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Crise com o Irã dispara petróleo a US$ 111 o barril e gasolina nos EUA atinge US$ 4,08

Barris de petroleo, bandeira do Irã
Foto: Barris de petroleo, bandeira do Irã - Tetiana Chernykova/shutterstock.com

Os preços do petróleo registraram uma escalada significativa nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, ameaçando impulsionar ainda mais o custo da gasolina para os consumidores. A alta ocorreu após a diminuição das esperanças de uma resolução rápida para o conflito com o Irã, subsequente a um pronunciamento do presidente Donald Trump à nação.

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio provocou reações imediatas nos mercados globais, com o petróleo bruto nos Estados Unidos superando a marca de US$ 111 por barril. Este aumento representa um salto de quase 12% desde a última quarta-feira, marcando o maior avanço diário em seis anos e acumulando uma alta de 94% no ano.

Simultaneamente, os mercados de ações apresentaram forte volatilidade, oscilando bruscamente em meio a notícias contraditórias sobre a situação no Oriente Médio. Enquanto investidores e analistas tentam decifrar os desdobramentos, a incerteza persiste sobre as consequências econômicas a longo prazo do conflito.

Escalada sem precedentes nos preços do petróleo

O cenário de instabilidade no Oriente Médio continua a ser o principal catalisador para a valorização do petróleo. O petróleo bruto dos EUA, que serve como um dos principais indicadores globais, não apenas ultrapassou a barreira dos US$ 111 por barril, mas também registrou um aumento diário notável. Essa elevação reflete a preocupação dos mercados com a oferta global em um contexto de tensão crescente.

A valorização é amplamente atribuída às tensões persistentes com o Irã e à percepção de um risco elevado de interrupção no fornecimento de petróleo. Investidores reagem a qualquer sinal de escalada ou prolongamento do conflito, buscando ativos de refúgio e elevando os preços da commodity. A resiliência desse aumento, mesmo diante da volatilidade do mercado acionário, sublinha a gravidade da situação.

O Brent, que é a referência internacional para o preço do petróleo e é amplamente utilizado na precificação de dois terços do petróleo mundial, também seguiu a tendência de alta. O barril de Brent ultrapassou os US$ 109, com um aumento acumulado de quase 80% no ano. Essa dupla valorização reforça a leitura de que o impacto da guerra não se restringe a uma única região, mas afeta a cadeia de suprimentos global de energia.

Repercussões diretas no mercado de combustíveis

A disparada nos preços do petróleo bruto globalmente tem um impacto direto e imediato nos custos dos combustíveis em diversos países, especialmente nos Estados Unidos. O custo médio nacional de um galão de gasolina sem chumbo atingiu a marca de US$ 4,08, conforme dados da AAA divulgados na quinta-feira. Este valor representa um aumento substancial em comparação com os US$ 2,98 por galão registrados antes do início da guerra.

Essa elevação no preço da gasolina afeta diretamente o orçamento das famílias e a logística das empresas, gerando preocupações com o poder de compra e a sustentabilidade de diversos setores econômicos. Além da gasolina, o diesel também viu seu preço subir consideravelmente, chegando a US$ 5,51 por galão. A alta no diesel é particularmente preocupante para as cadeias de transporte e distribuição, podendo gerar um efeito cascata nos preços de produtos e serviços.

Volatilidade no mercado de ações global

Os mercados acionários responderam à complexidade da situação geopolítica com intensa volatilidade. Os principais índices americanos, como o S&P 500, o Nasdaq Composite e o Dow Jones Industrial Average, sofreram quedas acentuadas no início do pregão, refletindo a apreensão dos investidores. Contudo, uma recuperação parcial foi observada no fechamento, impulsionada por notícias que injetaram um novo, ainda que cauteloso, otimismo. A notícia de que o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã havia afirmado que seu país delinearia um “novo regime de navegação” no Estreito de Ormuz após o fim do conflito, foi interpretada como um sinal de que uma solução para a importante via navegável poderia ser alcançada, amenizando parte das perdas iniciais. Ao final do dia, o S&P 500 encerrou com alta de 0,11%, o Nasdaq subiu 0,18%, enquanto o Dow Jones registrou queda de 61 pontos. O índice Russell 2000, que acompanha empresas de menor porte, teve um desempenho positivo, com alta de 0,7%.

O discurso de Donald Trump e as expectativas

Em seu discurso proferido na quarta-feira, o presidente Donald Trump buscou apaziguar a nação, declarando que a guerra terminaria “em breve”. No entanto, a mensagem foi acompanhada por uma promessa de realizar ataques adicionais “extremamente duros” contra o Irã nas próximas duas ou três semanas. Essa dicotomia nas declarações gerou incerteza e foi um dos fatores que contribuíram para a contínua elevação dos preços do petróleo.

O pronunciamento de Trump não ofereceu propostas concretas para um cessar-fogo imediato, tampouco apresentou um plano detalhado para a reabertura do Estreito de Ormuz. Essa via marítima é crucial, sendo responsável pela passagem de mais de 20% do suprimento mundial de petróleo. Apenas a afirmação de que o estreito “se abriria naturalmente” na Casa Branca e a ênfase de que a guerra continuaria até que os objetivos militares dos EUA fossem “plenamente alcançados” não foram suficientes para acalmar os mercados.

Impacto global e temores de inflação persistente

A alta nos preços da energia, impulsionada pelo conflito, tem reacendido os temores de uma inflação generalizada em nível global. Nos Estados Unidos, a negociação de títulos do governo americano permaneceu próxima ao ponto de equilíbrio, mas os rendimentos registraram uma leve queda. Observa-se que os rendimentos subiram significativamente, passando de cerca de 3,96% em 27 de fevereiro para aproximadamente 4,30% na quinta-feira, refletindo a percepção de risco.

O custo de financiamento imobiliário também foi afetado, com a taxa média de um financiamento de 30 anos com taxa fixa atingindo 6,41% na quinta-feira. Antes do início da guerra, essa taxa era de 5,99%, segundo o Mortgage News Daily. Esse aumento nas taxas de hipoteca pode desacelerar o mercado imobiliário e impactar o setor da construção civil.

Analistas do Bank of America projetaram que a inflação geral, medida pelo índice de despesas de consumo pessoal (PCE), que é o preferido pelo Federal Reserve, “disparará em breve”. A previsão indica que o PCE pode atingir um pico próximo a 4% neste trimestre, um aumento considerável em relação aos 2,8% registrados em janeiro, na sua atualização mais recente. Esse cenário sinaliza um ambiente econômico desafiador para os consumidores e formuladores de políticas monetárias.

Ainda no contexto da inflação, a zona do euro também apresentou um aumento significativo. Em março, a inflação na região disparou para 2,5%, em contraste com os 1,9% registrados em fevereiro. Esse dado sublinha que os impactos inflacionários da crise energética e geopolítica não se limitam apenas aos Estados Unidos, mas se estendem a outras grandes economias mundiais, exigindo atenção das autoridades monetárias globais.

Esforços internacionais e o Estreito de Ormuz

Diante da complexidade da situação, a comunidade internacional iniciou movimentos para buscar soluções diplomáticas e estratégicas. A ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, liderou uma videoconferência na quinta-feira, reunindo representantes de 35 nações. O objetivo principal da reunião era discutir estratégias para reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o comércio global de petróleo, que permanece sob tensão devido ao conflito.

Entre os participantes, estavam vários estados do Golfo Pérsico, diretamente impactados pela interrupção ou ameaça de interrupção do tráfego na região. Curiosamente, os Estados Unidos não participaram da reunião, conforme apurado pela agência Reuters. A ausência da maior economia do mundo e um dos principais atores do conflito pode ser vista como um fator que dificulta um consenso mais amplo sobre o futuro do estreito.

Durante a videoconferência, Cooper enfatizou que os combates precisariam cessar para que as nações não combatentes considerassem a mobilização de “nossas capacidades militares defensivas coletivas”. A declaração, reportada pela Sky News, parceira da NBC News, sugere que a segurança e a estabilidade na região são pré-requisitos fundamentais para qualquer ação coordenada visando a desobstrução e a retomada plena das atividades no estreito. A busca por uma solução é urgente, dada a dependência global do petróleo que transita por ali.

Perspectivas econômicas futuras

A incerteza sobre a duração e a intensidade da guerra com o Irã mantém os mercados em estado de alerta. A economia global enfrenta um período de desafios consideráveis, onde a inflação, os custos de energia e a volatilidade do mercado financeiro exigirão respostas coordenadas de governos e bancos centrais. Com os mercados dos EUA fechados na Sexta-feira Santa, a sessão de quinta-feira foi a última da semana para ações e futuros de ações, deixando o cenário em aberto para os próximos desdobramentos.