Rússia amplia bloqueio à internet e ameaça desativar Telegram em breve
O governo russo intensificou o combate ao acesso irrestrito à internet, expandindo bloqueios a redes privadas virtuais e ameaçando desativar o Telegram, principal aplicativo de mensagens com cerca de 100 milhões de usuários no país. Apagões frequentes na rede móvel afetam cidades como Moscou e São Petersburgo, dificultando serviços básicos como chamadas de táxi, pagamentos e comunicações. A pressão regulatória sobre plataformas estrangeiras intensificou-se desde 2022, após a invasão da Ucrânia, com autoridades justificando as ações por razões de segurança nacional e combate ao terrorismo.
Bloqueio de VPN cresce 70% em um ano
O ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, anunciou que o objetivo é reduzir o uso de redes privadas virtuais para restringir o acesso a plataformas estrangeiras que não seguem a legislação russa. Até meados de janeiro, mais de 400 serviços desse tipo foram bloqueados, representando um aumento de 70% em relação ao final do ano anterior. A Apple removeu da App Store aplicativos que permitiam contornar a censura oficial, ampliando o cerco tecnológico.
Especialistas indicam que os apagões na internet móvel ainda não são totalmente sistemáticos por causa da estrutura descentralizada das redes. Previsões apontam para bloqueios mais rotineiros em Moscou, já que autoridades possuem tecnologia capaz de impor interrupções simultâneas em todo o território nacional. Observadores comparam o cenário a práticas adotadas em outros países com controles rigorosos sobre comunicações.
População recorre a alternativas analógicas
- Vendas de walkie-talkies, telefones fixos e pagers aumentaram em várias regiões.
- Mapas impressos e antigos tocadores de mp3 ganham espaço entre instabilidades de internet.
- Moradores de grandes centros urbanos adaptam rotinas básicas quando serviços online falham.
A busca por opções fora do ambiente digital impulsionou a procura por equipamentos de comunicação analógica. Cidadãos recorrem a esses itens para manter atividades essenciais quando a conectividade falha de forma repentina. Essas mudanças refletem adaptações práticas diante das limitações impostas pelo governo.
Telegram enfrenta ameaça de bloqueio total
O Telegram permanece como último aplicativo de alcance amplo, servindo como ferramenta essencial para soldados em operações na Ucrânia se comunicarem com famílias e para prefeituras alertarem sobre riscos próximos a zonas de conflito. Desenvolvido por Pavel Durov, o app enfrenta redução de velocidade e bloqueios parciais. Autoridades mencionaram tentativas de acordo para impor custos extras em casos de tráfego internacional elevado, com um bloqueio completo podendo ocorrer em breve.
Vídeos circulam mostrando soldados pedindo que o Kremlin reconsidere as medidas contra o aplicativo. O governador de Belgorod criticou interrupções que, segundo ele, causam mortes desnecessárias na região fronteiriça. Na câmara baixa do Parlamento, uma proposta para exigir justificativas sobre o bloqueio recebeu 77 votos favoráveis, mas foi rejeitada por 102 contrários. Manifestações contra as restrições resultaram em prisões recentes em Moscou.
Aplicativo estatal Max é promovido como alternativa
O aplicativo Max, desenvolvido pela agência russa de telecomunicações, é apresentado como opção confiável e pré-instalado em dispositivos vendidos no país. Ele integra serviços públicos e mensagens em uma única plataforma. O ministro Shadayev utilizou o próprio app para anunciar as medidas contra redes privadas virtuais. Críticos apontam preocupações com vigilância, mas o governo defende que a ferramenta respeita todas as normas locais de segurança.
Restrições se intensificam desde invasão da Ucrânia
Após o início da invasão em 2022, leis repressivas ampliaram a censura e o papel de órgãos de segurança. A Meta foi classificada como organização extremista, levando ao bloqueio de suas plataformas. Restrições posteriores atingiram o WhatsApp e reduziram o funcionamento do Telegram. Apagões seletivos na internet móvel ocorrem em diferentes cidades e regiões, com autoridades relacionando parte das interrupções à necessidade de combater drones ucranianos.
O desconforto aparece em declarações de figuras públicas e em tentativas de debate no Parlamento. Pedidos de autorizações para concentrações contra as limitações foram negados, mas protestos pontuais ocorreram mesmo assim. O presidente ucraniano Volodimir Zelenski comentou ironicamente sobre o possível retorno a métodos de comunicação do passado.
O cerco a plataformas estrangeiras faz parte de um esforço maior de soberania tecnológica, com bloqueios de redes privadas virtuais visando limitar contornos às regras impostas. Especialistas monitoram como essas ações afetam diferentes grupos, desde civis em grandes cidades até militares em áreas de operação. O cenário evolui com novas regulações e respostas técnicas da população, enquanto serviços essenciais dependentes de conectividade sofrem com as instabilidades crescentes.
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