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Príncipe Harry é processado por difamação pela entidade que fundou Sentebale

Principe Harry
Foto: Principe Harry - Foto: lev radin / Shutterstock.com

A organização Sentebale, fundada pelo príncipe Harry em 2006 junto com o príncipe Seeiso do Lesoto, moveu ação por difamação contra o duque de Sussex e Mark Dyer. O processo foi protocolado em 23 de março na High Court de Londres e alega que os réus orquestraram uma campanha coordenada na mídia que prejudicou a reputação da entidade, de sua liderança e de parceiros estratégicos. A entidade busca intervenção judicial, proteção e reparação pelos danos causados.

A Sentebale atua no apoio a jovens afetados pelo HIV e pela aids em países do sul da África, com foco em Botsuana e Lesoto. A ação judicial foi tornada pública nesta sexta-feira, 10 de abril, por meio de registros do tribunal e de comunicado oficial da organização.

  • A entidade afirma que a suposta campanha gerou impacto viral e provocou ataques de cyberbullying contra a instituição e seus dirigentes.
  • Os advogados da Sentebale identificaram Harry e Dyer como os principais articuladores dessas ações, segundo o texto da petição.
  • A organização alega ainda que a conduta resultou em disrupção operacional significativa.
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Principe Harry – Foto: Reprodução

Conflito interno levou a renúncia de Harry

O processo ocorre após o rompimento público entre o príncipe Harry e a direção da Sentebale no ano passado. O duque renunciou ao cargo de patrono da entidade após um desentendimento grave entre o conselho de curadores e a então presidente do conselho, Sophie Chandauka. O príncipe Seeiso também deixou o posto de patrono na mesma ocasião.

Os curadores perderam a confiança na liderança de Chandauka e pediram sua renúncia. A presidente recorreu à Justiça para bloquear a votação que poderia removê-la do cargo. Ela alegou na ocasião que buscava expor problemas de governança, gestão executiva fraca, abuso de poder, assédio e outras irregularidades internas.

A entidade passou por reestruturação do conselho após os eventos. O príncipe Harry e o príncipe Seeiso justificaram a saída afirmando que o colapso na relação entre curadores e presidente criou uma situação insustentável para a continuidade de seu envolvimento.

Reações das partes envolvidas

Representantes do príncipe Harry e de Mark Dyer rejeitaram categoricamente as acusações apresentadas pela Sentebale. Eles classificaram as alegações como ofensivas e danosas. Os defensores destacaram que a utilização de recursos da própria organização para financiar uma ação judicial contra seus fundadores e apoiadores de longa data causa estranheza.

A nota dos representantes afirma que Harry e Dyer dedicaram quase duas décadas ao desenvolvimento da entidade. Eles questionam a prioridade dada ao litígio em detrimento do direcionamento de fundos para as comunidades atendidas pela Sentebale na África.

A Sentebale, por sua vez, mantém que a medida judicial visa proteger a missão da organização e mitigar os efeitos negativos provocados pela campanha alegada. O comunicado do conselho de curadores e da diretoria executiva reforça a busca por restituição pelos prejuízos identificados.

Detalhes sobre a fundação da Sentebale

A entidade foi criada em 2006 em homenagem à princesa Diana, mãe de Harry. O objetivo principal sempre foi levantar recursos para auxiliar pessoas afetadas pelo HIV e pela aids, especialmente jovens no sul da África. A organização mantém sede em Londres, mas concentra suas ações em campo nos países onde atua.

Ao longo dos anos, a Sentebale desenvolveu programas de apoio psicológico, educacional e de saúde para crianças e adolescentes vulneráveis. O envolvimento inicial de Harry e Seeiso foi público e frequente, com participações em eventos e visitas às comunidades beneficiadas.

A renúncia de ambos os patronos representou um marco negativo na história da instituição. O episódio expôs divisões internas que agora chegam ao âmbito judicial com a ação por difamação.

Desdobramentos do caso judicial

O processo tramita na High Court de Londres sob a classificação de difamação, incluindo calúnia e injúria. Até o momento, não foram divulgados detalhes completos dos documentos além do registro inicial e do comunicado da entidade. A defesa de Harry e Dyer ainda não apresentou contestação pública detalhada além da rejeição inicial das acusações.

Especialistas em direito britânico acompanham o caso por envolver uma figura pública de alto perfil e uma organização sem fins lucrativos. A tramitação deve seguir os prazos processuais padrão para ações dessa natureza no sistema inglês.

A Sentebale continua operando seus programas na África enquanto o litígio avança. A entidade reforça o compromisso com sua missão original de apoio aos jovens afetados pelo HIV.

Posicionamento da organização após o anúncio

O conselho de curadores da Sentebale emitiu declaração oficial confirmando o início dos procedimentos legais. O texto enfatiza a necessidade de proteger a imagem e a operação da entidade diante do que descreve como ações prejudiciais externas.

A organização informa que a ação visa garantir a continuidade de seus projetos sem interferências que comprometam o trabalho em campo. Representantes destacam que a medida foi tomada após avaliação interna dos impactos observados nos últimos meses.

Controvérsia expõe tensões na gestão de entidades filantrópicas

O caso ilustra desafios comuns na administração de organizações internacionais que envolvem figuras públicas e conselhos locais. A Sentebale passou por mudanças significativas na governança após o conflito do ano passado, com ajustes no quadro de curadores.

Harry e Dyer, por meio de seus porta-vozes, reiteram que os recursos da entidade deveriam priorizar o atendimento direto às comunidades em vez de custear disputas judiciais contra seus idealizadores. A posição reforça a visão de que o foco deve permanecer nas ações sociais originais.

A High Court ainda não emitiu decisões preliminares sobre o caso. O andamento do processo dependerá da apresentação de evidências por ambas as partes nos próximos meses.