Atlético-MG perde na altitude de Cusco para o Cienciano e chega pressionado para o clássico mineiro com o Cruzeiro no Mineirão

Estádio do Mineirão em Belo Horizonte MG

Estádio do Mineirão em Belo Horizonte MG - Alexandre Siqueira/ Shutterstock.com

O Atlético-MG sofreu sua segunda derrota consecutiva na temporada ao perder para o Cienciano por 1 a 0, em Cusco, no Peru. A partida, válida pela terceira rodada do Grupo B da Conmebol Sul-Americana, ocorreu na noite desta quarta-feira sob os efeitos da altitude de 3.400 metros. O resultado deixa o time mineiro em situação delicada na competição continental, ocupando a lanterna da chave.

A equipe entrou em campo com uma formação reserva, poupando titulares após a goleada sofrida para o Flamengo no fim de semana. O desempenho apático do primeiro tempo permitiu que os donos da casa dominassem as ações ofensivas desde o início. Bandiera marcou o único gol do confronto aos 29 minutos da etapa inicial, após assistência de Robles. Com a vitória, o Cienciano se isolou na liderança do grupo com sete pontos conquistados.

Domínio peruano e dificuldades na altitude de Cusco

O time mineiro demonstrou dificuldades claras de adaptação ao ar rarefeito nos primeiros minutos de jogo. A apatia vista no último compromisso pelo Campeonato Brasileiro parecia persistir em solo peruano, facilitando a marcação alta do adversário. O Cienciano ocupava o campo de ataque com facilidade, embora falhasse no último passe durante o primeiro quarto de hora. Honberg deu o primeiro aviso sério em uma cabeçada perigosa aos 16 minutos da etapa inicial.

O placar foi aberto pouco antes da meia hora de jogo em uma jogada construída pelo setor direito. Robles cruzou com precisão para a área e encontrou Bandiera, que escorou sem chances para a defesa atleticana. O Galo teve apenas uma oportunidade real de empatar antes do intervalo, quando Alexsander finalizou de fora da área e a bola raspou a trave direita. A desvantagem mínima ao fim do primeiro tempo foi garantida pelas intervenções decisivas do goleiro Everson.

As estatísticas do confronto refletem a superioridade dos mandantes no Estádio Garcilaso de la Vega:

  • Posse de bola: Cienciano 58% x 42% Atlético-MG
  • Finalizações totais: 14 para o Cienciano contra 6 do Galo
  • Escanteios: 7 para os peruanos e 3 para os brasileiros
  • Expulsões: Preciado (Atlético-MG) aos 12 minutos do segundo tempo
  • Defesas do goleiro Everson: 4 intervenções consideradas difíceis

Expulsão de Preciado e tentativa de reação frustrada

Na volta do vestiário, o técnico buscou dar mais agressividade ao time com as entradas de Minda e Bernard. A mudança surtiu efeito imediato na postura tática, tornando o Atlético-MG mais presente no campo ofensivo. Aos 10 minutos, Minda encontrou Reinier em excelente posição dentro da área, mas a defesa local travou o chute no momento exato. O momento de melhora, contudo, foi interrompido por um erro individual que mudou o rumo da partida.

O lateral Preciado recebeu o segundo cartão amarelo apenas dois minutos após o primeiro lance de perigo alvinegro. Ele chegou atrasado em uma dividida no meio de campo e foi punido com a expulsão pelo árbitro. Com um jogador a menos e o desgaste físico acentuado pela altitude, o Galo perdeu o fôlego necessário para buscar o empate. O Cienciano retomou o controle do ritmo de jogo e passou a administrar a posse de bola.

Cenário complicado no Grupo B da Sul-Americana

A derrota no Peru coloca o Atlético-MG em uma posição desconfortável para o restante da fase de grupos. O time soma apenas três pontos em três partidas disputadas, mesma pontuação do Puerto Cabello, da Venezuela. A liderança pertence ao Cienciano, seguido pelo Juventud, do Uruguai, que venceu seu compromisso na rodada. A margem de erro para a classificação direta ou para os playoffs tornou-se mínima para o representante brasileiro.

O elenco agora retorna ao Brasil sob pressão externa da torcida e necessidade interna de ajustes rápidos. A sequência de resultados negativos, somada à notícia da saída do ídolo Hulk, cria um ambiente de instabilidade na Cidade do Galo. Restam três jogos para o fim desta fase, sendo dois deles fora de Belo Horizonte, o que aumenta a exigência sobre o grupo. A comissão técnica precisará equilibrar a recuperação física dos atletas com a urgência de vitórias imediatas.

Foco volta para o clássico mineiro no Brasileirão

Sem tempo para lamentar o tropeço continental, o Atlético-MG vira a chave para o compromisso mais importante da semana em âmbito doméstico. O time enfrenta o Cruzeiro no próximo sábado, no Mineirão, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. O clássico estadual ganha contornos de decisão para acalmar os bastidores e evitar que a crise técnica se aprofunde. Vencer o maior rival é visto como o único caminho para recuperar a confiança antes da próxima viagem internacional.

A agenda do Galo nos próximos dias exige logística rigorosa e foco total na reabilitação esportiva:

  • Sábado (02/05): Clássico contra o Cruzeiro pelo Brasileiro no Mineirão
  • Domingo (03/05): Reapresentação e início da preparação para viagem ao Uruguai
  • Segunda (04/05): Viagem para Montevidéu para o confronto contra o Juventud
  • Terça (05/05): Jogo decisivo contra o Juventud pela quarta rodada da Sul-Americana
  • Quarta (06/05): Retorno para Belo Horizonte para sequência do calendário nacional

O confronto contra o Juventud no Uruguai, agendado para terça-feira, será o primeiro passo para tentar sair da lanterna. Enquanto isso, o Cienciano viaja até a Venezuela para enfrentar o Puerto Cabello, tentando consolidar sua passagem para a próxima fase. O Atlético-MG precisará de uma combinação de resultados e de uma melhora drástica de rendimento para avançar na competição.