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Martín Anselmi deixa o comando do Botafogo após três meses e marca oitava troca de técnico na era SAF

Martín Anselmi
Foto: Martín Anselmi - Vítor Silva/BFR

A diretoria do Botafogo confirmou oficialmente a demissão do técnico Martín Anselmi na manhã deste domingo, 22 de março de 2026, após uma reunião definitiva entre a cúpula do futebol e o treinador argentino. O profissional encerra seu ciclo no clube carioca com exatos 90 dias de trabalho, tornando-se o oitavo nome a deixar o cargo desde que a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) foi implementada em 2022. A decisão ocorreu em um momento de instabilidade técnica, onde a cúpula alvinegra alegou a ausência de evolução tática e resultados condizentes com o investimento realizado para a temporada.

O retrospecto de Anselmi à frente do time contabilizou 18 partidas oficiais, apresentando um equilíbrio estatístico que não agradou aos gestores liderados por John Textor. Durante sua passagem, o comandante obteve sete vitórias, dois empates e nove derrotas, resultando em um aproveitamento insuficiente para as pretensões de títulos do clube. O ataque marcou 20 gols, enquanto a defesa foi vazada o mesmo número de vezes, evidenciando uma fragilidade defensiva que foi determinante para a interrupção do projeto esportivo antes do término das competições estaduais e do início do certame nacional.

Para garantir a continuidade dos treinamentos e a preparação para os próximos compromissos, o Botafogo anunciou que Rodrigo Bellão, atual técnico da categoria sub-20, assumirá o elenco de forma interina. A nota oficial publicada pelo clube reforça que a mudança é estratégica para que os objetivos da temporada de 2026 sejam atingidos com maior segurança técnica. Os principais pontos destacados pela diretoria para a demissão incluem:

  • Ausência de progresso tático após três meses de treinamentos intensivos;
  • Resultados abaixo do esperado em clássicos e jogos decisivos;
  • Necessidade de um perfil de liderança que acelere a integração de novos reforços;
  • Inconstância no desempenho individual de peças-chave do elenco principal.

Rotatividade de treinadores marca gestão de John Textor

A saída de Martín Anselmi expõe um cenário de constante mutação no banco de reservas alvinegro, uma característica que tem acompanhado a gestão de John Textor. Desde 2022, o clube experimentou diversas filosofias de jogo, passando por nomes europeus e sul-americanos, mas raramente conseguindo manter um projeto de longo prazo. Essa volatilidade reflete a pressão por resultados imediatos em uma estrutura que busca se consolidar como uma das principais potências do futebol sul-americano.

A média de permanência dos técnicos na era SAF é de apenas 167 dias, o que equivale a pouco mais de cinco meses de trabalho efetivo para cada profissional contratado. Esse dado estatístico revela a dificuldade de implementação de uma identidade metodológica duradoura no Estádio Nilton Santos. Com a demissão de Anselmi, o Botafogo inicia agora a busca por seu nono treinador, tentando encontrar alguém que consiga repetir a longevidade alcançada apenas por Luís Castro no início do projeto.

A exceção de longevidade no projeto alvinegro

No histórico recente de contratações e demissões da SAF, o técnico português Luís Castro permanece como o único ponto de estabilidade prolongada no comando da equipe. Castro dirigiu o Botafogo entre março de 2022 e junho de 2023, totalizando 462 dias de trabalho contínuo antes de aceitar uma proposta do futebol árabe. Sua passagem foi marcada pela estruturação do departamento de futebol e pela implementação de processos que ainda servem de base para o cotidiano do clube, apesar das constantes trocas posteriores.

Após a saída de Castro, o clube não conseguiu manter nenhum outro profissional por um período superior a nove meses, evidenciando uma ruptura no planejamento original de manutenção de comissões técnicas por longos ciclos. A gestão enfrentou dificuldades tanto com técnicos experientes quanto com apostas em novos nomes do mercado internacional, gerando um ciclo de adaptações constantes que afeta diretamente o rendimento dos atletas dentro de campo.

Comparativo de permanência entre os técnicos da SAF

A trajetória de Martín Anselmi entra para as estatísticas como o terceiro trabalho mais curto entre todos os treinadores que passaram pelo clube sob a égide da empresa de Textor. Ele supera apenas Lúcio Flávio, que atuou como solução caseira por 42 dias, e o português Bruno Lage, que permaneceu por 88 dias durante a disputa do campeonato nacional de 2023. Essa lista de passagens breves demonstra o rigor da diretoria na avaliação do desempenho semanal e a baixa tolerância a oscilações de performance.

Abaixo, detalha-se o tempo exato de permanência de cada profissional que comandou o time principal desde 2022:

  • Luís Castro: 462 dias (único a superar um ano no cargo);
  • Artur Jorge: 273 dias;
  • Davide Ancelotti: 162 dias;
  • Renato Paiva: 123 dias;
  • Tiago Nunes: 98 dias;
  • Martín Anselmi: 90 dias;
  • Bruno Lage: 88 dias;
  • Lúcio Flávio: 42 dias.

Desempenho técnico motivou decisão da diretoria alvinegra

O desempenho de Anselmi foi marcado por uma tentativa de implementar um estilo de jogo baseado na posse de bola e na pressão alta, características que o consagraram em clubes anteriores. No entanto, a adaptação do elenco do Botafogo a esse modelo não ocorreu na velocidade esperada pelos analistas de desempenho da SAF. A falta de equilíbrio entre os setores e as sucessivas falhas individuais em momentos críticos pesaram na balança no momento da reunião matinal deste domingo.

Internamente, circulavam informações de que o ambiente de trabalho era profissional, mas a falta de “entrega técnica” em campo gerava desconforto na alta cúpula. A decisão de interromper o contrato agora visa dar tempo para que um novo profissional possa utilizar o restante do primeiro semestre para moldar a equipe antes das fases mais agudas das competições continentais e nacionais.

Perspectiva para a contratação de um novo comandante

O departamento de futebol já iniciou o mapeamento de mercado para encontrar um substituto que preencha os requisitos de modernidade e agressividade tática exigidos pelo projeto de John Textor. A busca deve se concentrar novamente em nomes estrangeiros, mantendo a tendência de internacionalização do comando técnico que tem sido a tônica da gestão atual. Não há um prazo definido para o anúncio, mas a expectativa é que o novo nome chegue ao Rio de Janeiro ainda na próxima semana para iniciar o planejamento imediato.

Desafios imediatos para a comissão técnica interina

Rodrigo Bellão assume a responsabilidade de dirigir o time em um momento de pressão externa por parte da torcida, que demonstra insatisfação com a irregularidade da equipe. O interino terá que trabalhar a parte psicológica dos jogadores, muitos dos quais foram indicações diretas de Anselmi, para garantir que o desempenho em campo não sofra uma queda ainda mais acentuada durante o período de transição.

A preparação para o próximo jogo já começa sob nova direção, com foco em ajustes defensivos urgentes. O clube entende que a estabilidade temporária é fundamental para que o processo de escolha do novo treinador ocorra com a calma necessária, evitando novos erros de avaliação que possam comprometer financeiramente a temporada de 2026.

Perfil dos treinadores buscados pela gestão SAF

A filosofia de contratação da SAF do Botafogo prioriza técnicos que utilizam análise de dados e tecnologia em seus treinamentos, alinhando-se aos padrões dos clubes europeus que compõem a rede de investimentos de John Textor. Esse modelo de gestão busca uma padronização tática, mas tem esbarrado na realidade imediatista dos resultados esportivos. A cada troca, o clube reafirma seu compromisso com a busca pela excelência, mesmo que isso signifique reiniciar processos de trabalho de forma recorrente.

Reação do mercado e dos torcedores diante da demissão

A notícia da saída de Anselmi repercutiu rapidamente nos bastidores do futebol, levantando debates sobre a sustentabilidade de projetos esportivos que trocam de comando com tanta frequência. Especialistas apontam que a falta de continuidade pode prejudicar a valorização de ativos e a coesão do grupo de jogadores a longo prazo. No entanto, para a diretoria alvinegra, o custo de manter um trabalho sem perspectivas de evolução é considerado superior ao risco de uma nova troca técnica neste estágio da temporada.

As redes sociais e os canais de comunicação do clube foram inundados por opiniões divergentes, refletindo a ansiedade da torcida por um time que apresente regularidade. Enquanto parte dos torcedores apoia a mudança drástica para salvar o ano, outros questionam se o problema reside apenas na figura do treinador ou se há falhas mais profundas na montagem do elenco e na gestão de expectativas. O fato é que o Botafogo se vê novamente em uma encruzilhada tática, buscando o equilíbrio entre a modernidade administrativa e o sucesso indispensável dentro das quatro linhas.