Pedido de intervenção no Corinthians cita dívida de R$ 2,7 bilhões e ilegalidade
O Ministério Público de São Paulo protocolou um novo pedido de intervenção judicial no Sport Club Corinthians Paulista nesta segunda-feira. A petição assinada pelo promotor Cássio Conserino sustenta que a recente aprovação das contas do exercício de 2025 é nula. O órgão identifica ilegalidades no processo que culminou na decisão do Conselho Deliberativo. Segundo a Promotoria, o clube vive um cenário de gestão temerária diante do endividamento bilionário. A medida ocorre em um momento de pressão administrativa no Parque São Jorge.
O documento aponta falhas sistêmicas nos órgãos de controle interno da agremiação alvinegra. O promotor destaca que a governança exigida pela Lei Geral do Esporte foi violada diretamente durante o rito de avaliação financeira. O pedido reforça a necessidade de um interventor para organizar a continuidade operacional do clube. A Justiça deve analisar o pleito nos próximos dias junto a outros inquéritos em andamento.
Ilegalidade apontada na reunião do Conselho Fiscal
O foco principal do Ministério Público reside na participação de Haroldo Dantas na reunião que validou o parecer financeiro. Dantas é advogado de empresas ligadas ao presidente Osmar Stabile e deveria estar afastado de suas funções por conflito de interesses. Mesmo impedido, o dirigente compareceu ao encontro no Parque São Jorge e assinou a ata que recomendou a aprovação das contas. Para o promotor, essa presença vicia todo o processo de fiscalização.
A peça judicial elenca pontos críticos sobre a estrutura administrativa:
- Presença irregular de conselheiro impedido em reuniões decisivas
- Falha do Conselho de Orientação (CORI) em identificar ressalvas documentais
- Inexistência de sanções ou correções propostas após o apontamento de déficits
- Aprovação de contas pelo Conselho Deliberativo ignorando recomendações externas
- Risco iminente à continuidade operacional devido ao passivo circulante
- Violação direta de normas previstas na Lei Geral do Esporte
A ineficácia institucionalizada é um dos termos centrais da argumentação da Promotoria. Conserino afirma que os mecanismos de controle do Corinthians deixaram de funcionar de forma independente. O texto sugere que houve uma omissão deliberada sobre a gravidade do balanço financeiro apresentado pela gestão Stabile.
Déficit financeiro e endividamento de R$ 2,7 bilhões
Os números apresentados pelo clube no balanço de 2025 são considerados alarmantes pelo Ministério Público. O déficit registrado no último ano foi de R$ 143,4 milhões, enquanto a dívida total acumulada ultrapassa a marca de R$ 2,7 bilhões. O promotor argumenta que o Conselho Deliberativo aprovou os dados sem apresentar um plano concreto para liquidar o montante. O cenário é descrito como uma piora administrativa em progressão geométrica.
O balanço financeiro detalhado indica que a situação de curto prazo é complexa para o caixa corintiano. Não houve, segundo o MP, qualquer comentário propositivo sobre como sanar o buraco financeiro aberto no último exercício. A ausência de estratégias para o pagamento de credores reforça a tese de gestão temerária defendida pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social.
Histórico de investigações e uso de cartões corporativos
Esta não é a primeira vez que o órgão estadual tenta interferir na administração do clube paulista por vias judiciais. Em dezembro do ano passado, um inquérito civil já havia sido instaurado para avaliar a necessidade de intervenção. Naquela ocasião, o estopim foram denúncias relacionadas ao uso irregular de cartões corporativos por membros da diretoria.
Agora, os novos fatos sobre a nulidade da votação das contas serão anexados ao processo existente. O promotor pede que os conselheiros que participaram da votação também sejam responsabilizados individualmente pelas decisões tomadas. O Ministério Público acredita que apenas uma gestão externa temporária poderá garantir a transparência necessária para a recuperação da entidade.
Dentro de campo, o clima também é de instabilidade após a derrota na estreia do técnico Fernando Diniz, que colocou a equipe na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. A crise política se soma ao desempenho esportivo, aumentando a tensão entre torcedores e conselheiros no Parque São Jorge. O policiamento foi reforçado nas sedes do clube para evitar confrontos durante as reuniões administrativas.
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