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ONU alerta desequilibrio climático recorde com ondas de calor e enchentes nos EUA e Havaí

enchentes Havaí
Foto: enchentes Havaí - X/@chematierra

A Organização das Nações Unidas emitiu alerta sobre o agravamento da crise climática global. Concentrações de gases de efeito estufa atingiram níveis recordes na atmosfera terrestre. O relatório da Organização Meteorológica Mundial indica que o desequilíbrio energético do planeta alcançou o maior patamar em 65 anos de observações. Eventos extremos como ondas de calor precoce nos Estados Unidos e enchentes severas no Havaí ilustram os impactos já em curso.

As autoridades havaianas solicitaram declaração presidencial de grande desastre após as fortes chuvas que atingiram a North Shore de Oahu. Milhares de moradores precisaram deixar suas residências por causa das águas de inundação. Trata-se das piores enchentes registradas na região em mais de 20 anos. Equipes de emergência realizaram centenas de resgates e avaliam danos em centenas de residências, escolas e infraestrutura local.

  • Evacuações afetaram cerca de 5.500 pessoas em áreas como Waialua, Haleiwa e Mokuleia
  • Danos incluem casas deslocadas de suas fundações e veículos arrastados pela correnteza
  • Equipes estaduais e federais iniciaram avaliações preliminares de prejuízos
  • O governador solicitou apoio federal com compartilhamento de custos de até 90%

Concentrações recordes de gases de efeito estufa

O relatório divulgado na segunda-feira aponta que os níveis de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso continuam a subir. Esses gases atingiram as maiores concentrações em pelo menos 800 mil anos. O aumento anual de dióxido de carbono registrado em 2024 foi o maior desde o início das medições modernas em 1957. Dados preliminares de estações de monitoramento indicam continuidade dessa tendência ao longo de 2025.

Especialistas da Organização Meteorológica Mundial destacam que o desequilíbrio energético da Terra nunca esteve tão pronunciado na história observada. Mais de 91% do excesso de calor é absorvido pelos oceanos, que registraram recorde de conteúdo térmico em 2025. O aquecimento dos mares e o derretimento de gelo terrestre impulsionam a elevação contínua do nível médio global dos oceanos.

Análise de eventos extremos atribui papel central ao aquecimento humano

Uma análise rápida realizada pelo World Weather Attribution concluiu que as temperaturas triplo dígito registradas em março no sudoeste dos Estados Unidos teriam sido praticamente impossíveis sem a influência da mudança climática. O evento quebrou recordes históricos para o mês de março em várias estações. Cientistas estimam que o aquecimento global aumentou a intensidade de ondas de calor nessa região em cerca de 2,6 graus Celsius.

A probabilidade de ocorrência de eventos tão quentes cresceu por um fator aproximado de 800 devido ao aquecimento induzido pelo homem. Registros mostram que o período entre 2015 e 2025 compreende os 11 anos mais quentes desde o início das medições. O ano de 2025 registrou temperatura média global cerca de 1,43 graus Celsius acima da linha de base de 1850-1900, posicionando-se entre o segundo e o terceiro ano mais quente da história.

Derretimento de gelo e elevação do nível do mar

Glaciares continuaram a recuar em 2025 enquanto o gelo terrestre derreteu em ritmo acelerado. O oceano em aquecimento e a perda de massa de gelo contribuem diretamente para o aumento sustentado do nível médio global dos mares. Dados indicam que a extensão de gelo marinho no Ártico ficou em ou perto de mínima recorde, enquanto a extensão na Antártica registrou o terceiro menor valor observado.

O relatório reforça que o sistema climático acumula energia em ritmo sem precedentes. Esse desequilíbrio resulta de concentrações elevadas de gases de efeito estufa que reduzem a capacidade da Terra de refletir energia solar de volta ao espaço. Consequências incluem eventos de precipitação intensa e ondas de calor que se tornam mais frequentes e severas em diversas regiões.

Impactos observados em diferentes continentes

Enchentes e tempestades intensas afetaram várias localidades no início de 2026, com destaque para o sistema Kona low que provocou chuvas torrenciais no Havaí. Autoridades relataram danos generalizados em estradas, aeroportos e instalações públicas. Equipes de avaliação de danos trabalham para dimensionar os prejuízos e planejar a recuperação das áreas atingidas.

No continente norte-americano, a onda de calor precoce no oeste dos Estados Unidos quebrou recordes de temperatura para o mês de março. Estações meteorológicas registraram valores acima de 108 graus Fahrenheit em localidades do sudoeste. A análise científica liga diretamente esses extremos ao aumento de temperaturas globais causado por atividades humanas.

Continuidade do aquecimento oceânico

O conteúdo térmico dos oceanos alcançou novo recorde em 2025. A taxa de aquecimento dos mares mais que dobrou em comparação com o período entre 1960 e o início dos anos 2000. Esse armazenamento de calor influencia padrões climáticos globais e contribui para eventos meteorológicos extremos em escala planetária.

Cientistas monitoram continuamente os indicadores do sistema climático. O relatório da Organização Meteorológica Mundial consolida dados de múltiplas fontes para oferecer panorama atualizado do estado do clima global. As observações confirmam a tendência de aceleração do aquecimento observada nas últimas décadas.

Resposta institucional às consequências

Autoridades havaianas mobilizaram a Guarda Nacional e equipes de emergência para auxiliar na resposta às enchentes. O governador formalizou o pedido de declaração de grande desastre à Casa Branca para acessar recursos federais adicionais. Avaliações preliminares indicam necessidade de reconstrução de infraestrutura crítica danificada pelas águas.

Equipes federais e estaduais coordenam esforços para dimensionar os impactos e planejar medidas de recuperação. O foco permanece na assistência imediata às populações afetadas e na restauração de serviços essenciais nas áreas atingidas. As ações visam mitigar riscos futuros em regiões vulneráveis a eventos de precipitação intensa.

A Organização das Nações Unidas e agências especializadas continuam a monitorar a evolução dos indicadores climáticos. O relatório divulgado reforça a necessidade de observação contínua dos padrões de temperatura, precipitação e composição atmosférica. Dados atualizados servem de base para compreensão dos processos em andamento no sistema climático terrestre.