O meio-campista Thiago Mendes, do Vasco, foi denunciado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva após questionar a atuação da arbitragem na Neo Química Arena. A decisão do tribunal, confirmada nesta segunda-feira (27), ocorre em função das declarações dadas pelo atleta logo após o revés vascaíno por 1 a 0 diante do Corinthians. Mendes criticou a postura do árbitro Davi de Oliveira Lacerda, sugerindo um favorecimento ao time da casa motivado pela pressão dos torcedores presentes no estádio.
A procuradoria do STJD também incluiu o Corinthians em múltiplas denúncias relativas a incidentes ocorridos durante o confronto válido pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. O clube paulista responderá por atos de indisciplina na arquibancada, falhas na organização do gramado e uma provocação exibida no sistema de vídeo da arena. O julgamento deve ocorrer nas próximas semanas e pode resultar em suspensões pesadas para os atletas e multas financeiras expressivas para a diretoria alvinegra.
Thiago Mendes enfrenta risco de suspensão por conduta ética
O volante vascaíno foi enquadrado no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de condutas contrárias à disciplina ou à ética esportiva. A fala que motivou o processo ocorreu na zona mista, onde o jogador afirmou que o árbitro teria “apitado para o time da casa”. Segundo a interpretação da procuradoria, tais declarações colocam em dúvida a integridade da competição sem apresentar provas concretas de irregularidade.
Caso seja condenado, a punição prevista varia de uma a seis partidas de suspensão oficial. O histórico recente do tribunal serve como parâmetro para a defesa do atleta, uma vez que casos parecidos envolvendo o goleiro Hugo Souza e o treinador Rogério Ceni resultaram na pena mínima de um jogo. O departamento jurídico do Vasco planeja sustentar que a fala foi um desabafo emocional após uma partida tensa, sem a intenção de macular a imagem da arbitragem brasileira.
André e incidentes com a torcida entram na pauta do tribunal
O jovem atacante André, do Corinthians, também terá que prestar contas ao tribunal desportivo por causa de sua expulsão no segundo tempo do clássico. O atleta recebeu o cartão vermelho direto após uma entrada considerada dura no próprio Thiago Mendes, sendo denunciado no artigo 254 por jogada violenta. Assim como o volante adversário, o corintiano pode ser afastado por até seis jogos, com o STJD utilizando uma punição aplicada ao meia Carrascal, do Flamengo, como base de comparação para o rigor do lance.
A situação do clube mandante é agravada por registros feitos na súmula da partida sobre o comportamento dos espectadores. Um torcedor foi identificado após cuspir na equipe de arbitragem enquanto os juízes deixavam o gramado em direção aos vestiários. Este fato gerou uma denúncia que prevê multas entre R$ 100 e R$ 100 mil, dependendo da avaliação dos auditores sobre as medidas preventivas tomadas pelo clube para evitar o ocorrido.
Falta de bolas e provocação no telão geram novas denúncias
Um dos pontos mais curiosos da denúncia diz respeito ao sumiço das bolas nos suportes localizados atrás do gol defendido pelo Corinthians. Durante o período em que o Timão atuava com um jogador a menos, a arbitragem relatou a dificuldade de reiniciar o jogo rapidamente devido à ausência do equipamento obrigatório. O clube foi enquadrado no artigo 191, que pune o descumprimento de obrigações regulamentares da competição, com risco de nova sanção financeira pesada.
- Thiago Mendes (Vasco): Denunciado no Artigo 258 (ética desportiva).
- André (Corinthians): Denunciado no Artigo 254 (jogada violenta).
- Corinthians: Denunciado por falta de reposição de bolas no 2º tempo.
- Corinthians: Denunciado por cusparada de torcedor em árbitros.
- Corinthians: Denunciado por exibir “Itaquera virou baile” no painel.
A última acusação contra o Alvinegro envolve a exibição da frase “Itaquera virou baile” no sistema interno do estádio. Mesmo sem o registro formal na súmula de Davi de Oliveira Lacerda, o tribunal decidiu agir de ofício após a repercussão das imagens da provocação. A procuradoria entende que a mensagem incita a hostilidade e fere o princípio de fair play esperado entre as instituições. Os representantes jurídicos do Corinthians devem argumentar que a frase faz parte do entretenimento da arena e não teve o objetivo de desrespeitar a delegação do Vasco.
