Copa do Mundo

Seleção iraniana não disputará Mundial 2026 nos EUA, decide governo após conflito

Bandeira do Irã, bola de futebol
Foto: Bandeira do Irã, bola de futebol - kovop/ Shutterstock.com

O Irã anunciou oficialmente que não participará da Copa do Mundo de 2026. O ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, fez a declaração nesta quarta-feira (11 de março), justificando a decisão com base no conflito armado iniciado após os ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Esses ataques resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e deixaram milhares de civis iranianos mortos. Donyamali afirmou que não existem condições mínimas de segurança e estabilidade para a equipe competir no torneio.

A declaração veio poucas horas depois de o presidente da Fifa, Gianni Infantino, revelar que conversou com o presidente americano Donald Trump. Infantino divulgou que Trump reiterou a garantia de que a seleção iraniana seria bem-vinda para jogar nos Estados Unidos, onde três partidas da fase de grupos estavam programadas.

Motivos citados pelo governo iraniano

O ministro Ahmad Donyamali destacou vários fatores que impedem a participação.

  • Morte do líder supremo Ali Khamenei nos ataques de 28 de fevereiro.
  • Duas guerras em menos de nove meses contra os Estados Unidos e Israel.
  • Milhares de cidadãos iranianos mortos no conflito armado.
  • Ausência total de condições de segurança para jogadores e comissão técnica.

Ele reforçou que a decisão é governamental e considera o atual cenário inviável para qualquer envolvimento esportivo internacional.

Jogos programados e sedes afetadas

A seleção iraniana havia se classificado pelas eliminatórias asiáticas e teria três confrontos na fase de grupos em solo americano. A equipe enfrentaria a Nova Zelândia no dia 15 de junho, em Los Angeles. Em 21 de junho, jogaria contra a Bélgica, também em Los Angeles. No dia 26 de junho, o adversário seria o Egito, em Seattle. Esses jogos faziam parte da organização conjunta entre Estados Unidos, Canadá e México, com o torneio começando em 11 de junho.

A desistência altera diretamente a tabela da competição e exige ajustes urgentes por parte da Fifa. As cidades-sede nos Estados Unidos perdem partidas importantes da primeira fase.

Garantias americanas e encontro com a Fifa

As autoridades dos Estados Unidos mantiveram a posição de abertura para a equipe iraniana. Em novembro do ano passado, Trump já havia garantido a concessão de vistos para jogadores, treinadores e membros da comissão técnica. Torcedores iranianos continuariam sujeitos a restrições por razões de segurança nacional. Gianni Infantino confirmou essas garantias após a reunião recente, expressando otimismo com os preparativos gerais do Mundial.

Apesar das garantias, o governo iraniano manteve a recusa. A federação de futebol do país ainda não enviou comunicado oficial à Fifa, mas a fala do ministro indica uma posição definitiva.

Sanções previstas no regulamento da Fifa

O regulamento da Copa do Mundo 2026 estabelece penalidades claras para desistências. Se a retirada for formalizada mais de 30 dias antes do início, a multa mínima será de 250 mil francos suíços, cerca de US$ 323 mil. Quando ocorrer com menos de 30 dias, o valor dobra para pelo menos 500 mil francos suíços, equivalente a cerca de US$ 647 mil.

A federação iraniana também deverá devolver todos os recursos recebidos da Fifa para preparação, incluindo a parcela de US$ 1,5 milhão destinada a cada seleção classificada. Medidas disciplinares adicionais podem incluir suspensão de competições futuras organizadas pela entidade.

Cenário para substituição na Ásia

A vaga asiática deixada pelo Irã pode ser preenchida por outra seleção da confederação. O Iraque surge como principal candidato, já que obteve o direito à repescagem intercontinental. A Fifa decidirá a substituição conforme seu exclusivo critério, conforme previsto no artigo 6 do regulamento.

Os Emirados Árabes Unidos, eliminados pelo Iraque na repescagem zonal, poderiam ser convocados para a disputa em Monterrey, no México, marcada para 31 de março. No entanto, o Iraque enfrenta entraves logísticos graves, como espaço aéreo fechado e embaixadas sem funcionamento, dificultando a obtenção de vistos e a presença do técnico Graham Arnold.