Fifa planeja elevar prêmios da Copa do Mundo após atingir receita de US$ 11 bilhões

Troféu da Copa do Mundo FIFA de 2026

Troféu da Copa do Mundo FIFA de 2026 - Djem/ shutterstock.com

A Fifa iniciou discussões internas para ampliar os valores pagos às seleções que disputarão a Copa do Mundo de 2026. A proposta surge após a entidade confirmar uma arrecadação histórica de US$ 11 bilhões durante o ciclo comercial que termina no ano do Mundial. A decisão final deve ser apresentada durante o 76º Congresso da organização, agendado para Vancouver, no Canadá. O plano visa distribuir o excedente financeiro de forma que todas as 48 federações nacionais classificadas recebam um incremento significativo em relação aos valores previstos anteriormente.

O movimento da federação internacional ocorre em um momento de expansão do torneio, que pela primeira vez contará com quase 50 equipes na fase final. Atualmente, o montante total destinado a premiações e ajuda de custo gira em torno de US$ 655 milhões. Este número já representa uma alta de 50% na comparação direta com o que foi desembolsado na edição do Catar, em 2022. Com o novo faturamento, a cúpula liderada por Gianni Infantino busca reforçar o investimento nas confederações menores, garantindo que a participação na América do Norte seja financeiramente viável para todos os países.

Impacto da receita recorde no financiamento das seleções

O crescimento vertiginoso nas contas da entidade máxima do futebol foi impulsionado por novos acordos de patrocínio e pela venda antecipada de direitos de transmissão. Entre 2023 e 2026, a federação conseguiu acumular o equivalente a R$ 54,7 bilhões. Este fôlego financeiro permite que a organização não apenas pague prêmios maiores aos vencedores, mas também amplie o fundo de desenvolvimento. Cada uma das 211 associações membros pode ser beneficiada com novos aportes para infraestrutura e categorias de base nos próximos anos.

  • Campeão: US$ 50 milhões
  • Vice-campeão: US$ 33 milhões
  • 3º lugar: US$ 29 milhões
  • 4º lugar: US$ 27 milhões
  • 5º ao 8º lugar: US$ 19 milhões
  • 9º ao 16º lugar: US$ 15 milhões
  • 17º ao 32º lugar: US$ 11 milhões
  • 33º ao 48º lugar: US$ 9 milhões

Até o momento, a tabela de pagamentos garante pelo menos US$ 10,5 milhões para cada país que entrar em campo na fase de grupos. Desse valor, US$ 1,5 milhão serve especificamente para cobrir despesas de logística, como fretamento de aviões, hospedagem e alimentação das delegações. Os outros US$ 9 milhões são bônus líquidos depositados nas contas das federações nacionais. A expectativa é que o novo ajuste, caso aprovado no Canadá, eleve o piso de premiação para as seleções que terminarem entre a 33ª e a 48ª posição.

Estratégia política e desenvolvimento global do futebol

A ampliação das verbas é vista como um pilar central na gestão de Infantino para manter o apoio das federações da África, Ásia e América Central. Ao garantir mais dinheiro para quem disputa o torneio, a Fifa reduz a pressão sobre as ligas locais que perdem seus jogadores durante o período de competição. Porta-vozes da entidade confirmaram à agência Reuters que as negociações estão avançadas. O objetivo é criar um ciclo virtuoso onde o lucro do Mundial financie o crescimento do esporte em regiões menos desenvolvidas economicamente.

Além do bônus direto pelo desempenho esportivo, a Fifa discute aumentar as contribuições para o programa Forward. Este mecanismo é o que envia dinheiro para construção de centros de treinamento e campos ao redor do mundo. Com a receita batendo recordes, o conselho técnico avalia que é o momento ideal para injetar capital nas confederações. Analistas apontam que o sucesso comercial do Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá superou as projeções mais otimistas feitas em 2022.

Detalhes técnicos e próximos passos do Conselho

A reunião em Vancouver servirá para selar os percentuais exatos de reajuste para cada patamar da competição. Não se trata apenas de dar mais dinheiro ao campeão, que hoje embolsa cerca de R$ 249 milhões. O foco principal está nas faixas intermediárias e iniciais da tabela de classificação. A federação entende que o custo de preparação para um torneio de 48 seleções exige um suporte robusto para evitar que países menores se endividem para participar do evento.

Os novos valores devem ser publicados no relatório anual de finanças assim que o martelo for batido pelos diretores. O mercado publicitário segue atento aos desdobramentos, já que o aumento da premiação reflete o valor de marca do produto Copa do Mundo. Clubes que cedem jogadores também monitoram a situação, pois o fundo de compensação aos times costuma acompanhar o crescimento do bolo total de prêmios. A final em julho de 2026 deve marcar o ápice deste ciclo financeiro sem precedentes na história do desporto mundial.