados Unidos, particularmente com o então presidente Donald Trump. Ele vangloriou-se de que Israel mantinha “uma aliança mais forte com os Estados Unidos do que nunca”, atribuindo essa solidez à sua “grande amizade” com Trump. O primeiro-ministro afirmou que ambos conversavam “quase diariamente, trocavam ideias e conselhos livremente e tomavam decisões juntos”, indicando um alto grau de coordenação estratégica.

A menção a essa aliança robusta visa fortalecer a percepção de que Israel não age isoladamente em suas políticas mais agressivas contra o Irã. O apoio de uma superpotência como os Estados Unidos confere legitimidade e poder de fogo adicionais às ações israelenses, além de servir como um dissuasor para qualquer retaliação de grande escala por parte de Teerã. A cooperação entre os dois países é um pilar fundamental da segurança regional para Israel.

A Retórica de Confronto Iraniana

Em uma resposta indireta e quase simultânea, o novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, fez seu primeiro pronunciamento público, adotando uma postura ultrarresistente contra os Estados Unidos e Israel. Mojtaba, que se acredita ter sido ferido em um ataque aéreo no final do mês anterior, não compareceu pessoalmente, tendo sua mensagem lida por um apresentador da televisão estatal. Ele o chamou de “um fantoche da Guarda Revolucionária que sequer pode aparecer em público”, destacando a fragilidade política e física de seu adversário.

A mensagem de Mojtaba foi um sinal claro da intransigência iraniana, que inclui ameaças de expandir as frentes de batalha. Ele afirmou que o Irã deve continuar fechando o Estreito de Ormuz como forma de pressionar seus inimigos, referindo-se aos Estados Unidos e Israel. O Estreito de Ormuz é uma rota marítima vital para o transporte de petróleo global, e seu fechamento teria um impacto devastador na economia mundial, elevando os preços da energia e gerando instabilidade.

Além disso, Mojtaba indicou a intenção de expandir a frente de batalha, afirmando: “Concluímos nossa análise sobre o estabelecimento de uma ‘segunda frente’, onde nossos inimigos não têm experiência e são vulneráveis.” Esta declaração sugere a possibilidade de Teerã abrir novos fronts de conflito através de seus procuradores na região ou por meio de táticas assimétricas, buscando explorar as vulnerabilidades estratégicas dos adversários.

Implicações de uma “Segunda Frente”

A ameaça de uma “segunda frente” iraniana não pode ser subestimada no cenário geopolítico atual. O Irã possui uma rede de milícias e grupos aliados em diversos países do Oriente Médio, como o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e as Forças de Mobilização Popular no Iraque. A ativação coordenada desses atores poderia criar um ambiente de múltiplos conflitos, sobrecarregando as capacidades de defesa de Israel e de seus aliados na região.

Essas ações poderiam desestabilizar ainda mais uma região já volátil, gerando crises humanitárias e deslocamentos populacionais em larga escala. A imprevisibilidade de uma “segunda frente” adiciona uma camada de complexidade aos cálculos militares e diplomáticos, exigindo das potências globais uma atenção redobrada e estratégias de contenção mais eficazes para evitar uma escalada descontrolada.

A vulnerabilidade mencionada por Mojtaba pode se referir a ataques cibernéticos, sabotagens ou campanhas de desinformação que visam corroer a confiança pública e desestabilizar as sociedades adversárias. O Irã é conhecido por suas capacidades em guerra híbrida, combinando táticas convencionais e não convencionais para atingir seus objetivos estratégicos, sem engajamento direto em uma guerra total, que poderia ser devastadora para o próprio país.

O Estreito de Ormuz: Um Ponto de Pressão Vital

A menção ao fechamento do Estreito de Ormuz como uma ferramenta de pressão é um lembrete da importância estratégica desta passagem marítima. Cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo transita por este estreito, tornando-o um gargalo crucial para a economia global. Qualquer interrupção no fluxo de navios-tanque teria repercussões imediatas nos mercados de energia, causando picos de preços e recessões econômicas em escala global.

Historicamente, o Irã já ameaçou com o fechamento do estreito em momentos de alta tensão, mas nunca o fez de forma sustentada devido às amplas consequências e à provável intervenção militar das potências ocidentais. Contudo, a repetição da ameaça por uma figura de alto escalão como Mojtaba Khamenei indica que essa opção continua a ser uma carta na manga para Teerã, especialmente em um cenário de pressão máxima, como o delineado pelas declarações de Netanyahu.

A Dinâmica Geopolítica na Região

As declarações de Netanyahu e Mojtaba Khamenei ilustram a complexa e perigosa dinâmica geopolítica do Oriente Médio, onde Israel e Irã estão engajados em uma luta por hegemonia regional. Ambos os países veem o outro como uma ameaça existencial, o que alimenta um ciclo contínuo de retórica belicosa, operações secretas e confrontos por procuração. A introdução de um objetivo de “mudança de regime” por Israel eleva ainda mais o nível de tensão, transformando o conflito em algo que vai além da segurança militar para tocar na soberania e no futuro político interno do Irã.

A comunidade internacional observa esses desenvolvimentos com crescente preocupação. A possibilidade de uma escalada maior é uma constante, e os esforços diplomáticos para desescalar a situação são frequentemente ofuscados pela intransigência e pela desconfiança mútua. A estabilidade no Oriente Médio depende fundamentalmente de um equilíbrio precário, que é constantemente desafiado por declarações e ações que beiram a guerra aberta, mantendo a região em estado de alerta e volatilidade.