A Justiça acatou um pedido da Polícia Federal e converteu a prisão temporária de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e outros 31 investigados em prisão preventiva. A decisão significa que os acusados permanecerão detidos, apesar da expectativa inicial dos advogados de que fossem liberados nesta quinta-feira (23). O grupo é alvo de uma vasta investigação sobre um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão.
Prisão preventiva mantém investigados detidos por tempo indeterminado
A medida judicial de conversão das prisões temporárias em preventivas foi decretada após a Polícia Federal apresentar novos elementos decorrentes do avanço das investigações. A prisão preventiva, no sistema penal brasileiro, não possui prazo determinado, diferentemente da temporária, que é utilizada na fase de apuração com duração de cinco ou 30 dias, e pode ser renovada. Os advogados dos investigados haviam solicitado um habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na expectativa de soltura, mas a nova decisão judicial frustrou os planos. A permanência na prisão visa garantir a continuidade das apurações e evitar a interferência dos acusados no processo.
Ainda conforme o pedido da PF, a decisão visa resguardar a ordem pública e impedir a reincidência das atividades criminosas atribuídas ao grupo. A gravidade dos delitos investigados e o volume expressivo de recursos financeiros envolvidos foram fatores cruciais para a solicitação da conversão. A Polícia Federal tem trabalhado intensivamente na análise de provas coletadas, incluindo dispositivos eletrônicos, documentos e registros financeiros, que, segundo a corporação, fornecem indícios robustos da participação dos investigados no esquema.
Polícia Federal alega risco de continuidade criminosa e obstrução
A Polícia Federal argumentou que a prisão preventiva é indispensável para a manutenção da ordem pública, dada a dimensão e a complexidade do caso. O volume de recursos movimentados no esquema, que ultrapassa a casa do bilhão, demonstra a capacidade de organização e o alcance das atividades ilícitas. Além disso, a PF alertou sobre o risco iminente de continuidade das operações criminosas caso os investigados fossem soltos. Esse cenário poderia comprometer seriamente a integridade da investigação em curso.
Outro ponto levantado pela corporação foi a possibilidade de interferência nas investigações. A soltura dos acusados poderia facilitar a destruição de provas relevantes ou o alinhamento de versões entre os membros do grupo, dificultando a elucidação completa dos fatos. A necessidade de proteger o processo investigativo de manipulações externas é um dos pilares para a manutenção da prisão preventiva. As autoridades buscam assegurar que todas as etapas sejam cumpridas sem obstáculos, garantindo a justiça.
Esquema bilionário envolvia diversas práticas ilícitas
A investigação da Polícia Federal aponta que o grupo em questão, que inclui os famosos MCs, é suspeito de movimentar uma quantia impressionante de mais de R$ 1,6 bilhão. Esse valor teria sido gerado por meio de uma complexa rede de atividades ilegais e de lavagem de dinheiro, que utilizava diversas ferramentas e mecanismos para ocultar a origem ilícita dos fundos. Os investigados haviam sido presos temporariamente no dia 15 de abril em uma megaoperação da Polícia Federal, que desmantelou parte da estrutura do esquema.
As práticas criminosas identificadas pela investigação são variadas e sofisticadas, demonstrando um alto nível de planejamento e execução. A diversidade de métodos utilizados pelos envolvidos reforça a complexidade do caso e a necessidade de uma investigação aprofundada para desmantelar todas as ramificações.
- Bets ilegais e rifas clandestinas, que geravam lucros expressivos sem a devida regulamentação.
- Tráfico internacional de drogas, uma das fontes primárias de recursos ilícitos.
- Uso de empresas de fachada e “laranjas” para simular operações comerciais legítimas e ocultar a titularidade dos bens.
- Transações com criptomoedas, dificultando o rastreamento dos valores movimentados.
- Remessas ao exterior, com o objetivo de evadir recursos e lavá-los em outras jurisdições.
Família de MC Ryan aguardava soltura; STJ já havia visto ilegalidade em prisão temporária
A notícia da conversão das prisões temporárias em preventivas causou agitação na porta do Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, na Zona Leste de São Paulo. Família e amigos de MC Ryan SP estavam reunidos no local, aguardando ansiosamente uma possível soltura do cantor, o que gerou um princípio de confusão ao receberem a informação da nova decisão judicial. A expectativa era alta, considerando os desenvolvimentos recentes relacionados a outros investigados.
No contexto das prisões temporárias anteriores, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, havia concedido um habeas corpus em favor de Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305, que também faz parte da investigação. Naquela decisão, o ministro afirmou que a prisão temporária de Diogo deveria ter a duração máxima de cinco dias, e não de 30 dias, como havia sido determinado inicialmente pela Justiça Federal de Santos. O magistrado apontou uma “ilegalidade” na manutenção da prisão por um período superior ao solicitado pela Polícia Federal na fase inicial. Essa medida do STJ havia alimentado a esperança de liberação do trio de famosos, contudo, o novo pedido da PF para a conversão em prisão preventiva de 30 dias para os demais investigados alterou o cenário, consolidando a manutenção da custódia.

