US$ 4 trilhões. Este é o número de stablecoins negociadas apenas entre janeiro e junho de 2025. O grande destaque vai mesmo para a % de crescimento comparativamente ao ano transato que ronda os 83. Não é então por acaso que o Brasil aparece no top 5 do uso stablecoins. E este número aumenta de mês para mês.
Neste março de 2026 o número já chegou a 9,3 R$, número superior a fevereiro que terminou com 9,1 R$. O pódio vai para a Tether (USDT) com o equivalente a 91% negociado, mas já explicaremos com maior detalhe.
Mas não só por causa das stablecoins o Brasil está no top 5. Os brasileiros também adoram negociar outras criptomoedas como Bitcoin e Ethereum. Alías, a pesquisa “eth brl” é feita recorrentemente no motor de busca dos celulares das pessoas que certamente dão de caras com o site da Binance, conhecida por ter um gráfico de fácil interpretação.
Brasil: um mercado em destaque
O Brasil se consolidou entre os cinco países com maior adoção de stablecoins no mundo, ao lado de nações como Índia, Estados Unidos, Paquistão e Filipinas. Segundo especialistas, esse avanço não está ligado à especulação, mas sim a casos de uso prático, como pagamentos internacionais, remessas, preservação de valor e proteção contra a inflação.
Líderes da indústria também têm destacado o papel crescente dessas moedas digitais. Changpeng Zhao, fundador e ex-CEO da Binance, afirmou durante um evento do setor que “stablecoins are a natural application of blockchain”, defendendo ainda que cada país poderá desenvolver diferentes stablecoins ligadas às suas moedas nacionais.
Da especulação à utilidade real
Diferente de ciclos anteriores, que giravam em torno da valorização do Bitcoin, o aumento do uso de stablecoins no Brasil reflete necessidades econômicas concretas. Elas permitem realizar transferências internacionais rápidas, operar com liquidez 24/7 e reduzir custos associados a câmbio e transações transfronteiriças. Além disso, empresas de todos os portes passaram a adotar essas moedas digitais em suas tesourarias para movimentar capital de forma ágil, sem depender exclusivamente dos horários bancários tradicionais.
A mudança de percepção sobre as stablecoins também derruba outro mito antigo: o de que esses ativos seriam majoritariamente usados para atividades ilícitas. O levantamento da TRM Labs aponta que 99% das transações com stablecoins são legítimas. O aumento do monitoramento regulatório levou agentes mal-intencionados a migrar para outros instrumentos, enquanto instituições financeiras e digitais passaram a abraçar a tecnologia.
O mercado institucional e corporativo
O uso de stablecoins no ambiente corporativo tem crescido de forma significativa. Grandes, médias e pequenas empresas, além de plataformas digitais, passaram a utilizar essas moedas digitais para diversos fins:
- Movimentação de capital fora dos horários bancários tradicionais;
- Redução de custos cambiais em transações internacionais;
- Acesso a liquidez 24/7, permitindo operações contínuas sem interrupções;
- Eficiência em remessas internacionais, com rapidez superior a métodos tradicionais.
Essa evolução demonstra que as stablecoins deixaram de ser um produto de nicho e passaram a integrar a infraestrutura financeira de empresas e plataformas digitais, consolidando-se como alternativa sólida ao sistema bancário convencional, especialmente em regiões com instabilidade econômica.
R$ 9,3 bilhões negociados em março
O cenário brasileiro em 2026 reforça o protagonismo das stablecoins. Dados recentes do InvestNews mostram que, apenas em março, o volume negociado desses ativos em exchanges brasileiras alcançou R$ 9,3 bilhões, superando o total registrado em fevereiro (R$ 9,1 bilhões). A liderança é da Tether (USDT), com R$ 8,49 bilhões negociados, representando 91% do total, seguida pela USD Coin (USDC), emitida pela Circle, com R$ 815 milhões no período.
O crescimento se deve, em grande parte, à agilidade e baixo custo das transações com stablecoins, que funcionam como uma forma rápida de dolarização de patrimônio, além de serem amplamente utilizadas para remessas internacionais e viagens. Por ora, essas operações continuam sem incidência de IOF, fator que atrai ainda mais investidores e empresas.
No início do ano, o governo federal chegou a considerar a tributação de operações com stablecoins, incluindo a possibilidade de consulta pública. A discussão, entretanto, foi suspensa, recebida positivamente pelo setor. Entidades como ABcripto, ABFintechs, Abracam, ABToken e Zetta afirmam que uma eventual ampliação da tributação por decreto ou norma administrativa seria ilegal, já que não poderia criar ou ampliar fato gerador tributário sem a devida legislação.
Por que as stablecoins são estratégicas para o Brasil
A adoção de stablecoins no Brasil não é apenas um reflexo do crescimento do mercado cripto, mas uma resposta a desafios econômicos específicos. Alguns fatores que impulsionam o uso desses ativos incluem:
- Proteção contra a inflação – Com a instabilidade da moeda local, muitos investidores utilizam stablecoins como forma de preservar valor.
- Remessas internacionais – Brasileiros no exterior podem enviar dinheiro rapidamente para familiares, evitando custos altos de bancos e serviços de transferência.
- Dolarização de patrimônio – Investidores e empresas têm acesso direto a ativos atrelados ao dólar, sem burocracia.
- Pagamentos corporativos – Tesourarias de empresas utilizam stablecoins para reduzir custos e agilizar operações internacionais.
- Liquidez contínua – Ao contrário do sistema bancário tradicional, as stablecoins permitem movimentações financeiras 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Além disso, o crescimento das stablecoins reforça a integração do Brasil em um mercado financeiro globalizado, onde soluções digitais são cada vez mais demandadas para atender à velocidade e escala das transações internacionais.
O futuro das stablecoins no país
O Brasil está consolidando seu papel como um dos principais mercados globais de stablecoins. O crescimento sólido, aliado à adoção prática e segura, indica que esses ativos continuarão a desempenhar um papel central no ecossistema financeiro nacional. Empresas e investidores já perceberam que a tecnologia não é apenas uma moda, mas uma ferramenta essencial para:
- Otimizar operações financeiras;
- Proteger patrimônio;
- Aumentar eficiência em transações internacionais;
- Reduzir dependência de intermediários tradicionais.
Com o aumento da regulação clara e da integração institucional, é provável que o Brasil veja uma expansão ainda maior do uso de stablecoins, consolidando seu lugar entre os líderes globais e garantindo que a economia digital no país seja cada vez mais robusta e eficiente.
Conclusão
O avanço das stablecoins no Brasil exemplifica como mercados emergentes podem se beneficiar de soluções financeiras digitais inovadoras. Não se trata mais apenas de especulação, mas de utilidade real, com impactos concretos em empresas, investidores e consumidores. Ao consolidar-se entre os cinco maiores mercados do mundo, o país demonstra que é possível adotar tecnologias disruptivas de forma segura e estratégica, impulsionando a modernização do setor financeiro e a inclusão econômica.
O crescimento do uso de stablecoins, aliado à manutenção de operações sem IOF e ao fortalecimento da infraestrutura institucional, projeta um cenário promissor para 2026 e além, com o Brasil desempenhando papel de destaque na economia digital global.

