Americanas conclui venda da Uni.Co e solicita fim do processo de recuperação judicial

Lojas Americanas

Lojas Americanas - Foto: Hans Elmo / Shutterstock.com

O grupo varejista Americanas S.A. encaminhou à 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro o pedido para adoção das medidas necessárias ao encerramento do processo de recuperação judicial. A solicitação foi protocolada nesta quarta-feira, 25 de março, após a companhia declarar que cumpriu todas as obrigações previstas no plano aprovado pelos credores dentro do prazo legal.

A medida marca um avanço relevante na trajetória de reestruturação iniciada em janeiro de 2023, quando a empresa revelou inconsistências contábeis que levaram ao pedido de recuperação. Na ocasião, o rombo identificado chegou a cerca de R$ 20 bilhões em exercícios anteriores, com dívidas totais que se aproximaram de R$ 40 bilhões. A Americanas mantém que os administradores adotarão todas as providências para formalizar o encerramento do processo.

Venda da Uni.Co é homologada pela Justiça

A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro declarou vencedora do leilão da UPI Uni.Co a Fan Store Entretenimento, conhecida como BandUP!. A unidade de negócios reúne as marcas Imaginarium e Puket e foi vendida pelo valor de R$ 152 milhões.

A decisão da juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca invalidou a proposta apresentada pela Solver Soluções Críticas por erro formal na entrega de envelope aberto. A oferta da Solver chegava a R$ 155 milhões, com pagamento à vista de R$ 70 milhões, mas foi contestada por outros participantes do certame.

A Americanas havia se manifestado inicialmente pela continuidade do processo competitivo, priorizando o interesse dos credores. Mesmo assim, a magistrada considerou que a exigência de envelope lacrado representa instrumento essencial para preservar a integridade do leilão e evitar riscos de manipulação ou conhecimento prévio do conteúdo.

A transferência das ações da Uni.Co para a empresa vencedora ocorrerá de forma livre e desembaraçada de quaisquer ônus, conforme estabelecido no Plano de Recuperação Judicial. Com essa alienação, a Americanas dá sequência à estratégia de desinvestimento em ativos não essenciais.

Resultados do quarto trimestre mostram redução de prejuízo

A Americanas divulgou na véspera o balanço referente ao quarto trimestre de 2025. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 44 milhões no período, o que representa redução de 92,5% em relação ao prejuízo de R$ 586 milhões apurado no mesmo trimestre de 2024.

O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado alcançou R$ 276 milhões, com leve avanço de 1,9% sobre o quarto trimestre anterior. Esses números refletem os esforços de corte de custos e reestruturação do modelo de negócios, que hoje se concentra mais nas lojas físicas.

A companhia encerrou o ano de 2025 com 1.470 lojas no total, sendo 906 convencionais e 564 no formato express. Esse número representa redução em comparação com as 1.587 unidades registradas no final de 2024.

  • Redução de 92,5% no prejuízo do quarto trimestre em relação ao ano anterior
  • Ebitda ajustado positivo em R$ 276 milhões no período
  • Manutenção do foco operacional nas lojas físicas após reestruturação

Reação do mercado às notícias da companhia

As ações da Americanas fecharam o pregão seguinte com alta de 12,62%, após chegar a subir 20% durante o dia. O movimento positivo ocorreu na sessão seguinte ao anúncio do pedido de encerramento da recuperação judicial e da conclusão da venda da Uni.Co.

Em 12 meses, entretanto, os papéis ainda acumulam queda superior a 30%. O desempenho reflete tanto o otimismo com os passos de saída da recuperação quanto as incertezas que ainda cercam o setor varejista.

A empresa informou que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre o desenvolvimento do processo de encerramento. A expectativa é de que a Justiça analise o pedido nos próximos meses.

Detalhes do leilão e contestações apresentadas

A Solver Soluções Críticas tentou defender a validade de sua proposta mesmo com o envelope não lacrado. A companhia alegou que a falha não causava prejuízo ao processo e que sua oferta financeira era superior em termos de pagamento à vista.

A própria Americanas, em manifestação inicial, defendeu a continuidade da disputa para maximizar o retorno aos credores. A juíza, no entanto, manteve a desclassificação com base na necessidade de garantir igualdade de condições entre os participantes.

A homologação da venda para a Fan Store Entretenimento representa o desfecho de uma etapa importante dentro do plano de recuperação. A operação envolve a transferência integral das ações da Uni.Co sem ônus adicionais.

Situação atual da rede de lojas

A Americanas tem promovido ajustes na operação física ao longo dos últimos anos. Parte dessa estratégia incluiu o fechamento de unidades consideradas menos eficientes e a saída de alguns shoppings centers.

O modelo atual privilegia maior concentração em pontos de venda próprios e formatos mais compactos, como as lojas express. Essa mudança busca melhorar a rentabilidade em um ambiente de concorrência intensa no varejo brasileiro.

Os resultados operacionais do quarto trimestre reforçam a tendência de melhoria gradual nos indicadores, mesmo com o prejuízo ainda registrado. A companhia segue executando o plano homologado sem registro de novas pendências relevantes até o momento.

Próximos passos no processo judicial

O pedido de encerramento da recuperação judicial foi protocolado com base no cumprimento das obrigações com vencimento até dois anos após a homologação do plano. A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro agora deve analisar a documentação apresentada.

Caso deferido, o processo será encerrado, permitindo que a Americanas avance para uma nova fase de operação sem as restrições impostas pela recuperação. A empresa não detalhou prazos específicos para a decisão judicial.

A Americanas reforçou em comunicado que os administradores adotarão todas as medidas necessárias para concluir o encerramento de forma regular. O mercado acompanha de perto os desdobramentos dessa etapa.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração