Amazon aciona justiça contra esquema de reembolso falso que gerou prejuízo de US$ 4 milhões em eletrônicos

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Amazon - Markus Mainka / Shutterstock.com

A Amazon moveu ação judicial nos Estados Unidos contra uma rede acusada de organizar um esquema de reembolso fraudulento. O grupo operava principalmente por meio de um canal no Telegram e teria causado prejuízo superior a US$ 4 milhões à empresa. Itens de alto valor, como laptops, placas de vídeo e drones, estavam entre os produtos envolvidos. A ação foi protocolada no dia 14 de abril de 2026 no tribunal federal de Seattle.

O processo detalha como o esquema permitia que usuários ficassem com a mercadoria e ainda recebessem o dinheiro de volta. A operação envolvia o chamado serviço de reembolso oferecido pela rede identificada como RBK. A varejista alega que o grupo explorava o sistema de confiança da Amazon para processar reembolsos sem a devolução dos itens.

Esquema funcionava com ajuda de dados de login e relatos falsos

Usuários interessados compravam o produto na Amazon. Depois, entregavam os dados de acesso ao grupo via Telegram. A rede então se passava pelo comprador e entrava em contato com o suporte da empresa. A alegação mais comum era que o pacote havia chegado vazio ou nunca fora entregue.

Em muitos casos, o grupo fornecia boletins de ocorrência falsos para dar mais peso à reclamação. Com isso, a Amazon emitia o reembolso mesmo sem a devolução do item. Em troca do serviço, a RBK cobrava comissão entre 15% e 30% do valor do pedido.

  • Clientes enviavam credenciais da conta Amazon ao grupo
  • Rede registrava reclamação no suporte alegando problema na entrega
  • Boletim de ocorrência falso era anexado em diversos casos
  • Reembolso era processado e cliente ficava com o produto
  • Comissão era paga ao grupo, muitas vezes em Bitcoin
  • Canal no Telegram reunia mais de 1.000 inscritos
  • Publicações incluíam mais de 2.100 depoimentos de usuários

A ação menciona que o canal no Telegram contava com mais de mil inscritos e reunia mais de 2.100 depoimentos de usuários que teriam obtido reembolsos fraudulentos. A atividade anunciada superava US$ 4 milhões desde fevereiro de 2023. A rede usava logotipos da Amazon em algumas postagens para transmitir aparência de legitimidade.

A operação se concentrava em eletrônicos caros. Placas de vídeo, laptops e drones aparecem com frequência nas descrições da ação. Um exemplo citado envolve duas placas PowerColor AMD Radeon RX 7900 XT, com valor superior a US$ 2 mil cada.

Amazon – Foto: bluestork / Shutterstock.com

Investigação interna da Amazon revelou detalhes da operação

A empresa realizou uma investigação própria para mapear o funcionamento do esquema. Um investigador se passou por cliente interessado no serviço. Ele comprou um PlayStation Portal no valor aproximado de US$ 199 mais impostos e pagou cerca de US$ 100 em Bitcoin ao grupo após a entrega do produto.

A RBK entrou em contato com o suporte da Amazon. Alegou que o item não havia sido recebido e apresentou um boletim de ocorrência falso. O reembolso foi concedido na sequência.

Material encontrado no canal do Telegram ajudou a identificar pistas. Um vídeo e uma imagem exibiam endereço e telefone de um suposto administrador. A partir daí, a Amazon rastreou endereços de IP associados ao Cazaquistão e ligou contas a outros casos de fraude.

Entre os itens mencionados na ação estão laptops, drones e placas de vídeo de última geração, como modelos AMD Radeon RX 7900 XT. A varejista identificou conexões entre as contas usadas no esquema e compras realizadas em diferentes períodos.

A investigação interna custou mais de US$ 75 mil à companhia. No processo, a Amazon pede o ressarcimento integral do valor fraudado, o pagamento dos custos da apuração e dos honorários advocatícios. A varejista ainda solicita que o tribunal determine medidas para impedir novas ações semelhantes.

Três nomes aparecem como réus principais no processo

A ação judicial cita três indivíduos como réus. Um deles é Dias Temirbekul Zhumaniyaz, residente em Kyzylorda, no Cazaquistão, apontado como principal administrador da RBK. Os outros dois são Michael Bauschelt, de Lakeside, na Califórnia, e Adnan Islam, de Astoria, em Nova York.

A Amazon também inclui até 20 pessoas não identificadas como possíveis participantes. A empresa afirma que o grupo atuava não só contra a Amazon, mas também contra outros varejistas em países como Estados Unidos, Canadá e na Europa.

A mesma informação de login ligada a Zhumaniyaz apareceu em contas associadas a fraudes com laptops Dell para jogos e um Apple MacBook Pro. Esses casos reforçam o padrão de uso repetido das credenciais.

A varejista sustenta que o esquema explora mecanismos de confiança do sistema de reembolso. Quando fraudes em escala crescem, as políticas de atendimento podem se tornar mais rigorosas para todos os clientes.

Produtos de alto valor eram alvo frequente do grupo

O esquema concentrava esforços em eletrônicos caros. A facilidade de obter reembolso sem devolução do item motivava o interesse dos usuários. O grupo usava logotipos da Amazon em algumas publicações para transmitir aparência de legitimidade, segundo a denúncia.

A operação se estendia por anos. A atividade documentada no Telegram começou pelo menos em 2023. A Amazon sustenta que o volume total de reembolsos fraudulentos promovidos pelo canal ultrapassou a marca de US$ 4 milhões.

A técnica envolvia engenharia social. A rede manipulava o suporte ao cliente com relatos consistentes e documentos falsos. O uso de Bitcoin para pagamento da comissão dificultava o rastreamento imediato.

A Amazon monitora ativamente grupos que promovem fraudes de reembolso. Casos anteriores já levaram a ações judiciais semelhantes e a colaborações com autoridades internacionais.

Ação busca recuperar prejuízo e bloquear a rede

Além da restituição financeira, a empresa pede ordem judicial para interromper as atividades da RBK. O objetivo é impedir que o grupo continue a oferecer o serviço em plataformas como o Telegram.

A ação foi protocolada no tribunal federal de Seattle. Até o momento, não há registro público de resposta dos réus citados.

A varejista reforça que o prejuízo vai além do valor dos itens. Há custos operacionais com investigações, atendimento ao cliente e ajustes em sistemas de verificação.

Detalhes técnicos do esquema e impacto na empresa

A rede RBK construiu uma reputação dentro do canal com depoimentos de usuários que serviam como propaganda para atrair novos interessados. Esses relatos mostravam reembolsos bem-sucedidos em produtos de valor elevado.

A Amazon detalha na ação como o grupo operava em múltiplos mercados. O foco em eletrônicos de alto valor aumentava o ganho por operação, tanto para os clientes quanto para a comissão cobrada pela rede.

A empresa destaca que o esquema afeta a confiança no sistema de compras online. Clientes honestos podem enfrentar verificações mais rigorosas no futuro se fraudes como essa se multiplicarem.

A investigação usou informações públicas do canal Telegram para avançar no rastreamento. Endereços de IP no Cazaquistão foram ligados diretamente a acessos em contas envolvidas nas fraudes.

No processo, a Amazon lista exemplos específicos de itens reembolsados de forma irregular. Dois laptops Dell para jogos adquiridos por Michael Bauschelt e um MacBook Pro por Adnan Islam aparecem como casos concretos.

A varejista busca não apenas o ressarcimento do valor fraudado, mas também uma medida cautelar que bloqueie a continuidade da operação. O documento de 41 páginas descreve o esquema de forma detalhada.

Como o golpe afetava o fluxo normal de atendimento

O suporte da Amazon processava as reclamações com base em relatos e documentos apresentados. A inclusão de boletins de ocorrência falsos acelerava a aprovação do reembolso em muitos casos.

A rede orientava os usuários a não devolverem os produtos e a manterem o sigilo sobre o serviço. O pagamento em criptomoeda completava o ciclo sem deixar rastro fácil em contas bancárias tradicionais.

A Amazon investiu recursos internos para mapear o canal e identificar conexões entre contas. O trabalho incluiu a simulação de uma compra real para testar o funcionamento do serviço.

A ação judicial representa mais um esforço da empresa para combater fraudes em escala. A varejista tem histórico de processos semelhantes contra grupos que exploram políticas de reembolso.