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Julgamento do caso Henry suspenso: defesa de Jairinho se retira e Monique Medeiros é solta

Jairinho e Monique Medeiros são julgados pela morte de Henry Borel — Foto: Reprodução
Foto: Jairinho e Monique Medeiros são julgados pela morte de Henry Borel — Foto: Reprodução

O julgamento pela morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos, foi subitamente adiado na última segunda-feira, 23 de março de 2026, no Rio de Janeiro. A interrupção ocorreu logo no início da sessão, após os advogados do réu, o ex-vereador Dr. Jairinho, abandonarem o plenário do Tribunal de Justiça. A decisão da juíza Elizabeth Louro, que indeferiu os pedidos de suspensão apresentados pela defesa, levou ao relaxamento da prisão de Monique Medeiros, mãe da criança e também ré no processo, que teve seu alvará de soltura expedido.

Contrariamente, Dr. Jairinho, acusado de homicídio qualificado, tortura e coação, teve sua prisão mantida. A juíza determinou que a nova data para a retomada do júri será definida oportunamente, estabelecendo um prazo de até três meses para sua remarcação. A magistrada enfatizou que o abandono dos advogados foi um ato que “não encontra qualquer respaldo legal” e representou uma “interrupção indevida do curso processual”.

Henry Borel faleceu em março de 2021, em circunstâncias que chocaram o país. As acusações contra Jairinho e Monique Medeiros incluem agravantes como agressões em ambiente familiar e vitimamento de menor de 14 anos, podendo resultar em penas superiores a 50 anos de prisão para cada um, caso sejam condenados pelos crimes. O desdobramento do júri é aguardado com grande expectativa pela sociedade e pela família da vítima.

Julgamento do caso Henry é suspenso após tumulto em plenário

A juíza Elizabeth Louro emitiu uma advertência clara de que, em caso de um novo “abandono ilegítimo” por parte da defesa de Dr. Jairinho, o julgamento será prosseguido. Nesta situação, o réu passará a ser representado por um defensor público presente, assegurando a continuidade do processo e evitando novas paralisações estratégicas. Tal medida visa coibir manobras processuais que atrasem a conclusão do caso.

A magistrada registrou que a postura dos advogados sugeriu uma “estratégia premeditada”, observando o comportamento da defesa em uma reunião prévia na quinta-feira anterior. A atitude foi categorizada como uma interrupção indevida, demonstrando a firmeza do judiciário em garantir o andamento da justiça, mesmo diante de obstáculos.

Ação da defesa e apuração ética pela OAB

Diante do abandono do plenário, a juíza Elizabeth Louro determinou que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apure eventuais infrações ético-disciplinares dos cinco advogados de Jairinho que estavam presentes. A medida reforça a necessidade de conduta profissional e ética por parte dos representantes legais, zelando pela integridade do sistema judiciário.

Adicionalmente, a presidência do Tribunal de Justiça do Rio foi notificada para que sejam apuradas as despesas do Judiciário e do Estado decorrentes do evento. A intenção é que os advogados de Jairinho arquem com os custos envolvidos na mobilização de recursos como energia elétrica, presença policial, limpeza, terceirizados e alimentação de funcionários, que foram dispensados para a realização do julgamento.

Pedidos de suspensão e nulidades são negados pela justiça

No início da sessão, a defesa de Jairinho, por meio do advogado Fabiano Lopes, solicitou a suspensão do julgamento, alegando a necessidade de acesso total às provas. O advogado Zanone Júnior, por sua vez, apontou o que chamou de “30 nulidades” no processo, buscando invalidar partes cruciais da acusação.

Um dos argumentos centrais da defesa se baseou na análise de um perito consultado por Jairinho, que indicou uma “prévia seleção de marcadores” no conteúdo do notebook do engenheiro Leniel Borel, pai de Henry. Além disso, foi argumentado que a defesa não teve “condições prazais de fazer a análise” do conteúdo de um celular da marca Xiaomi, comprometendo a capacidade de preparação.

Em caso de não suspensão, Zanone sugeriu o desmembramento do processo, propondo julgamentos separados para Monique e Jairinho. A defesa de Monique Medeiros, no entanto, manifestou-se contrariamente ao adiamento do júri, buscando uma resolução para o caso.

A juíza Elizabeth Louro indeferiu de forma categórica todos os pedidos da defesa de Jairinho. Sobre a proposta de desmembramento do julgamento, a magistrada foi enfática ao pontuar que a “cisão seria impossível”, visto que as acusações contra os dois réus estão “intrinsecamente vinculadas”, tornando inviável a separação dos processos.

Repercussão social e manifestações populares

Em frente ao Tribunal de Justiça, um grupo de aproximadamente 15 pessoas se reuniu para protestar e clamar por justiça. Os manifestantes, que carregavam faixas e fotos, também se uniram em oração, demonstrando solidariedade à família de Henry e exigindo uma resposta rápida do sistema judicial. O pai do menino, Leniel Borel, foi cumprimentado e recebeu apoio ao chegar ao tribunal, evidenciando o impacto emocional que o caso continua a ter.

Entre os presentes, Hilário e Elaine Teixeira Barreto, pais de Marcelo Estrela, vítima de um crime em 2016, trouxeram faixas com os rostos de ambos os meninos. A presença do casal ressaltou a dor compartilhada de perder um filho para a violência e a incessante busca por justiça. Hilário reiterou a esperança na Justiça, sublinhando que a sociedade não pode perder a fé na resolução de casos tão graves.

Análise dos laudos e provas no processo Henry Borel

Jairinho e Monique Medeiros enfrentam acusações graves relacionadas à morte de Henry. As denúncias incluem homicídio qualificado, tortura e coação, com o agravante de as agressões terem ocorrido em ambiente familiar e a vítima ser menor de 14 anos. O laudo de necropsia inicial foi fundamental, apontando que a criança sofreu hemorragia interna e laceração hepática, além de apresentar equimoses, hematomas, edemas e contusões. Peritos concluíram que tais lesões eram incompatíveis com um acidente doméstico ou uma queda simples. A defesa de Jairinho tentou impedir a apresentação deste laudo, alegando que o perito oficial o teria modificado após debater o caso com outra perita anônima que estaria ajudando o pai do menino. Contudo, Leniel, o Ministério Público e a Polícia Civil negam veementemente qualquer manipulação dos laudos. Em janeiro de 2026, a acusação introduziu um novo laudo, que utilizou tecnologia 3D para reconstruir os eventos, reafirmando que a morte de Henry foi provocada por agressões físicas e descartando qualquer hipótese de queda acidental, corroborando a tese de crime intencional com base em um padrão de lesões internas e externas.

Desdobramentos futuros e o cenário jurídico

A juíza Elizabeth Louro também determinou que o gabinete do ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal (STF), seja informado sobre o ocorrido. O ministro havia recomendado celeridade no julgamento do caso Henry Borel, reforçando a importância de uma resolução rápida e eficaz para um processo de tamanha repercussão nacional.

Monique Medeiros, embora solta após o adiamento, e Dr. Jairinho, que permanece em prisão preventiva no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, continuarão enfrentando as acusações. A complexidade do caso e a atenção midiática indicam que os próximos passos do processo serão acompanhados de perto, buscando clareza e justiça para a morte de Henry.