Falta de diesel no Sul ameaça calendário da safra agrícola
Produtores rurais do Rio Grande do Sul enfrentam a escassez severa de óleo diesel em postos e distribuidoras regionais, situação que atrasa o início imediato da preparação do solo e coloca em risco o calendário oficial de plantio da nova safra agrícola em polos produtores do território gaúcho. A oferta segue restrita.
A defasagem acumulada nos valores de venda praticados pela Petrobras nas refinarias nacionais afasta as importações do combustível realizadas rotineiramente por empresas privadas e agrava o quadro de desabastecimento que atinge em cheio a cadeia produtiva no mercado gaúcho.
Distribuidoras registram restrição de volumes no Rio Grande do Sul
Companhias distribuidoras que atendem as cidades do interior do Rio Grande do Sul operam com cotas reduzidas de combustível e encontram dificuldades para recompor os estoques necessários à demanda do campo. O corte nas entregas afeta diretamente cooperativas agrícolas que dependem de remessas diárias para manter o funcionamento ininterrupto de maquinários pesados nas lavouras. Filas de caminhões continuam registradas.
A distribuição do combustível nas bases terrestres do Sul ocorre de forma fracionada, o que impede a formação de reservas mínimas de segurança nas propriedades e eleva a apreensão de agricultores familiares e grandes produtores do agronegócio. Sem a chegada regular de caminhões-tanque nos pontos de abastecimento, as bombas secam poucas horas após a abertura do atendimento nas cooperativas agropecuárias gaúchas.

Preço da Petrobras afasta cargas estrangeiras nos portos
A disparidade expressiva entre os preços cobrados nas refinarias da Petrobras e o valor praticado no mercado internacional inviabilizou totalmente a compra externa de óleo diesel por importadores privados que abastecem bases portuárias no Sul.
A decisão dos agentes privados de paralisar as importações marítimas reduziu drasticamente a entrada de cargas suplementares que historicamente completam o consumo de combustível nos estados do Sul. A infraestrutura de refino da estatal opera em carga elevada, mas não dispõe de capacidade técnica para compensar o volume integral que deixou de ingressar pelo comércio exterior no período recente. O desequilíbrio afeta toda a malha.
Terminais portuários da Região Sul registram menor movimentação de navios graneleiros dedicados ao transporte de derivados de petróleo, cenário logístico que pressiona diretamente as bases de armazenamento locais. A ausência desse combustível importado força as distribuidoras regionais a disputar quotas restritas disponibilizadas diariamente pelas refinarias estatais no território gaúcho.
Trabalhos no campo sofrem atrasos com a falta de combustível
O maquinário agrícola necessita do fornecimento contínuo e diário de óleo diesel para cumprir as janelas meteorológicas ideais exigidas durante o período crítico de semeadura em propriedades gaúchas.
Tratores e plantadeiras permanecem estacionados nos galpões de propriedades rurais devido à falta do produto nos reservatórios instalados nas fazendas. A paralisação forçada dos equipamentos atrasa o cronograma planejado e pode comprometer o rendimento médio das lavouras de grãos ao longo de todo o ciclo produtivo da temporada. O tempo do plantio encurta.
Lideranças agrícolas de municípios gaúchos relatam que os produtores rurais percorrem cidades vizinhas em busca de óleo diesel, mas encontram limites severos de compra por veículo nos estabelecimentos comerciais. O racionamento informal adotado pelos revendedores tenta assegurar o atendimento emergencial de serviços essenciais e evitar o esvaziamento antecipado das bombas locais.
Representantes do setor produtivo do Rio Grande do Sul acompanham as operações da Petrobras para verificar eventuais medidas no fornecimento às bases de distribuição que atendem as cooperativas e lavouras agrícolas do interior.







