Ouro e prata registram forte queda de 10% no mercado internacional em cenário de instabilidade
Os mercados de metais preciosos foram abalados por uma significativa desvalorização nesta segunda-feira, com os preços do ouro e da prata caindo acentuadamente nos mercados internacionais. A queda representa um dos piores desempenhos em mais de quatro décadas para o ouro, enquanto a prata registrou uma diminuição substancial, impactando investidores em todo o mundo.
A turbulência foi impulsionada por uma combinação de fatores geopolíticos e econômicos. Tensões crescentes no Oriente Médio, particularmente entre os Estados Unidos e o Irã, juntamente com a persistente alta nos preços do petróleo, alimentaram preocupações sobre a inflação e a perspectiva de juros elevados.
Analistas do mercado financeiro indicam que a volatilidade deverá continuar nos próximos dias. Embora haja uma expectativa de movimento limitado e uma leve tendência de recuperação após a recente queda acentuada, os ganhos podem ser contidos pela persistência de taxas de juros elevadas e pela valorização contínua do dólar americano.
Desvalorização histórica: ouro e prata em queda livre
Os contratos futuros de ouro apresentaram uma queda abrupta na segunda-feira, registrando um recuo superior a 10% e atingindo o patamar de aproximadamente 1,29 lakh de rupias por 10 gramas no mercado de futuros. Esta desvalorização foi parte de uma ampla onda de vendas globais que atingiu os metais preciosos, impulsionada por crescentes preocupações macroeconômicas.
Na Multi Commodity Exchange (MCX), os futuros de ouro caíram 14.897 rupias, ou 10,3%, encerrando o pregão em 1.29.595 rupias por 10 gramas. O metal precioso acumula uma desvalorização de 63.501 rupias, ou quase 33%, em relação ao seu recorde histórico de 1.93.096 rupias por 10 gramas, alcançado em 29 de janeiro de 2026.
Cenário macroeconômico global e pressões inflacionárias
Especialistas de mercado atribuem essa correção acentuada a crescentes preocupações com a inflação e à forte alta nos preços do petróleo bruto. Ambos os fatores têm exercido pressão sobre as perspectivas econômicas globais, gerando um ambiente de incerteza que afeta diretamente o valor de ativos considerados refúgios.
A elevação contínua dos preços da energia é um sinal de alerta para os principais bancos centrais, que já estão monitorando de perto os riscos inflacionários. Essa situação fortalece a expectativa de que as políticas monetárias restritivas, com taxas de juros mais altas, possam ser mantidas por um período mais prolongado do que o inicialmente previsto.
O monitoramento dos preços do petróleo por parte dos investidores e formuladores de políticas é crucial, pois as variações no custo da energia são frequentemente precursores de tendências inflacionárias. A dinâmica atual sugere que a inflação pode ser mais persistente do que o esperado, exigindo cautela.
Impacto das taxas de juros e do dólar
A expectativa de que as taxas de juros globais permaneçam elevadas, em resposta às pressões inflacionárias, contribui significativamente para a desvalorização do ouro e da prata. Historicamente, juros mais altos tornam ativos que não rendem juros, como os metais preciosos, menos atraentes em comparação com investimentos que oferecem retornos garantidos.
A força do dólar americano também desempenha um papel crucial neste cenário. Quando o dólar se fortalece, as commodities precificadas na moeda, como o ouro, tornam-se mais caras para compradores que utilizam outras moedas, diminuindo a demanda e pressionando os preços para baixo. A valorização do dólar atua como um obstáculo adicional para uma recuperação mais robusta dos metais.
Perspectivas de recuperação e indicadores a observar
A prata também sofreu um forte golpe, com os contratos futuros para entrega em maio de 2026 na MCX caindo 26.262 rupias, ou 11,5%, para 2.00.510 rupias por quilo. Globalmente, os preços do ouro tiveram um declínio significativo, caindo mais de 5% na segunda-feira para atingir seu nível mais baixo até agora em 2026. O metal também registrou sua maior perda semanal em mais de quatro décadas, desabando mais de 10% na semana anterior e fechando a sexta-feira abaixo da marca de 4.500 dólares por onça troy no mercado à vista.
Analistas preveem que tanto o ouro quanto a prata deverão operar dentro de uma faixa de preços esta semana, com uma leve inclinação para a recuperação após a recente e acentuada queda. No entanto, os ganhos podem ser limitados devido às taxas de juros persistentemente elevadas e à força contínua do dólar americano, que criam um ambiente desafiador para os metais preciosos.
Participantes do mercado ficarão atentos a diversos indicadores econômicos chave que podem influenciar a direção dos preços nos próximos dias. Entre eles, destacam-se:
A movimentação dos preços do petróleo bruto também continuará sendo um fator importante para as tendências de mercado, dada sua influência direta sobre as expectativas inflacionárias e, consequentemente, sobre as políticas monetárias globais.
Volatilidade nas criptomoedas acompanha tendência
A instabilidade não se limitou aos mercados tradicionais, estendendo-se também ao cenário das criptomoedas. O Bitcoin, por exemplo, caiu abaixo do patamar de 70.000 dólares na segunda-feira, negociando em torno de 68.000 dólares. A escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã desestabilizou os mercados financeiros globais, resultando em liquidações rápidas de quase 243 milhões de dólares, principalmente de posições compradas. A criptomoeda era negociada a aproximadamente 68.627 dólares. Nas últimas 24 horas, tanto o Bitcoin quanto o Ethereum registraram quedas de 0,9% e 2%, respectivamente. Entre as principais altcoins, BNB, XRP, Solana, Dogecoin, Hyperliquid e Cardano também sofreram quedas de até 2%, enquanto Tron contrariou a tendência com um ganho marginal de 0,3%.
Recomendações para investidores em momentos de incerteza
Diante de um cenário de incerteza geopolítica elevada e da probabilidade de aberturas de mercado com gaps de baixa, especialistas recomendam que os investidores mantenham a disciplina e evitem a venda por pânico. Abhishek Bhilwaria, distribuidor de fundos mútuos registrado pela AMFI, aconselhou a continuidade de planos de investimento sistemáticos (SIPs), pois as correções de mercado oferecem uma oportunidade de acumular mais unidades a preços mais baixos, utilizando a média de custo em reais, uma vantagem primordial dos SIPs em períodos de retração.
Caso disponham de capital extra, os investidores podem considerar um aporte tático em fundos diversificados ou de grande capitalização, especialmente enquanto as avaliações estão sob pressão. No entanto, é crucial evitar a tentativa de “acertar o fundo” do mercado perfeitamente. O foco deve permanecer na acumulação de longo prazo, tratando o ruído do mercado atual como uma oportunidade para construir o portfólio com desconto, e não como uma razão para desinvestir.
Cotações de metais preciosos em grandes centros
Em meio a essa turbulência, as cotações do ouro e da prata variam conforme a localidade e a pureza do metal. Em Bengaluru, uma das principais cidades da Índia, por exemplo, os preços foram observados da seguinte forma.
O preço do ouro 24 quilates foi de 14.002 rupias por grama. Já o ouro 22 quilates foi cotado a 12.835 rupias por grama. Para o ouro 18 quilates, o valor era de 10.502 rupias por grama, refletindo as flutuações e a complexidade do mercado global de metais preciosos neste período de instabilidade.










