Família alerta para risco de morte de Narges Mohammadi e cobra transferência hospitalar
Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, foi transferida para um hospital na província de Zanjan, no noroeste do Irã, após uma deterioração aguda em seu estado de saúde. A ativista de 54 anos, que cumpre pena por sua atuação em defesa dos direitos humanos, apresenta um quadro de instabilidade clínica grave. Segundo familiares, a medida foi tomada de última hora pelas autoridades carcerárias e pode não ser suficiente para garantir sua sobrevivência. O anúncio da internação ocorreu na última sexta-feira, em meio a denúncias de privação de cuidados médicos especializados durante os últimos meses de detenção.
O Comitê do Nobel e parentes da iraniana intensificaram os apelos para que ela seja removida imediatamente para uma unidade de saúde em Teerã. O objetivo é permitir que especialistas que já acompanham seu histórico médico assumam o tratamento. Mohammadi possui antecedentes críticos de embolia pulmonar e problemas cardíacos, tendo passado anteriormente por procedimentos de angioplastia e colocação de stents. A infraestrutura hospitalar local em Zanjan é considerada inadequada pela família para lidar com tamanha complexidade clínica.
Estado de saúde de Narges Mohammadi atinge nível crítico
A situação de Mohammadi se agravou significativamente nas últimas 24 horas, conforme relato de seu irmão, Hamidreza Mohammadi, que reside na Noruega. Ele informou que a pressão arterial da ativista sofreu uma queda acentuada e que os médicos locais ainda não conseguiram estabilizar o quadro. No mês passado, a Nobel da Paz chegou a ser encontrada inconsciente por outras detentas na prisão de Zanjan. Na ocasião, a suspeita era de que ela teria sofrido um infarto agudo do miocárdio, mas o socorro externo foi negado pelas autoridades por semanas.
O histórico de saúde da ativista exige vigilância constante devido a doenças preexistentes nos pulmões e no sistema circulatório.
- Queda severa na pressão arterial reportada neste sábado.
- Suspeita de infarto ocorrida em abril dentro da cela.
- Diagnóstico prévio de embolia pulmonar recorrente.
- Necessidade de acompanhamento para stents cardíacos instalados.
- Relatos de desmaios frequentes em ambiente prisional.
A Fundação Narges Mohammadi descreveu a transferência hospitalar como uma ação desesperada após 140 dias de detenção arbitrária. A entidade afirma que o governo iraniano ignorou sistematicamente as recomendações médicas para exames diagnósticos e internação preventiva. A pressão internacional cresce à medida que o tempo passa sem que a transferência para a capital seja autorizada pelo sistema judiciário do Irã.
Trajetória de condenações e militância no Irã
A vida de Narges Mohammadi tem sido marcada por um ciclo de prisões e sentenças pesadas devido ao seu trabalho contra a opressão feminina e a pena de morte. Ao todo, ela já foi detida 13 vezes pelas autoridades iranianas ao longo de sua trajetória pública. Suas condenações somam mais de 31 anos de prisão, além da sentença de 154 chicotadas, um método de punição comum no sistema penal do país para crimes de opinião e segurança nacional. Mesmo sob custódia, a ativista manteve sua postura crítica contra o regime.
Em 2021, Mohammadi iniciou o cumprimento de uma pena de 13 anos sob acusações de conluio contra a segurança do Estado e propaganda contra o governo. No final de 2024, ela chegou a receber uma liberação temporária por motivos humanitários para tratar de problemas de saúde em liberdade. Entretanto, a liberdade foi curta. Após discursar no memorial de outro ativista em Mashhad, ela foi presa novamente em dezembro do ano passado, sofrendo agressões físicas durante a abordagem policial, segundo seus advogados.
Pressão internacional e risco de morte
O chefe do Comitê do Nobel da Paz, Jorgen Watne Frydnes, reforçou publicamente que a vida de Mohammadi permanece sob risco iminente enquanto ela estiver sob custódia estatal. O comitê acredita que a responsabilidade por qualquer desdobramento fatal recairá sobre o governo de Teerã. Organizações de direitos humanos em todo o mundo monitoram o caso, temendo que a demora na transferência para um centro médico de referência torne as sequelas irreversíveis. O isolamento imposto à ativista em Zanjan também dificulta a obtenção de informações atualizadas sobre sua resposta aos medicamentos.
A comunicação com a família foi severamente limitada desde que ela foi transferida para Zanjan, sem aviso prévio, em fevereiro deste ano. Antes disso, uma corte revolucionária havia adicionado mais sete anos e meio à sua sentença total por novos atos de “agitação e propaganda”. Esse endurecimento da pena ocorreu enquanto ela já estava em tratamento médico, o que foi interpretado por observadores internacionais como uma retaliação política.
A internação em Zanjan é vista pela família como uma tentativa do Irã de evitar um óbito dentro da prisão, o que geraria revolta popular. No entanto, sem o acesso aos especialistas de confiança em Teerã, o tratamento atual é visto como paliativo e insuficiente. A mobilização em torno do caso de Narges Mohammadi reflete a tensão contínua entre defensores dos direitos civis e o sistema jurídico iraniano, especialmente após os protestos que abalaram o país nos últimos anos.
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