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Investigação aponta duplo homicídio no sumiço de jovens no Paraná após análise de redes sociais

Primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida estão desaparecidas há mais de uma semana no Paraná - Reprodução/Redes sociais
Foto: Primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida estão desaparecidas há mais de uma semana no Paraná - Reprodução/Redes sociais

A Polícia Civil do Paraná trata o desaparecimento de Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos, como um provável duplo homicídio. As primas foram vistas pela última vez na noite de 20 de abril, na cidade de Cianorte, localizada na região Noroeste do estado. O caso ganhou novos contornos após os investigadores analisarem o comportamento digital das vítimas e cruzarem dados de localização. As autoridades realizam buscas intensivas para localizar Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos. O homem conduzia a caminhonete preta onde as jovens embarcaram antes de sumirem. A ausência prolongada de contato com os familiares reforça a tese principal da corporação.

Alerta familiar e interrupção abrupta de comunicação

O primeiro sinal de anormalidade surgiu no núcleo familiar das vítimas. Maria da Penha de Almeida, mãe de Letycia, relatou aos agentes que a filha mantinha o costume de sair com amigas durante os finais de semana. A jovem, no entanto, possuía o hábito rigoroso de enviar mensagens atualizando seu paradeiro. Na data do sumiço, Letycia mencionou uma possível viagem para o município de Porto Rico. A informação inicial não gerou preocupação imediata na residência.

A situação mudou drasticamente na manhã seguinte. As mensagens enviadas pela mãe pararam de chegar ao destino. Uma amiga próxima entrou em contato com a família para relatar a ausência de publicações nos perfis virtuais da jovem. O silêncio digital representava uma quebra no padrão de comportamento diário. A apreensão aumentou com o passar das horas sem qualquer retorno telefônico.

O cenário se repetiu na casa de Ana Erli Melegari, mãe de Sttela. Ela conversou com a filha na segunda-feira, dia 20, e tentou novo contato na terça-feira à tarde. Os textos enviados pelo aplicativo de mensagens exibiam apenas um sinal de confirmação, indicando que o aparelho receptor estava desconectado da rede. A confirmação do desaparecimento ocorreu após Ana questionar outra filha sobre possíveis atualizações nas redes sociais de Sttela. A resposta negativa consolidou a suspeita de que algo grave havia acontecido com as duas jovens.

Reconstrução dos últimos passos pelas plataformas digitais

O trabalho de inteligência policial estabeleceu uma linha do tempo precisa baseada nos rastros eletrônicos deixados pelos celulares. Os peritos mapearam o trajeto do veículo desde a saída de Cianorte até o último ponto de conexão registrado pelas operadoras de telefonia. A quebra de sigilo telemático forneceu os horários exatos das movimentações.

A sequência cronológica identificada pela equipe de investigação detalha a dinâmica daquela noite:

  • Às 22h39 do dia 20 de abril, Letycia e Sttela deixam Cianorte a bordo da caminhonete dirigida pelo suspeito, que se apresentava com um nome falso. Este momento marca a última conexão de Letycia à internet, motivada pela ausência de um pacote de dados móveis ativo.
  • Às 22h54, o veículo ingressa no município de Jussara, cidade onde Sttela residia com a família. A jovem desembarca rapidamente para buscar uma mochila no interior da casa.
  • Às 22h55, Sttela realiza uma publicação em sua conta na rede social. A imagem mostra uma garrafa de bebida alcoólica dentro do carro e inclui uma marcação para o perfil da prima, acompanhada de uma legenda sobre o destino da viagem.
  • Às 23h13, o grupo deixa Jussara e acessa a rodovia PR-323, seguindo em direção à cidade de Maringá.
  • Às 00h16 do dia 21 de abril, ocorre a última postagem conhecida. O registro fotográfico foi feito no trevo rodoviário que liga Presidente Castelo Branco a Nova Esperança. O motorista aparece na imagem, enquanto Letycia recebe apenas uma marcação de texto.
  • Às 3h17, o sistema do aplicativo de mensagens registra a última vez que o aparelho de Sttela estabeleceu comunicação com os servidores da empresa.
  • Às 9h do dia 23 de abril, o telefone do suspeito emite seu último sinal de rede antes de ser desativado permanentemente.

Os dados extraídos dos servidores formam a base técnica do inquérito policial. A interrupção simultânea dos aparelhos em uma área de rodovia estadual direcionou as equipes de busca para perímetros específicos da região Noroeste.

Perfil do principal suspeito e histórico criminal

A identificação do motorista exigiu um esforço adicional dos agentes de segurança. Clayton Antonio da Silva Cruz utilizava identidades falsas para circular pelos estabelecimentos noturnos da região. Ele se apresentava frequentemente com os apelidos de Davi, Sagaz e Dog Dog. O delegado Luis Fernando Alves Silva destacou a complexidade em descobrir o nome verdadeiro do indivíduo. O homem mantinha uma vida social ativa em Cianorte, mas operava de forma oculta para os sistemas de controle do Estado.

O histórico do suspeito revelou pendências graves com a Justiça. Havia um mandado de prisão em aberto contra ele por um crime de roubo registrado no ano de 2023, na cidade de Apucarana. A caminhonete preta utilizada na noite do desaparecimento possuía placas clonadas. A utilização de um veículo adulterado demonstra um nível de planejamento prévio para dificultar o rastreamento por câmeras de monitoramento viário.

O monitoramento policial indica que o homem retornou sozinho para Cianorte entre os dias 22 e 23 de abril. Ele não estava mais com a caminhonete preta vista nas imagens anteriores. Pouco tempo depois, o suspeito deixou a cidade pilotando uma motocicleta e sem carregar nenhum aparelho celular. A estratégia de fuga visava impedir o rastreamento por antenas de telefonia. Os investigadores trabalham com a certeza de que ele permanece vivo e atua de forma isolada para escapar do cerco policial.

Mobilização das forças de segurança e buscas na região

A gravidade do caso mobilizou o alto escalão do governo estadual. O secretário de Segurança Pública do Paraná, Coronel Hudson Leôncio Teixeira, classificou a resolução do inquérito como prioridade absoluta para a corporação. Uma força-tarefa especial foi montada para coordenar as ações no terreno. Equipes de diferentes divisões policiais atuam de forma integrada nas buscas pelas jovens e na captura do foragido.

O canal de denúncias anônimas tem recebido um volume expressivo de ligações nas últimas semanas. Os analistas de inteligência filtram as informações repassadas pela população para direcionar as viaturas aos locais mais promissores. A participação da comunidade ocorre por meio dos números telefônicos de emergência e do disque-denúncia estadual. O sigilo da fonte é garantido por lei para proteger os informantes.

As buscas terrestres contam com o apoio de cães farejadores e equipamentos de varredura em áreas de mata fechada ao longo da rodovia PR-323. A Polícia Civil mantém o foco em localizar os corpos das vítimas e prender o responsável pela ação criminosa. O inquérito segue em andamento com a coleta de novos depoimentos e a análise de imagens de circuitos de segurança privados instalados nas rotas de fuga mapeadas pelos peritos.

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