Tecnologia

Indianos estendem uso de smartphone para quatro anos em média

Celulares iPhones
Foto: Celulares iPhones - franz12/ Shutterstock.com

O custo médio de um smartphone no país passou de cerca de 17 mil rupias em 2021 para mais de 26 mil rupias agora. Parte dessa alta veio do aumento no preço de chips de memória, que dobrou em alguns casos nos últimos meses.

Fabricantes repassaram o custo extra. Modelos que antes custavam menos viram reajustes de até 40%. O resultado aparece direto no bolso do consumidor de classe média.

Muitos adiaram a compra. O que antes era troca planejada a cada 24 meses virou decisão adiada para depois de 36 ou 48 meses.

  • Aumento médio de preço em modelos populares ultrapassou 15% no primeiro trimestre
  • Segmento abaixo de 15 mil rupias sofreu o impacto mais forte
  • Ofertas de troca e parcelamento sem juros perderam força de atração

Mudança mais visível em cidades grandes

Em metrópoles, o comportamento ficou claro. Consumidores evitam aparelhos acima de 60 mil rupias. Eles preferem manter o modelo atual por mais tempo.

O alongamento do ciclo de uso se soma a outro fator. Várias marcas passaram a oferecer suporte de software por até sete anos em flagships. O hardware também ficou mais resistente.

Esses dois pontos juntos reduzem a pressão por novidade. O usuário sente que o aparelho ainda entrega desempenho aceitável por mais tempo.

Cidades menores mantêm demanda por premium

O quadro muda quando se olha para o interior. Em cidades de tier 2 e tier 3, a procura por modelos acima de 60 mil rupias cresceu.

Compradores nessas regiões usam parcelamento sem juros para levar aparelhos com recursos de inteligência artificial. A ideia é ficar com o dispositivo por vários anos sem precisar trocar.

Amazon India registrou esse movimento. Clientes buscam opções que durem mais. Eles evitam repetir a compra em curto prazo.

Samsung Galaxy, celular, caixa
Samsung Galaxy, celular, caixa – umitc/shutterstock.com

Reparos e mercado de usados ganham espaço

Com preços altos, muita gente optou por consertar o aparelho em vez de comprar novo. Pequenos reparos mantêm o telefone funcionando.

Esse hábito impulsionou o mercado de aparelhos recondicionados. Unidades certificadas e com garantia atraem quem quer recursos premium por valor menor.

A diferença de preço pode chegar a 50% em relação ao modelo novo. O volume de negócios nessa categoria subiu nos últimos seis meses.

Vendas totais do setor enfrentam pressão

O mercado indiano de smartphones perdeu fôlego. No primeiro trimestre de 2026, os embarques caíram 3% na comparação anual. Foi o pior início de ano em seis anos.

Projeções indicam que o volume total pode recuar ainda mais ao longo do ano. Estimativas apontam para queda de cerca de 10% em 2026. O número de unidades vendidas ficaria próximo de 140 milhões.

O segmento de entrada sofreu mais. Já o premium segurou melhor a demanda graças a recursos como inteligência artificial.

O alongamento do ciclo de substituição contribui para esse cenário. Com menos trocas, o volume geral de vendas diminui.

Analistas acompanham o comportamento dos consumidores. A combinação de preços elevados, atualizações de software mais longas e opções de usados mudou a dinâmica do setor.

O mercado que já foi o de crescimento mais rápido do mundo agora enfrenta ajuste estrutural. Consumidores calculam melhor o custo-benefício antes de decidir pela troca.

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