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Executivo da GWM aponta barreiras comerciais como freio ao avanço chinês nos EUA

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Foto: GWM - Roman Zaiets/shutterstock.com

O chairman da GWM, Jack Wey, afirmou em entrevista que as principais montadoras norte-americanas dependem de proteções comerciais para competir com fabricantes chinesas. A declaração foi feita durante o Salão do Automóvel de Pequim, em análise sobre a estratégia global das marcas asiáticas.

Wey foi direto: sem barreiras alfandegárias e restrições burocráticas, as três principais montadoras dos EUA não resistiriam à competição chinesa. O executivo ressaltou que tributos massivos e exigências administrativas funcionam como escudos contra o avanço das fabricantes do país asiático.

Estados Unidos lidera defesa comercial contra importações chinesas

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Os Estados Unidos aplicam uma taxa de 25% sobre picapes chinesas devido à historicamente chamada Taxa do Frango. Com a guerra tarifária recente, esse percentual saltou para 50%, tornando praticamente inviável a comercialização de carros chineses no mercado americano. O Canadá adotou postura similar, com medidas restritivas próprias.

Além da tributação, há obstáculos burocráticos que desencorajam a entrada de marcas chinesas. Homologar um motor nos EUA leva em média três anos — tempo suficiente para inviabilizar qualquer tentativa de expansão. A combinação de tarifas altas e processos morosos cria um cenário pouco atrativo para investidores asiáticos.

A Europa também se protege, porém com abordagem diferente. Os impostos variam entre 23% e 30% conforme o país. No México, as barreiras são mais brandas, permitindo maior permeabilidade às importações chinesas. Wey notou que a intensidade da defesa varia conforme o bloco econômico.

Brasil emerge como alternativa estratégica para expansão

Diante das restrições nos mercados desenvolvidos, a indústria chinesa volta seus olhos para economias emergentes. O Brasil se posiciona como destino prioritário para a GWM e outras fabricantes asiáticas. A razão é simples: o país oferece mercado interno robusto combinado com incentivos para produção local.

A GWM já mantém uma planta em Iracemápolis, São Paulo, e prepara a construção de uma segunda fábrica em Aracruz, Espírito Santo. Embora a oficialização ainda dependa de aprovações, o governo capixaba já negocia os detalhes em contexto eleitoral. A estratégia chinesa é clara — instalar fábricas que gerem empregos locais e movimentem a economia regional.

Wey explicou que ter produção local é essencial para a permanência das marcas no Brasil. Importar carros não garante competitividade de longo prazo. A solução passa por criar uma cadeia de fornecedores nacional, ampliar a base de peças fabricadas no país e desenvolver expertise de mercado. O Brasil, segundo o executivo, é um país-chave da região com grande base industrial e potencial de absorção — requisitos que China reconhece e explora.

Outras marcas chinesas aceleram instalação de fábricas brasileiras

A GWM não é a única apostando no Brasil. BYD já opera uma fábrica em Camaçari, Bahia. A GAC fechou parceria com a HPE Motors para produzir em Catalão, Goiás. A Leapmotor montará carros na unidade da Stellantis em Goiana, Pernambuco. A Geely adquiriu participação na fábrica de São José dos Pinhais, Paraná, para produzir seus modelos.

A Omoda & Jaecoo deverá assumir a instalação da Jaguar Land Rover em Itatiaia, Rio de Janeiro, que permanecia subutilizada. Esse cenário mostra movimento coordenado das marcas chinesas em direção à base industrial brasileira:

  • BYD em Camaçari (BA)
  • GAC em Catalão (GO)
  • Leapmotor em Goiana (PE)
  • Geely em São José dos Pinhais (PR)
  • Omoda & Jaecoo em Itatiaia (RJ)
  • GWM em Iracemápolis (SP) e Aracruz (ES)

Contexto global da indústria automotiva chinesa

A China possui mais de 100 marcas automotivas e capacidade instalada para produzir 55 milhões de veículos anuais. O mercado interno absorve aproximadamente 35 milhões de unidades, deixando cerca de 20 milhões de carros sem destinação. Essa sobrecapacidade força as fabricantes a buscar mercados externos agressivamente.

A estratégia é simples — exportar ao máximo. Porém, o avanço chinês desestabiliza a indústria global. Cada mercado se defende conforme suas possibilidades: através de tarifas, restrições burocráticas ou requisitos técnicos. É um cenário de protecionismo crescente onde as armas variam conforme a região.

Os Estados Unidos optaram pela trincheira mais funda. O Brasil escolheu caminho distinto — não fechou as portas, mas exigiu contrapartidas. Em troca de acesso ao mercado, as fabricantes chinesas precisam construir fábricas, gerar empregos e fortalecer a cadeia de fornecimento local. É uma estratégia que atrai investimento sem entregar o mercado inteiro às importações.

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