A Copa do Mundo nos Estados Unidos em 2026 promete ser a mais cara para torcedores brasileiros em relação às edições recentes. Ingressos podem ultrapassar a casa dos milhares de dólares, enquanto passagens aéreas, hospedagens e deslocamentos para os estádios explodem os orçamentos familiares. Muitos já desistiram da viagem antes mesmo do sorteio final dos grupos.
O cenário é radicalmente diferente de Rússia 2018 e Catar 2022. Naquelas competições, o transporte público para os estádios era gratuito ou significativamente mais barato. Desta vez, cada deslocamento entre cidades e arenas custará centenas de dólares.
Transporte para os estádios sai por centenas de dólares
Em Boston, o trem que liga a cidade ao Estádio Gillette, em Foxborough, a cerca de 50 quilômetros de distância, terá um preço aproximadamente dez vezes superior ao normal. Uma passagem custará US$ 80, o equivalente a R$ 400. O ônibus Express reservado para portadores de ingressos custa US$ 95 na ida e volta, totalizando R$ 475.
Em Nova York, a situação é igualmente cara. O trajeto de Manhattan até o MetLife Stadium, em East Rutherford, sairá por US$ 100 ida e volta, ou R$ 500. Esses valores se somam aos gastos já previstos com hospedagem, alimentação e a tradicional gorjeta norte-americana de até 20% nos serviços.
Fernanda Zaguis, consultora em planejamento e gestão do Movimento Verde e Amarelo — entidade que desde 2008 organiza viagens de brasileiros para as Copas do Mundo — afirma que o custo combinado afasta famílias inteiras. “Quando é uma pessoa sozinha, ela se vira, vai no amor e fica no sofá de alguém. Mas quando é para quatro pessoas, a gente viu que muita gente não vai conseguir ir porque o custo aumentou muito”, explica.
Passagens aéreas menores não compensam outras despesas
Para o público brasileiro, a Copa nas Américas apresenta uma vantagem inicial: o preço das passagens aéreas é significativamente menor do que foi para o Catar ou a Rússia. A proximidade geográfica reduz esse item importante do orçamento de viagem. Entretanto, essa economia se dissolve diante de todos os outros gastos que explodem nos Estados Unidos.
Hospedagens em cidades que sediam jogos já estão em patamares elevados. Restaurantes aplicam preços internacionais. O custo de vida norte-americano, notadamente em centros urbanos como Boston, Nova York e Miami, deixa pouca margem para economia. Tudo isso sem contar com as próprias entradas para os estádios, que atingem valores recordes.
Clima de desistência entre organizadores de grupos
O desânimo é generalizado entre os profissionais que trabalham há anos organizando caravanas de torcedores. Zaguis aponta uma diferença fundamental entre a Copa 2026 e a edição de 2022 no Catar. “Está todo mundo revoltado. Acho que vai ser até mais caro do que no Catar, que era um país caro, mas a gente não tinha que ficar mudando de lugar. Não tinha voos internos e economizamos nisso”, afirma.
A estrutura da Copa nos Estados Unidos, com estádios espalhados em múltiplas cidades do país, força torcedores a comprarem passagens aéreas adicionais ou enfrentarem longas viagens de carro. Em 2022, o Catar permitia que fãs baseados em uma cidade pudessem assistir a vários jogos com deslocamentos mínimos. A diferença nos custos finais é substancial.
Contexto da Copa 2026 nas Américas
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história com três países-sede: Estados Unidos, México e Canadá. Essa distribuição geográfica, embora traga a vantagem de proximidade para alguns torcedores brasileiros em relação a sedes passadas, cria complexidades logísticas e financeiras significativas. A organização de viagens internacionais envolve coordenar hospedagem, voos internacionais, deslocamentos terrestres entre nações e custos de estadia em três países com diferentes moedas e níveis de inflação.
Brasileiros que planejavam acompanhar a seleção pessoalmente agora enfrentam escolhas difíceis. Alguns decidem assistir apenas alguns jogos em vez de toda a campanha do país. Outros desistem completamente e acompanham pela televisão. Famílias que economizaram durante anos para viajar juntas percebem que o orçamento não comporta mais de um ou dois membros.

