O ex-goleiro Bruno Fernandes foi preso na noite da última quinta-feira (7) em São Pedro da Aldeia, Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A detenção encerra um período de dois meses em que o atleta era considerado foragido da Justiça. Um mandado de prisão havia sido expedido contra ele. Ele foi acusado de descumprir as condições de sua liberdade condicional, estabelecidas pela Vara de Execuções Penais.
A decisão judicial que levou à sua prisão provém de uma viagem que Bruno realizou ao Acre em fevereiro deste ano, onde atuou pelo Vasco-AC. Tal movimentação ocorreu sem autorização judicial. Essa ação configurou uma violação das regras estabelecidas para seu regime semiaberto. A Vara de Execuções Penais considerou a atitude como uma quebra grave das obrigações impostas ao ex-atleta. O retorno ao estado do Rio de Janeiro para o cumprimento do regime semiaberto também não foi efetuado no prazo determinado pela Justiça.
Descumprimento das condições de liberdade
Um mandado de prisão foi expedido no dia 5 de março. A Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro interpretou que o ex-jogador do Flamengo havia desrespeitado as normas de sua liberdade condicional. O regulamento judicial proibia Bruno de deixar o estado do Rio de Janeiro sem consentimento. Sua viagem ao Acre, portanto, representou uma infração direta a essa determinação.
A promotoria do Ministério Público havia solicitado à Vara de Execuções Penais (VEP) da Justiça do Rio que o goleiro Bruno cumprisse sua pena em regime fechado. Este pedido foi feito no dia 27 de março. A argumentação da promotoria apontou diversas violações. Bruno não atualizou seu endereço por três anos, ignorou horários de recolhimento e frequentou locais proibidos, como um jogo no Maracanã em fevereiro. Além disso, a viagem ao Acre e a presença em um estádio em Minas Gerais, ambas sem autorização judicial, foram citadas como agravantes em sua conduta.
Passagem polêmica pelo Vasco-AC
A estreia de Bruno pelo Vasco-AC aconteceu no dia 19 de fevereiro, no Estádio Arena da Floresta, em Rio Branco. Ele retornava ao cenário acreano após cinco anos, em um momento conturbado para o time. Naquela época, a equipe estava envolvida em uma controvérsia significativa, com quatro jogadores presos por acusação de estupro coletivo, embora eles negassem o crime. O goleiro havia sido regularizado no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na tarde do dia 18 de fevereiro.
Antes de sua apresentação oficial, Bruno já havia comparecido ao Campo da Fazendinha em 16 de fevereiro. Dias antes, ele publicou nas redes sociais imagens comemorando seu “retorno” ao Maracanã, mas desta vez como torcedor do Flamengo. A Justiça do Rio, por sua vez, concedeu um prazo de cinco dias, após a intimação, para que Bruno se apresentasse ao Conselho Penitenciário e regularizasse seu livramento condicional. Contudo, essa exigência não foi cumprida integralmente, levando à revogação do benefício.
Cronologia dos fatos
Os eventos que levaram à prisão do goleiro Bruno Fernandes seguiram uma sequência específica, marcada por suas ações e pelas decisões judiciais:
- 15 de fevereiro: Bruno viaja para o Acre sem autorização judicial.
- 16 de fevereiro: O goleiro se apresenta no Campo da Fazendinha, no Acre.
- 18 de fevereiro: Regularização de Bruno no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF.
- 19 de fevereiro: Bruno estreia oficialmente pelo Vasco-AC no Estádio Arena da Floresta.
- 5 de março: A Justiça do Rio de Janeiro expede mandado de prisão contra o atleta.
- 27 de março: Promotor do Ministério Público solicita à VEP o cumprimento da pena em regime fechado.
- 7 de maio: Bruno Fernandes é preso em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro.
Histórico de atuações no Acre
A passagem de Bruno pelo Acre em 2024 não foi a primeira do goleiro no estado. Em 2020, ele defendeu o Rio Branco-AC durante o segundo turno do Campeonato Acreano e também no Campeonato Brasileiro da Série D. Nesse período, Bruno disputou 18 jogos e marcou um gol. O gol ocorreu no empate de 1 a 1 com o Bragantino-PA, pela oitava rodada da Série D, na Arena Acreana.
A primeira experiência do goleiro no futebol acreano também foi permeada por controvérsias. Após o anúncio de sua contratação, uma rede de supermercados na capital suspendeu o patrocínio ao clube. A então técnica Rose Costa, que atuaria com o futebol feminino, desligou-se do Rio Branco-AC em protesto. Em setembro de 2020, Bruno foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica durante sua estadia no Acre, mas conseguiu uma liminar que o autorizava a retirar o dispositivo antes de treinos e jogos.
O goleiro deixou a capital acreana dias após a derrota do Vasco-AC para o Velo Clube-SP, pela primeira fase da Copa do Brasil. Naquela ocasião, o técnico Eric Rodrigues havia declarado que Bruno permaneceria no time até o encerramento da primeira fase do Campeonato Estadual, ao menos, indicando uma saída antecipada.
