A Suíça confirmou nesta quarta-feira (6) o primeiro caso de infecção pela cepa andina de hantavírus fora da América do Sul e da África. Um passageiro do navio de cruzeiro MV Hondius foi hospitalizado em Zurique após testar positivo para o vírus. Ele procurou um hospital relatando sintomas da doença e foi imediatamente isolado. Sua esposa também entrou em isolamento por precaução, embora sem apresentar sinais da infecção até o momento.
O Ministério da Saúde suíço informou que o laboratório de referência dos Hospitais Universitários de Genebra confirmou tratar-se da variante americana do hantavírus. Este homem retornava de uma viagem à América do Sul no fim de abril e havia viajado no cruzeiro de luxo onde diversos casos foram registrados. Autoridades investigam o contato que o paciente teve com outras pessoas enquanto estava doente, mas avaliam que o risco para a população na Suíça é baixo.
Cepa transmissível entre humanos diferencia este surto
O ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, explicou a gravidade da situação em declarações a uma comissão parlamentar. “Os testes iniciais mostram que se trata, de fato, da cepa andina. Esta é a única, entre as 38 conhecidas, capaz de ser transmitida de uma pessoa para outra.” A capacidade de transmissão humana torna este surto excepcional no contexto global de doenças infecciosas.
Diferentemente dos hantavírus europeus, transmitidos pelas fezes de roedores infectados, a variante americana pode ser transmitida de pessoa para pessoa em situações de contato próximo. O Ministério da Saúde suíço ressaltou que esses casos de transmissão humana são raros, o que explica a avaliação de baixo risco para a população suíça neste momento. A transmissão, conforme informado, só ocorre em situações de contato próximo com pessoas infectadas.
Cruzeiro MV Hondius segue sob escrutínio internacional
O navio que se tornou foco do surto permanece com 88 passageiros e 59 tripulantes a bordo, representando 23 nacionalidades distintas. A embarcação seguia do extremo sul da Argentina para o arquipélago de Cabo Verde quando o surto foi detectado. Dois passageiros foram transferidos para Joanesburgo, na África do Sul: um morreu durante o tratamento, enquanto o outro permanece hospitalizado.
Três pessoas que viajaram a bordo do navio morreram no total, segundo a Organização Mundial da Saúde. Os óbitos incluem um casal holandês e uma mulher alemã. Cabo Verde informou que está em andamento uma operação para evacuar três pessoas infectadas para a capital, Praia, para receber tratamento especializado.
Negociações diplomáticas sobre destino do cruzeiro
Após anúncio da Organização Mundial da Saúde na terça-feira (5) de que o navio seguiria para um porto espanhol, o governo regional das Ilhas Canárias anunciou nesta quarta-feira sua oposição ao atracamento da embarcação. A decisão foi tomada após o Ministério da Saúde espanhol informar que a MV Hondius pretendia ancorar em Tenerife. O impasse diplomático reflete preocupações internacionais sobre o gerenciamento do surto e a possibilidade de disseminação do vírus em novos portos.
A expedição partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril e estava ancorada nas proximidades do porto da capital cabo-verdiana desde domingo. O cronograma da viagem enfrentou alterações significativas devido aos casos confirmados a bordo.
Fatos essenciais sobre o surto
- Três mortes confirmadas pela OMS entre passageiros do cruzeiro
- 147 pessoas a bordo (88 passageiros, 59 tripulantes) de 23 nacionalidades
- Cepa andina é a única entre 38 variantes conhecidas de hantavírus com transmissão pessoa a pessoa
- Dois casos evacuados para Joanesburgo, um óbito e um internado
- Um caso confirmado na Suíça em tratamento no Hospital Universitário de Zurique
- Espanha rejeita atracamento do navio nas Ilhas Canárias
- Transmissão ocorre apenas em contato próximo com pessoas infectadas
Protocolos sanitários em vigor
O Ministério da Saúde suíço destacou que as autoridades acompanham de perto a situação e consideram improvável o surgimento de novos casos no país. O paciente suíço e sua esposa permanecem sob vigilância contínua. As investigações prosseguem para identificar possíveis contatos de risco durante o período em que o homem estava infectado.
A confirmação da cepa andina representa a primeira detecção documentada desta variante transmissível entre humanos fora do continente americano em um contexto de viagem internacional. Os laboratórios de referência suíços e sul-africanos coordenam esforços para monitoramento epidemiológico da situação global.
