A mulher conhecida como rainha da cetamina foi sentenciada nesta quarta-feira a 15 anos de prisão federal. Jasveen Sangha, de 42 anos, admitiu fornecer a substância que contribuiu para a morte do ator Matthew Perry em outubro de 2023. A decisão ocorreu na corte federal de Los Angeles pela juíza Sherilyn Peace Garnett.
Perry, famoso pelo papel de Chandler Bing na série Friends, foi encontrado morto aos 54 anos em sua casa em Los Angeles. A autópsia apontou efeitos agudos da cetamina como causa principal, combinados com outros fatores que levaram ao afogamento na banheira de hidromassagem. As autoridades confirmaram que o ator lutava contra dependência química havia anos.
- Sangha operava um ponto de armazenamento e distribuição de drogas em sua residência em North Hollywood.
- Ela forneceu dezenas de frascos de cetamina por meio de intermediários ao ator.
- A traficante também admitiu envolvimento em outra morte por overdose em 2019.
Operação de distribuição de cetamina
Jasveen Sangha se declarou culpada em setembro de 2025 por cinco acusações federais relacionadas ao tráfico de drogas. Entre elas estavam distribuição de cetamina e manutenção de local usado para atividades ilícitas. Ela reconheceu ter repassado 51 frascos da substância a um intermediário que entregou o material ao assistente pessoal de Perry.
As investigações revelaram que Perry buscava doses maiores após tratamento médico prescrito para depressão e ansiedade. Quando a clínica negou o aumento, ele recorreu ao mercado ilegal. Sangha confessou saber que os frascos seriam destinados ao ator e que aplicou pelo menos três doses no dia da morte.
A juíza impôs uma pena superior à de outros envolvidos, incluindo dois médicos condenados anteriormente. Um deles recebeu dois anos e meio de prisão, enquanto o segundo cumpriu oito meses em prisão domiciliar com supervisão posterior. A sentença de Sangha inclui ainda três anos de liberdade condicional após o cumprimento da pena.
🚨A "Rainha da Cetamina" foi condenada a 15 anos de prisão em conexão com a morte do ator Matthew Perry.
— Vox Liberdade (@VoxLiberdade) April 8, 2026
Jayvee Sangha, de 42 anos, com dupla cidadania americana e britânica, admitiu administrar um "esconderijo" de narcóticos ilegais em North Hollywood.
Perry foi encontrado de… pic.twitter.com/NnV1DbyEmn
Detalhes do caso judicial
A traficante atuava de forma contínua na distribuição de cetamina na região de San Fernando Valley. Clientes a chamavam de rainha da cetamina devido ao volume e à regularidade das entregas. As autoridades destacaram a falta de remorso demonstrada em comunicações gravadas durante a custódia.
Sangha permanece detida desde a prisão em agosto de 2024. A defesa argumentou por pena equivalente ao tempo já cumprido, citando suposta reabilitação. Promotores, porém, enfatizaram a gravidade dos atos e o impacto na morte de pelo menos duas pessoas.
Dois outros réus, o intermediário Erik Fleming e o assistente Kenneth Iwamasa, ainda aguardam sentença marcada para este mês. O caso envolveu cinco pessoas no total, com foco na cadeia de fornecimento da substância até o ator.
Contexto do uso da substância pelo ator
Matthew Perry havia falado publicamente sobre seus problemas com dependência ao longo da carreira. Mesmo declarando sobriedade pouco antes da morte, ele mantinha tratamento com infusões de cetamina em clínica autorizada. A substância era usada para tratar depressão e ansiedade, mas gerou nova dependência.
O ator negou aumento de dose pelos médicos responsáveis e procurou fontes alternativas. As doses aplicadas por seu assistente no dia fatal vieram diretamente da cadeia abastecida por Sangha. A combinação com outros fatores comprometeu a consciência e levou ao afogamento.
As autoridades federais mapearam toda a rede de distribuição para esclarecer como a cetamina ilegal chegou ao ator. O processo judicial destacou responsabilidades individuais em cada etapa do fornecimento.
Sentenças de outros envolvidos
Salvador Plasencia, médico que administrava cetamina a Perry nos meses anteriores, foi condenado a dois anos e meio de prisão. Mark Chavez, outro médico, recebeu oito meses de prisão domiciliar e três anos de liberdade supervisionada. Ele vendeu a substância que depois chegou ao ator por meio de Plasencia.
O caso continua com as sentenças pendentes de Fleming e Iwamasa. A juíza buscou equilibrar as punições considerando o papel de cada um na cadeia que culminou na morte de Perry. Sangha recebeu a pena mais alta até o momento entre os condenados.
A investigação federal reuniu evidências de múltiplas transações e do conhecimento de Sangha sobre o destino final dos frascos. O processo reforçou a importância de combater o tráfico de substâncias controladas usadas fora de contextos médicos autorizados.
Impacto das investigações federais
As autoridades detalharam como Sangha mantinha o ponto de distribuição em North Hollywood para facilitar entregas rápidas. Ela admitiu comercializar a cetamina para pelo menos outra pessoa que faleceu por overdose horas após o consumo em 2019. Esse fato pesou na determinação da sentença.
O julgamento destacou a diferença entre uso médico supervisionado e aquisição ilegal de doses elevadas. Perry utilizava a cetamina inicialmente sob prescrição, mas o acesso irregular agravou o quadro. As condenações buscam desarticular redes semelhantes que operam na região de Los Angeles.
A sentença foi anunciada nesta quarta-feira em audiência federal. Sangha ouviu a decisão sem demonstrar reação imediata visível. O caso atraiu atenção internacional devido à fama de Matthew Perry e ao tema do abuso de substâncias entre celebridades.
A Justiça Federal dos Estados Unidos concluiu esta etapa do processo com a condenação da principal fornecedora. Outras fases envolvem os réus restantes e o monitoramento de liberdade condicional para os já sentenciados. As autoridades continuam a investigar possíveis ramificações do tráfico na área.
