Novas regras da F1 2026 recebem aval positivo de Bortoleto, mas largada preocupa piloto da Audi

Gabriel Bortoleto

Gabriel Bortoleto - Motorsport Photography F1/ shutterstock.com

A Fórmula 1 anunciou na última segunda-feira, dia 20 de abril, importantes mudanças em seu regulamento para a temporada de 2026. As alterações visam atender às crescentes queixas dos pilotos relacionadas à classificação, gestão de energia e segurança nas pistas. O piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, da equipe Audi, que já teve contato com as novas diretrizes no simulador, avalia as modificações como um “passo na direção certa” para a categoria.

As medidas implementadas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) chegam em um momento de forte debate sobre a dinâmica das corridas e a experiência dos competidores. Pilotos como Max Verstappen chegaram a classificar os carros atuais como “anticorrida”, demonstrando o nível de insatisfação. A expectativa é que as regras revisadas ajudem a mitigar os problemas de gerenciamento de bateria e a promover disputas mais naturais.

Gerenciamento de energia sob nova ótica

O gerenciamento de energia tem sido um dos pontos mais criticados pelos pilotos nesta temporada, gerando a necessidade de estratégias complexas para carregar a bateria dos monopostos. Gabriel Bortoleto, em entrevista, confirmou que as primeiras impressões das novas regras no simulador foram encorajadoras. “A FIA tomou algumas atitudes pensando no que os pilotos pediram nessas primeiras etapas. A gente sabe que tem muita novidade nesse regulamento, então eles estão tentando fazer de uma maneira que a classificação, principalmente, seja um pouco mais natural”, explicou o piloto da Audi.

O excesso de gerenciamento de energia impactou tanto as classificações quanto as corridas, forçando os competidores a adotarem técnicas que comprometem a fluidez e a velocidade. As mudanças buscam reduzir a frequência com que os pilotos precisam “guardar” energia. O problema da recarga insuficiente da bateria levou ao uso de duas táticas principais para aumentar a carga:

  • Lift and coast: Consiste em tirar o pé do acelerador antes do ponto de frenagem previsto nas retas, aproveitando a desaceleração para gerar energia.
  • Superclipping: Permite que a bateria continue carregando mesmo quando o piloto está com o pedal do acelerador totalmente pressionado, buscando otimizar a recuperação de energia em trechos de aceleração máxima.

Essas práticas, embora necessárias nas regras anteriores, resultaram em grandes diferenças de velocidade em trechos pouco usuais da pista, levantando preocupações com a segurança. Um exemplo disso foi o forte acidente envolvendo Oliver Bearman no Grande Prêmio do Japão, incidente que sublinhou a urgência de ajustes no regulamento. Bortoleto, contudo, demonstra confiança de que as novas diretrizes foram um acerto. “Obviamente, só vou saber falar se funcionou quando estiver na pista em Miami. Até agora, não testei o carro com o regulamento novo, mas no simulador, pelo menos, tem funcionado. Tem sido um passo na direção certa, na minha opinião”, finalizou o piloto.

Desafios da Audi nos inícios de corrida

Além das questões de gerenciamento de energia, a Federação Internacional de Automobilismo também propôs alterações relacionadas às largadas. A principal modificação prevê a implementação de um novo sistema capaz de identificar carros com aceleração “anormalmente baixa” na pista. Esse sistema emitirá avisos aos demais competidores sobre o problema, visando aumentar a segurança e a fluidez nos primeiros momentos das provas.

Os inícios de corrida têm sido um dos principais pontos de dificuldade para a equipe Audi nesta temporada. Em um levantamento das quatro primeiras provas do ano, que incluem as três etapas principais e a corrida sprint na China, Gabriel Bortoleto e seu companheiro de equipe, Nico Hulkenberg, perderam um total somado de 23 posições em largadas. Desse número, 19 posições foram desperdiçadas pelo piloto alemão, evidenciando uma fragilidade inicial do time. A situação levou a um intenso trabalho de análise e desenvolvimento por parte da escuderia.

No entanto, Gabriel Bortoleto ressaltou que, mesmo com as mudanças da FIA para as largadas, a Audi não espera ser beneficiada diretamente por essas alterações. Segundo o brasileiro, os problemas enfrentados pela equipe não estão relacionados a carros “morrendo” na largada, mas sim a outros aspectos que precisam ser solucionados internamente. “Eu não acho que a gente vai ser beneficiado se ocorrer alguma mudança nas regras, até porque a gente não tem sofrido nenhum problema de deixar o carro morrer na largada. A gente tem sofrido alguns outros problemas que não têm nada a ver com isso”, explicou Bortoleto.

A equipe tem se dedicado intensamente para resolver esses desafios específicos. “É algo que a gente sabe desde o primeiro teste em Barcelona, que é algo em que a gente vai sofrer um pouquinho. Mas a gente tem trabalhado para solucionar isso e acho que temos ido na direção correta, teve um mês de trabalho no simulador, no dinamômetro”, detalhou o piloto. O foco da Audi durante o mês sem corridas foi estudar outras equipes e entender o que pode ser aprimorado em seu desempenho nas largadas.

Primeira prova das regras ocorrerá em Miami

As novas regras, que ainda serão testadas e avaliadas antes de sua entrada em vigor definitiva, terão sua primeira prova prática no Grande Prêmio de Miami. A etapa, que integra o calendário da Fórmula 1, está agendada para o próximo domingo, 3 de maio. Este evento será crucial para a FIA e as equipes coletarem dados reais sobre o impacto das alterações.

Os fãs de automobilismo poderão acompanhar o desenvolvimento dessa importante etapa e a performance das novas regras. A corrida em Miami terá transmissão ao vivo pelo sportv 3, com cobertura completa em tempo real disponível no portal ge.globo. A expectativa é alta para ver como as modificações se traduzirão na pista e se elas realmente trarão a experiência de corrida mais dinâmica e segura prometida pela categoria.