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Vila Belmiro protesta: auxiliar de Vojvoda retira Gabigol e revolta a torcida em clássico

Um clima de insatisfação tomou conta da Vila Belmiro na tarde do último domingo (15), quando o Santos empatou em 1 a 1 com o Corinthians pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. A ausência de Vojvoda, suspenso, colocou o auxiliar técnico Gaston Liendo no comando da equipe, e suas decisões durante o segundo tempo do clássico não foram bem recebidas pela fervorosa torcida santista, especialmente a substituição do camisa 9, Gabigol, que gerou protestos e gritos de “Burro!” nas arquibancadas.

A partida, que prometia ser um teste de fogo para a estratégia do Peixe, viu um time inicial montado em um esquema 3-5-2, buscando solidificar a marcação no meio-campo e impor pressão na saída de bola do adversário. O objetivo era claro: neutralizar o rival e aproveitar as oportunidades ofensivas, algo crucial em um duelo de tamanha rivalidade.

Desde os primeiros minutos, o Santos demonstrou uma postura agressiva, adiantando suas linhas e forçando o goleiro Hugo Souza a trabalhar em diversas ocasiões, mostrando um bom início. Contudo, a eficiência não se traduziu em gols rapidamente, e um erro crucial na defesa abriu espaço para o Corinthians se aproveitar e balançar as redes.

O clássico da Vila e as expectativas antes da partida

O confronto entre Santos e Corinthians na Vila Belmiro é sempre carregado de uma atmosfera especial, transcendo a simples disputa por três pontos. Para o Peixe, a partida representava a chance de se firmar na parte superior da tabela do Campeonato Brasileiro e dar uma resposta positiva à sua torcida após resultados irregulares.

Com Vojvoda ausente, a responsabilidade de guiar o time recaiu sobre Gaston Liendo, que optou por uma formação tática com três zagueiros, indicando uma prioridade defensiva aliada à tentativa de controle do meio-campo. A estratégia visava um equilíbrio entre a solidez na retaguarda e a capacidade de transição rápida para o ataque, buscando explorar as fragilidades do rival.

Início promissor e o baque inicial

A fase inicial do embate demonstrou um Santos engajado e propositivo, dominando as ações e criando momentos de perigo na área adversária. A imposição física e tática do Peixe parecia surtir efeito, com a equipe alvinegra ditando o ritmo e impedindo o Corinthians de se organizar ofensivamente, o que aumentava a esperança dos torcedores.

No entanto, a máxima do futebol de que “quem não faz, leva” se confirmou de maneira dolorosa para o Santos. Em um lance isolado, resultado de um vacilo individual na marcação, o Corinthians orquestrou um contra-ataque veloz que culminou no gol de Depay aos 17 minutos. O atacante corintiano demonstrou oportunismo ao passar por Oliva e Frías, colocando a bola no fundo das redes e silenciando a Vila Belmiro.

O gol sofrido no início, mesmo com o domínio santista, serviu como um balde de água fria, mas não desanimou completamente a equipe. A necessidade de uma resposta rápida tornou-se evidente, e os jogadores precisaram manter a compostura para não permitir que o Corinthians ganhasse ainda mais confiança e assumisse o controle do jogo em um momento tão delicado.

A reação imediata do peixe e a ascensão corintiana

Ainda abalado pelo gol sofrido, o Santos conseguiu uma recuperação quase instantânea, o que foi crucial para manter o ímpeto da equipe. No lance seguinte ao gol corintiano, uma falha na saída de bola de Gabriel Paulista, que tentou um passe pelo meio, acabou favorecendo o Peixe. A bola, após desviar em Neymar, encontrou Gabigol em posição privilegiada.

Com a experiência e o faro de gol que lhe são característicos, o camisa 9 santista não desperdiçou a oportunidade. De frente para o goleiro Hugo Souza, Gabigol mostrou frieza e categoria, deslocando o arqueiro e empatando a partida, para o delírio da torcida na Vila Belmiro. O gol de empate acalmou os ânimos e recolocou o Santos na disputa, mostrando a resiliência do time.

Apesar da resposta rápida, a igualdade no placar pareceu impulsionar o Corinthians, que começou a crescer na partida. A equipe visitante, antes acuada, passou a ameaçar mais a meta santista, forçando o goleiro Brazão a intervir em lances capitais. O arqueiro santista se destacou com duas grandes defesas, neutralizando investidas perigosas de Kaio César e Gustavo Henrique, garantindo que o Peixe chegasse ao intervalo com o placar empatado.

O final da primeira etapa indicou uma mudança no panorama do jogo. O que antes era um domínio santista transformou-se em um confronto mais equilibrado, com o Corinthians ganhando confiança e mostrando sua capacidade de reação. A torcida já sentia que o segundo tempo seria de muita disputa e nervosismo, especialmente com a proximidade do fim da etapa inicial.

Segundo tempo de poucas chances e a necessidade de mudanças

O retorno para a etapa final trouxe um cenário diferente na Vila Belmiro, com as duas equipes mostrando menor produtividade ofensiva. O duelo se tornou extremamente físico, marcado por uma intensidade que, paradoxalmente, resultou em muitos erros de passes e poucas chances claras de gol. Tanto Santos quanto Corinthians falhavam na construção de jogadas, dificultando a criação de oportunidades de perigo para ambos os lados, o que frustrava os presentes.

Em meio a esse cenário de ineficiência, a comissão técnica, sob o comando de Gaston Liendo, percebeu a necessidade de intervenções para tentar reverter a situação. As alterações se tornaram inevitáveis na busca por um novo fôlego e mais criatividade no ataque santista. A expectativa era que as trocas pudessem mudar a dinâmica do jogo e dar ao Peixe a vantagem que precisava para sair com a vitória em casa.

A polêmica decisão de Gaston Liendo

A tentativa de Liendo de melhorar o desempenho do Santos no segundo tempo do clássico contra o Corinthians foi marcada por decisões que causaram uma reação imediata e altamente negativa da torcida. As primeiras modificações incluíram a entrada de Arão no lugar de Bontempo, o que já gerou algum burburinho. No entanto, o ápice da insatisfação popular ocorreu com as substituições que envolveram as saídas de Barreal e, principalmente, Gabigol, para as entradas de Vinicius Lira e Thaciano, respectivamente. Essa última mudança, a retirada do ídolo e artilheiro Gabigol em um momento crucial do jogo, desencadeou uma fúria generalizada entre os torcedores. Os gritos de “Burro!” ecoaram de forma ensurdecedora por toda a Vila Belmiro, direcionados claramente ao comando técnico. A revolta não se resumiu a vaias; transformou-se em um coro de desaprovação que expressava a indignação da arquibancada com a percepção de uma escolha equivocada, especialmente por tirar um jogador que tinha acabado de marcar o gol de empate e é sempre visto como uma figura decisiva, independentemente do seu desempenho geral na partida. A decisão de Liendo foi vista como uma traição à esperança de vitória e uma demonstração de falta de sensibilidade em relação à importância de Gabigol para a equipe e para a mística do clube, marcando o jogo não apenas pelo resultado, mas pela profunda cisão entre o banco de reservas e a paixão da torcida santista.

Os impactos da substituição e a fúria da arquibancada

A saída de Gabigol não apenas gerou gritos de “Burro!” na Vila Belmiro, mas também pareceu afetar o moral da equipe em campo. A substituição, vista como controversa por muitos, desorganizou o ataque santista e não trouxe o impacto positivo esperado por Liendo. A torcida, já impaciente com o desempenho aquém do esperado, viu na mudança um sinal de que a vitória se distanciava.

A insatisfação dos torcedores persistiu durante o restante da partida, com o clima tenso no estádio. A crença na capacidade de Gabigol de decidir jogos, mesmo em dias menos inspirados, é um fator que sempre o torna intocável para a massa santista. A decisão do auxiliar, portanto, foi encarada como um desrespeito a essa expectativa e um erro tático grave, que não se justificava pelo momento do jogo.

Desfalques e o final dramático no empate

Para agravar a situação do Santos na reta final do clássico, o time ainda sofreu com desfalques inesperados. Luan Peres foi expulso, deixando a equipe com um jogador a menos, o que dificultou ainda mais a busca pela vitória. Pouco tempo depois, Vinicius Lira, que havia entrado no segundo tempo, lesionou-se, forçando o Peixe a atuar com apenas nove homens em campo, já que todas as substituições haviam sido realizadas.

Mesmo com a vantagem numérica de dois jogadores, o Corinthians não conseguiu capitalizar e pressionar o suficiente para virar o placar. O jogo terminou em um empate por 1 a 1 na Vila Belmiro, um resultado que deixou um gosto amargo para a torcida santista, não só pela igualdade em casa, mas pelas circunstâncias e decisões que permearam a partida.

Próximo desafio alvinegro

Após o clássico com o Corinthians e a polêmica que marcou a atuação do comando técnico, o Santos não terá muito tempo para lamentar ou digerir o ocorrido. O calendário apertado do Campeonato Brasileiro impõe um ritmo intenso, e a equipe precisa focar rapidamente no seu próximo compromisso para buscar a recuperação.

O Peixe volta a campo já na próxima quarta-feira (18), novamente em seus domínios, a Vila Belmiro. O adversário será o Internacional, em um confronto válido pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro, com a bola rolando a partir das 21h30. Será uma nova oportunidade para a equipe mostrar sua força e tentar apagar a má impressão deixada no clássico, especialmente diante de sua torcida.