Fernando Alonso vai completar 45 anos em julho e ainda se vê na Fórmula 1. Durante o Grande Prêmio Histórico de Mônaco, realizado no sábado (25), o piloto da Aston Martin declarou esperar que a temporada de 2026 não seja sua última na categoria. Seu contrato se encerra no fim deste ano, mas o espanhol deixou claro que a decisão sobre aposentadoria não está tomada.
“Eu amo o que eu faço, amo as corridas”, afirmou Alonso. “Passei 41 anos da minha vida atrás de um volante. No momento em que eu tiver que parar de correr, vai ser uma decisão muito dura e difícil de aceitar.” O piloto completou que se sente competitivo, motivado e feliz quando dirige, e que deixará o futuro para o tempo decidir.
Esperança condicionada ao desempenho do carro
A permanência de Alonso depende diretamente da evolução técnica da Aston Martin. No ano passado, o veterano já havia sinalizado que uma mudança de cenário poderia alterar seus planos. Caso tivesse um monoposto competitivo em 2026, a chance de parar em alta seria maior. Porém, um carro problemático tornaria difícil “desistir sem tentar de novo”.
As esperanças em torno do time de Silverstone eram altas para esta temporada. A equipe tinha investimento robusto em estrutura, fez a transição para o motor Honda e contratou Adrian Newey, projetista multicampeão que trabalhou em Red Bull e Ferrari. Alonso e Lance Stroll, porém, enfrentaram problemas desde a pré-temporada.
Os testes no Bahrein revelaram um carro não apenas lento comparado aos rivais, mas também propenso a avarias. Ambos os pilotos sofreram quebras durante os preparativos, e a equipe encerrou o último dia de testes quase três horas antes do planejado. O desempenho em pista confirmou as preocupações.
Vibração do motor afeta a estrutura do monoposto
O problema mais crítico envolve a vibração provocada pelo motor de combustão. Adrian Newey revelou em entrevista coletiva que o tremor é capaz de afetar até mesmo os nervos das mãos dos pilotos. Esse mesmo tremor danifica outras peças do monoposto, especialmente a bateria, reduzindo confiabilidade e performance.
Somado à vibração, a Aston Martin também carrega um chassis inferior ao das demais escuderias, resultado de escolhas de design que não se mostraram competitivas diante da concorrência. A combinação desses fatores explica os resultados frustrantes:
- Em três corridas disputadas, Alonso completou apenas o GP do Japão, terminando em 18º
- Lance Stroll ainda não conseguiu terminar uma etapa sequer
- O monoposto mostra-se frágil e pouco confiável nas demandas da competição
- Déficit aerodinâmico em relação aos principais concorrentes
- Falta de sintonia entre motor e chassis nos ajustes de setup
Histórico recente do piloto
O último pódio de Alonso aconteceu no GP de São Paulo de 2023, há quase três anos. Sua última vitória remonta a 2013, no GP da Espanha – um hiato de treze anos sem vencer uma corrida. Aos 44 anos, o bicampeão mundial já vivencia a fase mais desafiadora de sua carreira.
Alonso passou 41 anos competindo desde os três anos de idade. Essa dedicação praticamente vitalícia ao automobilismo moldou sua identidade e senso de propósito. Deixar a Fórmula 1 representa, para ele, encerrar um capítulo que consome boa parte de sua existência desde a infância.
Quando entrevistado em Mônaco, o piloto deixou transparecer que a decisão sobre seu futuro não será apenas técnica, mas profundamente emocional. “O tempo vai dizer, eu vou sentir. No momento, eu ainda não sinto que é hora”, explicou.
Perspectivas para recuperação técnica
A Aston Martin espera reverter o desempenho atual a médio e longo prazo. Adrian Newey, conhecedor de soluções aerodinâmicas complexas, trabalha para melhorar o pacote do AMR26. Porém, o tempo é escasso: a temporada já começou mal, e mudanças significativas em motor e chassis levam semanas ou meses.
Se a equipe conseguir resolver os problemas de vibração com o propulsor Honda e aprimorar a estrutura do carro, Alonso poderia voltar a brigar por pódios antes do fim do ano. Nesse cenário, a possibilidade de renovação contratual ganharia força.
Por outro lado, se a situação se deteriorar, o espanhol poderia priorizar uma aposentadoria digna em vez de estender um contrato em um projeto fragilizado. A prioridade de Alonso é competir em alto nível, não apenas participar.
Momento de verdade se aproxima
Os próximos Grandes Prêmios serão cruciais. Alonso e a Aston Martin precisam demonstrar evolução rápida para justificar otimismo sobre 2026. Até agora, o desempenho insatisfatório alimenta dúvidas sobre a viabilidade de um projeto que prometia tanto.
O piloto deixou claro que ainda sente energia, motivação e alegria ao volante. Essa é a verdade que importa para sua decisão. Não será a idade que determinará seu futuro, mas sim a capacidade do carro e da equipe em lhe oferecer condições de competição honesta.
Alonso voltará aos testes e às próximas corridas como sempre fez: buscando o máximo de um carro que ainda tem muito a evoluir. Seu futuro na Fórmula 1 será escrito nos próximos meses.

