Pressão aumenta sobre Sarah Ferguson para prestar depoimento nos EUA sobre ligações com Jeffrey Epstein
Sarah Ferguson, ex-duquesa de York, permanece fora do radar público há meses, enquanto cresce a pressão para que ela preste depoimento nos Estados Unidos sobre suas conexões com o falecido financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein. Parlamentares americanos, incluindo membros do Comitê de Supervisão da Câmara, afirmam que ela possui informações relevantes para a investigação sobre o tratamento dado ao caso de Epstein. Não existe mecanismo legal para obrigá-la a comparecer, mas congressistas indicam disposição para negociar condições que permitam sua participação sob juramento. Representantes de Ferguson não comentaram as solicitações.
O deputado Suhas Subramanyam, integrante do comitê que examina a condução da promotoria contra Epstein, declarou que Ferguson detém dados úteis para o inquérito. Ele reforçou a necessidade de depoimento jurado e destacou que o comitê estaria aberto a ajustar termos adequados à ex-duquesa. A congressista Melanie Stansbury ecoou o pedido ao afirmar que qualquer pessoa com conhecimento sobre irregularidades cometidas por Epstein e seus associados deve cooperar para garantir justiça às vítimas.
A família de Virginia Giuffre, uma das principais acusadoras de Epstein, manifestou apoio à convocação. Um representante do irmão de Giuffre, Sky Roberts, enfatizou que, caso Ferguson detenha informações, ela deve depor imediatamente nos Estados Unidos. Essas declarações surgem após a divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça americano no início do ano, que revelaram contatos mais intensos entre Ferguson e Epstein do que se imaginava anteriormente.
Chamados de autoridades e especialistas
O advogado Jonathan Coad, que já representou Ferguson em casos de difamação e privacidade, afirmou que não há chance de ela aceitar viajar aos Estados Unidos para depor. Ele argumentou que tal comparecimento seria prejudicial para ela, para suas filhas Beatrice e Eugenie, e também para o ex-marido Andrew Mountbatten-Windsor. Coad destacou que o depoimento poderia expor vulnerabilidades adicionais na família.
Gloria Allred, advogada que representa vítimas de Epstein, considerou as revelações recentes como prova de que Ferguson não pode alegar desconhecimento dos crimes. Allred defendeu que o momento é oportuno para Ferguson se apresentar voluntariamente ao Congresso e também responder a questionamentos da polícia no Reino Unido.
O biógrafo Andrew Lownie descreveu Ferguson como testemunha material, pois ela frequentava as residências de Epstein com regularidade. Ele considerou inconcebível que ela não tivesse observado aspectos semelhantes aos vistos pelo ex-marido durante as visitas.
Detalhes dos documentos divulgados
Documentos liberados pelo Departamento de Justiça mostram e-mails em que Ferguson elogiava Epstein, chamando-o de “o irmão que sempre desejei” em 2009, período em que ele cumpria pena por solicitação de prostituição de menor. As mensagens indicam contatos mesmo durante o encarceramento e almoços com as filhas em Miami logo após a liberação dele.
As trocas revelam Ferguson em busca de apoio financeiro e descrevendo-se como traumatizada e isolada. Especialistas observam que esses elementos a colocam em posição mais próxima do círculo de Epstein do que se pensava antes da liberação dos arquivos.
Consequências recentes na vida de Ferguson
Ferguson perdeu o título de duquesa em outubro, quando Andrew Mountbatten-Windsor renunciou ao título de Duque de York devido às controvérsias ligadas a Epstein. Ela também precisou deixar a Royal Lodge, residência em Windsor que dividia com o ex-marido mesmo após o divórcio em 1996.
Várias organizações filantrópicas encerraram associações com ela em setembro do ano passado. O Youth Impact Council, organização sem fins lucrativos baseada em Los Angeles, confirmou que Ferguson se afastou do cargo de embaixadora na mesma época. Sua organização Sarah’s Trust anunciou o fechamento por tempo indeterminado, com pedido formal de encerramento recebido pela Charity Commission.
Possíveis próximos passos e especulações
Rumores indicam ofertas de somas de seis dígitos por entrevistas exclusivas a redes americanas, embora analistas questionem se o momento atual permitiria aceitação sem prejuízos adicionais à imagem. Há especulações sobre um possível livro de memórias, mas editoras consultadas não confirmaram negociações.
A localização atual de Ferguson permanece desconhecida, com relatos variados apontando para Emirados Árabes Unidos, Portugal, Suíça ou retiro de bem-estar na Irlanda. Ela evitou aparições públicas e fotografias desde o final de 2025.
Reunião em York sobre honraria
O Conselho da Cidade de York agendou reunião em 26 de março para discutir a retirada da Liberdade da Cidade concedida a Ferguson em 1987. A proposta segue a revogação similar aplicada a Andrew Mountbatten-Windsor em 2022, primeira vez que o conselho retirou tal honraria.
A ex-duquesa mantém silêncio sobre os pedidos de depoimento e as especulações. O tema continua a gerar debates sobre cooperação em investigações internacionais relacionadas a Epstein.
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