Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas com 18 anos, estão desaparecidas há 11 dias em Cianorte, no Noroeste do Paraná. As mães notificaram o desaparecimento após as jovens pararem de responder mensagens e fazer publicações nas redes sociais. A Polícia Civil do Paraná suspeita que elas foram vítimas de homicídio duplo e intensificou as buscas pelo suspeito Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, que saiu com as primas em uma caminhonete preta na noite de 20 de abril.
Como as mães descobriram o desaparecimento
Maria da Penha de Almeida, mãe de Letycia, relatou que a filha tinha hábito de sair com amigas, mas nunca deixava de enviar mensagens pelo aplicativo de mensagens. No dia do desaparecimento, Letycia aviou que talvez fosse a Porto Rico. A mãe achou normal e foi dormir cedo. Apenas quando as mensagens não chegaram, Maria desconfiou que algo estava errado. Uma amiga da jovem alertou à mãe que Letycia havia parado de postar nas redes sociais, comportamento incomum. “Imaginei que ela podia estar em um lugar sem sinal. Mas foi passando a noite e eu me preocupei”, disse Maria.
Ana Erli Melegari, mãe de Sttela, estava fora de casa na noite do desaparecimento. Conversou com a filha na segunda-feira (20), mas desconfiou quando as mensagens não chegaram na manhã seguinte. Ana enviou mensagens à tarde avisando que estava deixando Maringá, mas nenhuma foi entregue. Perguntou à outra filha se Sttela tinha postado algo nas redes sociais. A resposta foi negativa. “Aí mandei mensagem para minha outra menina perguntando se ela tinha visto a Sttela postar alguma coisa, mas ela respondeu que não tinha nenhuma postagem”, lembrou.
Última conexão e linha do tempo policial
Investigadores mapearam a sequência de eventos nas horas que antecederam o sumiço das jovens:
- 22h39 de 20 de abril: Letycia e Sttela saem de Cianorte na caminhonete com Clayton, que usava o nome falso “Davi”. Esta foi a última vez que Letycia se conectou à internet, pois não tinha pacote de dados móveis.
- 22h54: A caminhonete entra em Jussara, onde Sttela mora. A jovem desce para pegar uma mochila em casa.
- 22h55: Sttela publica foto nas redes sociais com garrafa de uísque dentro da caminhonete, marcando Letycia. A legenda dizia “Qual será o nosso destino KKKK”.
- 23h13: O trio sai de Jussara em direção a Maringá pela rodovia PR-323.
- 00h16 de 21 de abril: Sttela faz a última publicação no trevo entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. Clayton aparece na foto, mas Letycia só é marcada.
- 3h17: Através de quebra de sigilo do WhatsApp, polícia descobriu que foi a última vez que Sttela se conectou à internet.
- 9h de 23 de abril: Última conexão de Clayton à internet.
Quem é o suspeito e como fugiu
Clayton Antonio da Silva Cruz possuía mandado de prisão aberto pelo crime de roubo cometido em 2023 em Apucarana. Usava nomes falsos como “Davi”, “Sagaz” e “Dog Dog”, sendo frequentador assíduo de festas e baladas em Cianorte. A caminhonete que dirigia era clonada. O delegado Luis Fernando Alves Silva explicou a dificuldade em identificá-lo: “Foi difícil identificar ele, então isso chamou atenção. Era como se o Davi fosse um ‘ser social’ dentro de Cianorte, nas baladas da cidade, mas fosse um ser invisível, do ponto de vista de sua identificação”.
Investigações apontam que Clayton voltou sozinho a Cianorte entre 22 e 23 de abril, sem a caminhonete. Saiu da cidade novamente usando uma moto e sem celular. O delegado comentou sobre as suspeitas: “Pelos indícios e pela nossa intuição de time policial, ele está vivo. Mas e as garotas? Isso que agora precisamos iniciar uma segunda etapa da investigação”.
Prioridade na investigação e orientações
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Coronel Hudson Leôncio Teixeira, determinou que o caso seja tratado como prioridade. Segundo o delegado, várias informações chegaram por fontes anônimas e estão sendo filtradas. Toda a força-tarefa da Secretaria de Segurança Pública está mobilizada nas buscas. Denúncias sobre o paradeiro de Clayton ou das jovens podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 181, 190, 197 ou em delegacias. A polícia acredita que Clayton agiu sozinho no crime.

