Corinthians é condenado a pagar R$ 3 milhões para ex-lateral Daniel Marcos

Daniel Marcos

Daniel Marcos - Ag.Corinthians

O Corinthians sofreu uma derrota nos tribunais e terá de indenizar o ex-lateral Daniel Marcos em mais de R$ 3 milhões. A decisão da Justiça do Trabalho, divulgada nesta quinta-feira, considera que o clube é responsável pelo fim precoce da carreira do atleta. O defensor anunciou a aposentadoria em janeiro deste ano, aos 23 anos. A defesa alegou que as sequelas de uma lesão sofrida na base impediram a continuidade no futebol. O clube paulista confirmou que pretende recorrer da sentença de primeira instância.

A disputa jurídica envolve o histórico médico do jogador desde dezembro de 2020. Na ocasião, Daniel Marcos rompeu os ligamentos do joelho direito durante um confronto entre Corinthians e Grêmio pelo Campeonato Brasileiro Sub-20. O processo detalha que o atleta passou por três intervenções cirúrgicas ao longo de quatro anos sem obter a recuperação plena. O valor total da condenação, somado aos honorários advocatícios e correções pela taxa Selic, deve ultrapassar a marca de R$ 3,5 milhões.

Trajetória de cirurgias e tentativas de retorno aos gramados

O drama físico do lateral começou logo após a assinatura de seu contrato profissional com o Corinthians. Após a primeira cirurgia, realizada semanas depois da lesão contra o Grêmio, o vínculo foi renovado até o final de 2024. O clube garantiu estabilidade ao jovem com salários de R$ 17 mil mensais. Contudo, as tentativas de ganhar ritmo de jogo em outros clubes evidenciaram a gravidade do problema clínico no joelho direito.

Durante os períodos de empréstimo, o jogador enfrentou novos reveses que agravaram sua situação física e psicológica. A defesa descreveu o processo de reabilitação como um período tortuoso para o jovem defensor. Sempre que ele tentava a transição para o campo, as dores limitavam os movimentos básicos.

  • Empréstimo ao Cianorte em 2022 terminou com nova lesão no mesmo joelho.
  • Retorno ao Parque São Jorge para a realização da segunda cirurgia reparadora.
  • Repasse ao Ferroviário em maio de 2023 com devolução em apenas 30 dias.
  • Constatação pelo departamento médico cearense de que não havia condições de jogo.
  • Terceira cirurgia realizada em junho de 2023 sob supervisão corintiana.

Rescisão contratual e decisão definitiva pela aposentadoria

O Corinthians optou por rescindir o contrato de Daniel Marcos em março de 2024, efetuando o pagamento de R$ 131 mil em verbas rescisórias na época. Livre no mercado, o lateral tentou uma última cartada no Resende, do Rio de Janeiro. No entanto, a incapacidade física persistiu e impediu que ele entrasse em campo de forma competitiva. Sem perspectivas de melhora, o anúncio oficial da interrupção da carreira ocorreu no início de 2026.

A condenação atual foca no lucro cessante e na perda de uma chance, conceitos jurídicos aplicados quando um profissional perde a capacidade de exercer seu ofício. O advogado Filipe Rino, representante de Daniel, inicialmente pleiteava uma indenização de R$ 5 milhões. A sentença fixou o valor principal em R$ 3 milhões, além de R$ 149 mil destinados aos honorários de sucumbência.

Argumentação jurídica e próximos passos do processo

O departamento jurídico do Corinthians fundamenta seu recurso na tese de que todos os procedimentos médicos necessários foram oferecidos ao atleta. O clube defende que prestou assistência durante as sucessivas recuperações e que as lesões fazem parte do risco inerente à profissão de jogador de futebol. Para o Timão, a responsabilidade civil por uma aposentadoria tão jovem exige provas de negligência que a diretoria nega terem ocorrido.

A justiça entendeu, por outro lado, que o nexo causal entre o acidente de trabalho no Sub-20 e a invalidez esportiva está configurado. O magistrado responsável pelo caso destacou que o atleta não possui mais condições de performar em alto rendimento. Com a correção monetária atrelada aos índices oficiais, o passivo do clube pode crescer enquanto o caso tramita nas instâncias superiores. O Corinthians vive um momento de reestruturação financeira e tenta evitar que novas dívidas trabalhistas impactem o fluxo de caixa da temporada.

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