O presidente da Fifa, Gianni Infantino, justificou nesta terça-feira os valores elevados dos ingressos para a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, argumentando que os preços seguem o padrão praticado no mercado de entretenimento americano. A defesa foi apresentada durante sua participação no Milken Institute Global Conference, em Beverly Hills, na Califórnia, em resposta às críticas de torcedores sobre os custos dos bilhetes e a especulação no mercado de revenda.
O torneio será realizado entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, com sedes distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México. Muitos ingressos da fase de grupos ainda estão disponíveis para compra, com valores variando de US$ 380 a US$ 4.105 conforme a categoria. Infantino destacou que aproximadamente 25% dos bilhetes custam menos de US$ 300, buscando demonstrar que existem opções mais acessíveis para o público.
Estratégia de preços dinâmicos no mercado americano
Infantino comparou os valores da Copa 2026 com o padrão de eventos esportivos nos Estados Unidos, onde ingressos para jogos universitários e profissionais raramente custam menos de US$ 300. Segundo o dirigente, a Copa do Mundo, como maior competição de futebol do planeta, justifica patamares similares ou superiores aos praticados no entretenimento americano. A estratégia adotada pela Fifa reflete a realidade do mercado de alto valor nos Estados Unidos, onde eventos de grande magnitude comandam preços elevados.
O modelo de preços dinâmicos permite que a entidade capture a máxima receita em mercados com alto poder de consumo. Infantino argumentou que se a Fifa fixasse valores muito baixos nos bilhetes originais, os preços no mercado secundário seriam ainda maiores, tornando o acesso ainda mais restritivo para torcedores interessados em revender ou adquirir ingressos posteriormente.
Mercado secundário e legislação americana
A legislação dos Estados Unidos permite a revenda de ingressos, fator que Infantino utiliza para justificar os preços oficiais mais altos. Recentemente, quatro ingressos para a final de 19 de julho foram listados na plataforma oficial de revenda da Fifa por quase US$ 2,3 milhões cada. O dirigente minimizou o impacto dessas ofertas milionárias, afirmando que nem sempre alguém realmente paga aqueles valores anunciados.
- A Fifa recebe 15% de taxa tanto na compra quanto na revenda de ingressos através de sua plataforma oficial.
- A entidade não define os preços pedidos pelos vendedores no mercado secundário, apenas coleta comissões sobre as transações.
- Bilhetes da fase de grupos variam entre US$ 380 e US$ 4.105 conforme a categoria de acesso.
- Aproximadamente 25% dos ingressos têm preço inferior a US$ 300, segundo dados da Fifa.
A Fifa não controla os valores praticados no mercado secundário, apenas arrecada comissões sobre as transações realizadas em sua plataforma. Infantino mantém que a estratégia de preços reflete a realidade econômica do mercado de entretenimento americano, onde eventos de grande magnitude e apelo comercial comandam valores elevados.
Financiamento do desenvolvimento global do futebol
Infantino argumentou que a receita gerada pela Copa do Mundo ajuda a financiar o desenvolvimento do futebol em todo o mundo. A Copa de 2026 representa uma oportunidade significativa de arrecadação para a entidade, especialmente pela sediação nos Estados Unidos, maior mercado de entretenimento global. O dirigente prometeu, em tom irônico, levar cachorro-quente e refrigerante para quem pagasse US$ 2 milhões por um ingresso, sugerindo que os preços especulativos no mercado secundário não refletem necessariamente o valor real do produto.
Infantino mantém o foco na expansão comercial do evento, considerando a Copa 2026 como plataforma para gerar receitas recordes. A entidade já havia defendido anteriormente a adoção de preços dinâmicos como estratégia para maximizar ganhos em países com alto poder de consumo, consolidando um modelo de negócio que prioriza a receita máxima em mercados de grande valor econômico.
Disponibilidade de ingressos e comparação com edições anteriores
A maioria dos bilhetes da fase de grupos permanece à venda no site oficial da Fifa, com a seção de vendas de última hora continuando ativa. Torcedores encontram opções em várias faixas de preço, desde categorias mais acessíveis até premium. A entidade liberou lotes de ingressos em fases diferentes desde setembro de 2025, permitindo que o público acompanhasse a disponibilidade gradualmente.
Comparando com a Copa anterior, realizada no Catar em 2022, os ingressos da final tinham preço máximo de cerca de US$ 1.600 na categoria mais cara, enquanto para 2026 os valores oficiais subiram significativamente. A final de 2026 será disputada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e os preços mais altos concentram-se em categorias premium e jogos com maior apelo comercial, refletindo a estratégia de maximização de receita em mercado americano.

