Ciência

Nasa divulga imagens de astronautas da Artemis II felizes no navio de resgate

Artemis - NASA
Foto: Artemis - NASA - Credit: NASA/Bill Ingalls

A cápsula Orion da missão Artemis II completou com sucesso o pouso no Oceano Pacífico na sexta-feira, 10 de abril de 2026. Equipes da Nasa e da Marinha dos Estados Unidos resgataram os quatro astronautas em segurança perto da costa de San Diego, na Califórnia. Um vídeo divulgado pela agência espacial capturou o momento de celebração dos tripulantes logo após o resgate, ainda a bordo do navio anfíbio USS John P. Murtha. A missão de dez dias marcou o retorno de humanos à vizinhança lunar após mais de 50 anos.

Os astronautas Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen apareceram no registro usando trajes de sobrevivência laranja. Eles estavam sentados em um helicóptero, rodeados por militares, enquanto aguardavam a transferência para exames médicos. Christina Koch acenou intensamente para a câmera ao perceber a gravação e fez gestos de agradecimento e vitória, batendo palmas com entusiasmo. Victor Glover e os demais acompanharam a comemoração de forma imediata.

  • A narradora do vídeo deu as boas-vindas com a frase “Olá, vocês dois. Bem-vindos de volta. Sejam muito, muito bem-vindos de volta em casa”.
  • O comandante Reid Wiseman relatou que todos os quatro tripulantes estavam estáveis e “verdes”, termo que indica boa condição de saúde.
  • A cápsula tocou o oceano às 21h07 pelo horário de Brasília, equivalente ao horário local da tarde na costa oeste americana.

Resgate e primeiros momentos no navio

O procedimento de recuperação ocorreu sem intercorrências. Equipes especializadas abriram a escotilha da cápsula Integrity e prestaram atendimento inicial dentro do veículo espacial. Os astronautas foram transferidos para barcos menores e, em seguida, para helicópteros que os levaram ao USS John P. Murtha. No navio, eles iniciaram o período de recuperação e passaram por avaliações médicas detalhadas antes de liberação para o retorno a Houston.

A operação contou com o apoio conjunto da Nasa e da Marinha americana. O navio anfíbio serviu como base principal para o resgate e os cuidados iniciais. Todos os tripulantes mantiveram boa saúde ao longo da jornada de aproximadamente 1,1 milhão de quilômetros percorridos.

Detalhes da missão que marcou o retorno à Lua

A Artemis II cumpriu o objetivo de voar ao redor da Lua sem pousar, testando os sistemas da Orion em ambiente lunar. A espaçonave alcançou a maior aproximação da superfície lunar em 50 anos, a cerca de 6,5 mil quilômetros. Os astronautas fotografaram e filmaram o lado oculto do satélite natural, registrando detalhes como crateras, contrastes de luz e sombra e até impactos de meteoritos.

Durante a passagem pelo lado oculto, ocorreu um blecaute de comunicações de aproximadamente 40 minutos. A tripulação observou fenômenos raros e celebrou a visão única do “pôr da Terra” no horizonte lunar. Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, participou como o primeiro astronauta canadense em uma missão lunar.

Desafios técnicos enfrentados pela tripulação

A missão enfrentou alguns contratempos, como um problema inicial com o banheiro da Orion, avaliado em 23 milhões de dólares. Christina Koch assumiu temporariamente a função de “encanador espacial” e a equipe resolveu a questão com equipamentos de backup. Os dejetos foram armazenados em sacolas semelhantes às usadas nas missões Apollo dos anos 1960 até a normalização do sistema.

A reentrada na atmosfera terrestre representou a fase mais crítica. A cápsula atingiu velocidades superiores a 40 mil km/h e temperaturas de até 3.000°C no escudo térmico. Um período de seis minutos sem comunicação ocorreu devido à formação de plasma ao redor do veículo. Engenheiros da Nasa confirmaram que ajustes realizados após a Artemis I evitaram problemas semelhantes no escudo térmico.

Reações e declarações da equipe

O chefe da Nasa destacou o retorno seguro dos astronautas e o simbolismo da missão para o programa espacial americano. A tripulação descreveu a visão da Terra e da Lua como transformadora. Koch comentou sobre a Lua como um corpo celeste com características próprias, diferente da imagem observada da Terra. Wiseman compartilhou imagens batizadas de “Olá, Mundo” capturadas pelas janelas da Orion.

Os astronautas relataram dificuldade para realizar tarefas simples, como almoçar, devido ao tempo passado colados às janelas observando o espaço. Eles também revisaram procedimentos e realizaram exercícios para mitigar efeitos da microgravidade.

Próximos passos do programa Artemis

A Nasa planeja a Artemis III para 2027, ainda sem pouso lunar. A Artemis IV, prevista para 2028, deve levar os primeiros astronautas à superfície lunar desde 1972. O programa busca estabelecer presença duradoura no satélite natural como preparação para futuras missões a Marte. A participação de agências parceiras, como a canadense, reforça o caráter internacional do esforço.

A missão Artemis II serviu como teste crucial para validar sistemas de vida, navegação e reentrada. Os dados coletados durante os dez dias em órbita lunar contribuirão para aprimoramentos nas próximas etapas do programa.

Importância histórica do voo tripulado

O voo encerrou um intervalo de mais de cinco décadas sem humanos viajando além da órbita terrestre baixa em direção à Lua. A Artemis II superou o recorde de distância percorrida por humanos no espaço, estabelecido anteriormente pela Apollo 13. Os tripulantes atuaram como embaixadores de suas nações e agências espaciais durante a jornada.

A celebração registrada no vídeo reflete o alívio e a satisfação após o cumprimento de todos os objetivos técnicos. Os quatro astronautas permaneceram em observação médica a bordo do USS John P. Murtha antes de seguir para avaliações mais completas em terra.

A cápsula Orion foi estabilizada após o pouso e preparada para transporte. Equipes técnicas iniciaram o processo de desativação de sistemas e análise dos dados de voo. O sucesso da missão abre caminho para avanços consistentes no retorno humano à Lua.