Um foguete Falcon Heavy da SpaceX decolou da Flórida na quarta-feira em um lançamento que marcou o retorno do propulsor mais potente da empresa após uma pausa de meses. A missão colocou em órbita o terceiro satélite de internet ViaSat-3, parte de uma frota global de estações retransmissoras de banda larga de alta velocidade. O voo também demonstrou a precisão da empresa ao recuperar dois de seus propulsores laterais em pousos simultâneos em plataformas separadas.
O lançamento ocorreu às 10h13 EDT da histórica plataforma 39A no Centro Espacial Kennedy. Impulsionado por 27 motores Merlin distribuídos em três foguetes auxiliares do primeiro estágio, o Falcon Heavy rugiu da Flórida oferecendo um espetáculo deslumbrante para moradores e turistas da Costa Espacial. Dois minutos e 25 segundos após a decolagem, os propulsores laterais se separaram e retornaram a Cabo Canaveral. O estágio central, em seu primeiro e único voo, queimou todo o seu combustível conforme planejado e caiu no Oceano Atlântico.
Recuperação de propulsores marca precisão operacional
Os dois propulsores laterais do foguete Heavy, ambos veteranos de voos anteriores, realizaram pousos precisos em sequência na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral. A recuperação simultânea dos propulsores anunciou-se pelos estrondos sônicos concorrentes que ecoaram pela região. Câmeras apontadas para baixo nos propulsores capturaram imagens dos foguetes momentos antes do pouso, enquanto as imagens inferiores mostravam cada um visto do solo.
Este foi o 12º voo de um foguete Falcon Heavy desde o lançamento inaugural do propulsor em 2018. O último voo havia ocorrido em outubro de 2024, quando a SpaceX enviou a sonda Europa da NASA rumo a Júpiter. A empresa tem consistentemente demonstrado sua capacidade de recuperar e reutilizar os propulsores laterais, reduzindo significativamente os custos operacionais de seus lançamentos.
Satélite ViaSat-3 em órbita geossíncrona
Foram necessárias três ignições do motor do estágio superior para posicionar o satélite ViaSat-3 Flight 3 em uma órbita elíptica. A propulsão a bordo da estação retransmissora colocará a espaçonave em uma órbita circular geossíncrona a 35.888 quilômetros (22.300 milhas) acima do equador. Uma vez totalmente operacional, o satélite fornecerá acesso à internet para clientes em toda a Ásia e na região do Oceano Pacífico.
Os poderosos satélites ViaSat estão equipados com enormes painéis solares que geram 25 quilowatts de energia. Capazes de processar até 1 terabyte de dados por segundo, eles incorporam a maior antena parabólica jamais lançada em um satélite comercial. O enorme refletor se desdobrará sobre uma haste telescópica de 24 a 27 metros de comprimento, baseada em tecnologia desenvolvida para o Telescópio Espacial James Webb e construída por uma divisão da Northrop Grumman.
Estratégia diferente de conectividade global
A ViaSat adota uma abordagem diferente da concorrência ao posicionar satélites maiores e mais sofisticados em órbita geossíncrona. Diferentemente dos satélites em órbita baixa, que giram e se movem constantemente, os satélites geossíncronos giram em sincronia com o planeta abaixo, parecendo estacionários no céu. Isso permite que a ViaSat forneça acesso global à internet via satélite em escala hemisférica com infraestrutura mais reduzida.
Em contraste, a SpaceX está construindo ativamente uma constelação de satélites Starlink em órbita baixa da Terra. Essa abordagem fornece acesso à internet roteando dados de usuários para satélites que passam sobre suas cabeças, que retransmitem os sinais para estações terrestres. Até o momento, a empresa lançou quase 12.000 satélites Starlink em cerca de 400 lançamentos ao longo dos últimos sete anos.
A Blue Origin também está construindo uma constelação planejada de cerca de 3.200 satélites de banda larga em órbita baixa, com 270 já lançados. Os satélites da Amazon eventualmente competirão diretamente com os Starlinks da SpaceX. Essa proliferação de sistemas de satélite marca uma transformação fundamental no setor de telecomunicações global.
Histórico de desafios e sucesso do programa
O primeiro satélite ViaSat-3 foi lançado em maio de 2023, mas enfrentou um problema técnico crítico. A antena não se desdobrou corretamente, e a espaçonave conseguiu atingir apenas cerca de 10% de sua capacidade projetada de 1 terabyte de processamento por segundo. Um segundo satélite ViaSat-3 foi lançado a bordo de um foguete Atlas 5 da United Launch Alliance em novembro do ano passado para fornecer serviço em toda a América.
A ViaSat, com sede na Califórnia, construiu o equipamento de comunicação da estação retransmissora. A Boeing forneceu o satélite que transporta o equipamento. O primeiro satélite ViaSat será posicionado em órbita, permitindo cobertura limitada da Europa e da África. Essa distribuição estratégica de três satélites geossíncronos posicionará a frota para cobrir praticamente todas as regiões terrestres.
Dave Abrahamian, vice-presidente de Sistemas de Satélite da ViaSat, refletiu sobre o programa em declarações ao Spaceflight Now. “É como se fosse o fim de uma era. Estamos trabalhando neste programa há mais de 10 anos”, afirmou. “Então, já se passou uma boa parte da vida útil do programa.”
Transformação do mercado de internet por satélite
Abrahamian observou que o mundo mudou significativamente desde o início do programa ViaSat-3. “Naquela época, tínhamos apenas alguns satélites em órbita. Desde então, lançamos os dois ViaSat-3, fizemos a fusão com a Inmarsat e já temos o terceiro pronto para ser lançado”, disse. “É um mundo completamente diferente, uma sensação diferente, e é muito legal ter feito parte de tudo isso.”
O setor de comunicações por satélite enfrenta agora uma competição intensa entre diferentes tecnologias e provedores. Enquanto a SpaceX domina o segmento de órbita baixa com o Starlink, a ViaSat oferece uma alternativa baseada em satélites geossíncronos mais potentes. Essa diversidade de abordagens beneficia consumidores e empresas buscando conectividade em regiões remotas e de difícil acesso.
O lançamento bem-sucedido do ViaSat-3 Flight 3 consolida a posição da ViaSat como fornecedor global de internet por satélite e demonstra a confiabilidade do foguete Falcon Heavy como meio de colocar cargas pesadas em órbita alta.

