O astrofísico Avi Loeb lançou um apelo direto aos bilionários e trilionários para investirem em pesquisa sobre fenômenos anômalos não identificados (UAPs). Em ensaio publicado há dois dias, o cientista argumenta que o avanço da inteligência artificial pode gerar riquezas sem precedentes para empreendedores da tecnologia, e que essa fortuna deveria financiar a busca por evidências de civilizações extraterrestres avançadas. Loeb destacou que Elon Musk e Jensen Huang tiveram seu patrimônio multiplicado por 60 vezes na última década.
O Projeto Galileo, iniciativa liderada por Loeb nos últimos cinco anos, utiliza observatórios com triangulação e inteligência artificial para rastrear e caracterizar objetos aéreos anômalos. A pesquisa também analisa materiais de potenciais meteoritos interestelares para determinar se possuem origem externa ao Sistema Solar e características tecnológicas. Segundo Loeb, o trabalho é essencial para avaliar com rigor científico a natureza dos UAPs relatados pelo Pentágono e agências de inteligência dos EUA.
Perspectiva cósmica guia objetivos de vida
Loeb refletiu sobre sua carreira e seus objetivos pessoais. Seu propósito inicial era ganhar apenas o necessário para comprar liberdade, tempo para dedicar-se ao trabalho criativo e minimizar tarefas administrativas. Aceitou cargos de liderança em Harvard e em âmbito nacional como forma de retribuir à comunidade que o acolheu, mas sempre retornava ao trabalho científico após completar essas responsabilidades.
O cientista ressaltou que nada supera o trabalho criativo. Recentemente, foi convidado para interpretar a si mesmo em um filme em produção chamado “O Guia de Sol Hershowitz para a Vida Extraterrestre”, ao lado de atores como Brandon Routh, Sarah Cooper e Mickey Rourke. Para Loeb, não existe privilégio maior do que ser autêntico, seja em um set de filmagem ou na vida real.
Humildade diante da vastidão cósmica
A perspectiva cósmica fornece ao cientista um senso profundo de humildade. A idade do Universo observável excede a expectativa de vida máxima humana em um fator de 100 milhões. Existem tantas estrelas na Via Láctea e tantas galáxias no Universo observável quanto o número de humanos que já viveram na Terra cerca de cem bilhões em ambos os casos.
Essa constatação transmite uma mensagem clara: os humanos não ocupam o lugar de destaque no palco cósmico e provavelmente não estão no topo da cadeia alimentar em termos cosmológicos. A civilização tecnológica enfrentará um apocalipse natural quando o Sol morrer, como ocorreu com civilizações que floresceram em torno de outras estrelas.
Busca por vestígios de civilizações antigas
A maioria das estrelas semelhantes ao Sol foi formada bilhões de anos antes do nosso. Os astrônomos observam seus restos mortais na forma de bilhões de anãs brancas espalhadas pelo cemitério da Via Láctea. A pergunta central é: onde estão as civilizações que poderiam ter florescido ao redor dessas estrelas mortas?
Quaisquer sobreviventes devem ter escapado de seu planeta natal. Alguns provavelmente se envolveram em viagens interestelares. Em vez de procurar apenas comunicações de rádio de civilizações jovens ainda na zona habitável de sua estrela-mãe, Loeb argumenta que os astrônomos deveriam buscar vestígios tecnológicos das “arcas de Noé” de civilizações antigas e tecnologicamente avançadas. Essas são as lições que a comunidade científica deveria priorizar.
Contudo, os astrônomos tradicionais focam na busca por micróbios enquanto a comunidade SETI concentra-se em sinais de comunicação de rádio. Essa abordagem diverge da que Loeb defende como mais promissora.
Projeto Galileo como ferramenta científica rigorosa
Nos últimos cinco anos, o Projeto Galileo trouxe a busca por objetos tecnológicos extraterrestres próximos da Terra para o escopo da ciência convencional de forma rigorosa e transparente. Os observatórios Galileo utilizam:
- Triangulação para detectar, rastrear e caracterizar objetos aéreos em três dimensões com confiabilidade
- Inteligência artificial para distinguir anomalias de tecnologias criadas pelo homem
- Análise de materiais de meteoritos potencialmente interestelares
- Avaliação científica rigorosa da natureza dos UAPs relatados por órgãos oficiais
O Projeto Galileo busca fortalecer a base empírica para distinguir fenômenos do Sistema Solar de eventos genuinamente anômalos associados a objetos tecnológicos extraterrestres próximos da Terra. Esse trabalho é considerado essencial pela comunidade científica.
Desafio do financiamento e plano contingencial
Até o momento, a capacidade do Projeto Galileo de atingir seus objetivos depende da generosidade de milionários e bilionários que o apoiam. Loeb questiona se cometeu um erro estratégico ao não se concentrar inicialmente em gerar riqueza que posteriormente financiaria os objetivos de sua pesquisa científica. O financiamento da pesquisa é um pré-requisito para avanços significativos na resposta à pergunta mais romântica da ciência: “Estamos sozinhos?”.
O cientista espera que indivíduos com patrimônio líquido extremamente alto invistam uma pequena parte de sua riqueza na busca pelos produtos tecnológicos dos vizinhos cósmicos. Não é necessário depender da desclassificação de vídeos de UAPs pela Casa Branca, descobertas pioneiras podem ser feitas simplesmente olhando para o céu com ferramentas adequadas.
Como realista, Loeb não nutre grandes expectativas. Considera também um “Plano B” caso a inteligência artificial traga um apocalipse tecnológico para a civilização nos próximos anos. Em vez de se mudar para um bunker subterrâneo, planeja se aposentar em uma cabana na floresta local, sem conexão com a internet. Conhece uma propriedade adequada: as fundações da cabana de Henry Thoreau perto do lago Walden, a apenas 16 quilômetros de sua residência atual.
