Ex-arquiteto Rex Heuermann admite matar oito vítimas em Long Island

Rex Heuermann

Rex Heuermann - Reprodução/YouTube

Rex Heuermann, ex-arquiteto de 62 anos, mudou seu plea na quarta-feira em audiência no Tribunal do Condado de Suffolk, em Riverhead, Nova York. Ele confessou ter assassinado sete mulheres cujos corpos foram encontrados ao longo de um período de 17 anos e admitiu ter causado intencionalmente a morte de uma oitava vítima, Karen Vergata, que desapareceu em 1996. Como parte do acordo, ele não será formalmente acusado pelo assassinato de Vergata.

As autoridades indicaram que Heuermann receberá três sentenças consecutivas de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, seguidas por quatro sentenças de 25 anos a prisão perpétua. A sentença está marcada para 17 de junho. Ele concordou ainda em cooperar com o FBI no âmbito do acordo judicial.

O caso ganhou repercussão nacional após a descoberta de restos humanos em Gilgo Beach, um pequeno bairro à beira-mar na costa sul de Long Island. Entre 2010 e 2011, investigadores recuperaram 11 conjuntos de restos humanos na área de Ocean Parkway, a maioria pertencente a trabalhadoras sexuais. As buscas foram desencadeadas pelo desaparecimento de Shannan Gilbert em maio de 2010, embora Heuermann não responda por essa morte.

Detalhes da confissão em tribunal

Rex Heuermann admitiu em corte ter se encontrado com as oito mulheres, estrangulado cada uma delas e descartado os corpos nos locais onde foram encontrados, incluindo Gilgo Beach, Manorville e Southampton. Ele utilizou telefones descartáveis para contatar as vítimas e os descartava após os crimes.

As sete mulheres pelas quais ele se declarou culpado são Maureen Brainard-Barnes, Melissa Barthelemy, Megan Waterman, Amber Costello, Jessica Taylor, Sandra Costilla e Valerie Mack. Seus corpos foram localizados em diferentes momentos ao longo dos anos, com algumas vítimas apresentando marcas de amarração com aniagem na cabeça, tronco e pernas.

  • Heuermann confessou ter oferecido dinheiro às vítimas antes dos encontros.
  • Ele admitiu ter usado o mesmo método de amarração para Barthelemy, Waterman e Costello.
  • As confissões ocorreram uma a uma durante a audiência de aproximadamente 30 minutos.

A ex-esposa de Heuermann, Asa Ellerup, e a filha do casal acompanharam a sessão sentadas na última fila da sala lotada. Ellerup dirigiu-se brevemente aos repórteres após a audiência, oferecendo condolências às famílias das vítimas e pedindo privacidade para o momento.

Reações das famílias e autoridades

Melissa Cann, irmã de Maureen Brainard-Barnes, declarou aos jornalistas que sente finalmente um alívio com o desfecho. Ela enfatizou que o dia não se trata da pessoa responsável, mas das vidas das mulheres que foram tiradas, de suas vozes, de seus futuros e de suas famílias. Cann ainda incentivou outras famílias em situações semelhantes a persistirem, afirmando que os entes queridos importam e não são esquecidos.

O promotor distrital do Condado de Suffolk, Raymond Tierney, conduziu coletiva de imprensa na academia de polícia do condado após a audiência. Tierney descreveu que Heuermann se apresentava como um pai comum do bairro, mas que suas ações visavam silenciar as vítimas permanentemente. Ele pediu desculpas às famílias pelo tempo transcorrido até a resolução e elogiou o trabalho das autoridades envolvidas.

  • Várias dezenas de familiares das vítimas, oficiais de polícia e jornalistas estiveram presentes na coletiva.
  • Tierney reforçou que o foco deve permanecer nas vítimas e em suas histórias.

O advogado de defesa Michael Brown comentou que a decisão de Heuermann trouxe um senso de alívio para o cliente. Brown indicou que Heuermann não detalhará os métodos dos crimes durante a audiência de sentença, mas poderá fazer alguma declaração em 17 de junho. O defensor mencionou conversas entre Heuermann e sua família sobre evitar o julgamento para poupar as famílias das vítimas e os próprios parentes do réu.

Investigação que levou à prisão

Heuermann vivia em Massapequa Park, subúrbio de classe média localizado a cerca de uma hora a leste de Manhattan. Ele foi preso em julho de 2023 em Midtown Manhattan, onde trabalhava, durante o horário de rush da tarde. A investigação utilizou evidências de DNA de uma crosta de pizza descartada em uma lixeira de Manhattan, registros de torres de celular e um Chevrolet Avalanche registrado em seu nome.

As autoridades reabriram o caso em 2022 e identificaram o veículo a partir de uma dica antiga relacionada ao desaparecimento de Amber Costello. Telefones descartáveis usados por Heuermann para contatar as vítimas registraram sinais em torres próximas à sua residência e ao local de trabalho em Manhattan. Ele foi inicialmente acusado pelas mortes de Melissa Barthelemy, Megan Waterman e Amber Costello, conhecidas como parte do grupo “Gilgo Four”.

Expansão das acusações ao longo dos anos

Em 2024, Heuermann enfrentou novas acusações pela morte de Maureen Brainard-Barnes, completando o quarteto de Gilgo Beach. Posteriormente, ele foi indiciado pelos assassinatos de Jessica Taylor, Sandra Costilla e Valerie Mack, cujos restos foram encontrados na via costeira ou em áreas próximas. As vítimas tinham idades entre 20 e 28 anos e a maioria trabalhava como acompanhantes.

As investigações indicam que os crimes ocorreram ao longo de quase duas décadas, com os primeiros casos remontando ao início dos anos 1990. As autoridades não acreditam que todos os 11 conjuntos de restos humanos descobertos estejam conectados a um único autor. Heuermann mantinha a aparência de um profissional comum, casado e pai de dois filhos adultos, enquanto a ex-esposa estava fora de casa nas noites dos crimes.

Contexto do caso em Long Island

Long Island, uma região suburbana extensa que se estende por cerca de 160 quilômetros a leste de Nova York, foi profundamente afetada pelos assassinatos. A descoberta dos corpos em 2010 e 2011 gerou atenção nacional e expôs vulnerabilidades enfrentadas por trabalhadoras sexuais na área. A investigação envolveu múltiplas agências e demorou anos para avançar devido à complexidade das evidências.

Heuermann foi preso após vigilância que o flagrou em Manhattan. Na época, o comissário de polícia do Condado de Suffolk descreveu o réu como um predador que arruinou famílias. O plea de culpa evita o julgamento marcado para setembro e encerra uma fase importante do processo, embora alguns advogados de famílias de vítimas tenham manifestado intenção de buscar mais informações caso os fatos completos não sejam apresentados.

Declarações finais das partes envolvidas

Eileen Coletti Edwards, filha de um vizinho que interagiu com Shannan Gilbert na noite de seu desaparecimento, esteve presente do lado de fora do tribunal. Ela expressou apoio às famílias das vítimas e comentou sobre o acompanhamento do caso desde o início. Familiares de outras vítimas também falaram com a imprensa, destacando a importância de manter o foco nas vidas interrompidas.

O acordo judicial permite que o processo avance para a sentença sem a necessidade de um julgamento prolongado. As autoridades continuam a investigar aspectos remanescentes do caso, incluindo possíveis conexões com outros restos humanos não atribuídos. Heuermann residia em uma casa comum no subúrbio e levava uma rotina aparentemente normal antes da prisão.

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