Donald Trump anuncia ataques fortes ao Irã e mira controle de infraestrutura petrolífera da ilha estratégica

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Donald Trump - Lucas Parker/ Shutterstock.com

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que as forças americanas atacarão o Irã com muita força ainda nesta noite e que Washington pretende assumir o controle da Ilha de Kharg e de outros pontos da infraestrutura petrolífera iraniana.

Trump escreveu na rede Truth Social que, em um futuro próximo, os EUA tomarão a ilha estratégica por onde passa a maior parte das exportações de petróleo do Irã e controlarão totalmente os mercados de petróleo e gás do país, repetindo o que fez na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro.

A declaração ocorre em meio a uma nova onda de hostilidades. Os EUA confirmaram ataques contra alvos iranianos por dois dias seguidos, incluindo radares, defesas antiaéreas e centros de controle próximos ao Estreito de Ormuz. O Irã respondeu com ações contra posições americanas na região.

Ataques a petroleiros civis geram protestos internacionais

As tensões subiram com o ataque americano ao petroleiro Jalveer, de bandeira de Guiné-Bissau, acusado de tentar furar o bloqueio a portos iranianos no Golfo de Omã. Três marinheiros indianos morreram em incidentes semelhantes nos últimos dias, incluindo o cargueiro Settebello.

A Índia convocou representantes americanos para um protesto formal e classificou as mortes como perda irreparável. A ação afetou trabalhadores de um país alheio ao conflito direto, o que ampliou a repercussão negativa.

Contexto da estratégia de Trump com a Venezuela

Ao citar a Venezuela como exemplo bem-sucedido, Trump se refere à influência americana no setor petrolífero após a mudança de poder em janeiro. No caso venezuelano, não houve apenas ação militar: a vice-presidente Delcy Rodríguez atuou como interlocutora, aceitando condições impostas por Washington para manter estabilidade.

Analistas observam que uma operação semelhante no Irã seria mais complexa. A Ilha de Kharg é um polo vital, mas uma tomada física envolveria riscos elevados de baixas americanas e exigiria recursos que os EUA teriam em estoques limitados de armas de longo alcance.

Hesitação e pressão por negociação

Em entrevista à Fox News, Trump demonstrou tom mais cauteloso, dizendo que o cenário é “uma loucura” e que prefere evitar infraestruturas civis para não fazer o povo sofrer. Ele reiterou a preferência pela Ilha de Kharg, mas questionou se os americanos teriam “estômago” para a operação.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, defendeu a abordagem como tática de negociação forte. Comandantes militares evitam detalhar planos futuros, mas o recado é claro: pressão máxima para forçar acordo.

Impacto na região e no mercado global

A escalada ameaça qualquer avanço em cessar-fogo. O Irã declarou o Estreito de Ormuz bloqueado até nova ordem, o que pode afetar o fluxo global de petróleo. China, Rússia, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão pediram contenção e retomada do diálogo.

O fechamento ou restrição no estreito teria efeito imediato nos preços do petróleo, já pressionados pela instabilidade. A Ilha de Kharg concentra cerca de 90% das exportações iranianas, tornando-a peça central em qualquer estratégia de estrangulamento econômico.

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