Passageiros do cruzeiro MV Hondius começaram o desembarque em Tenerife, nas Ilhas Canárias, neste domingo (10) após semanas de impasse com autoridades espanholas. O navio registra oito casos notificados de hantavírus, com três óbitos confirmados. A operação iniciou por volta das 5h30 da manhã no porto de Granadilla, com todos os viajantes assintomáticos conforme avaliações médicas. Um plano rigoroso de contingência foi ativado para garantir o transporte isolado dos passageiros até o aeroporto, facilitando a repatriação organizada pelos países de origem sob vigilância sanitária contínua.
Operação de desembarque em Tenerife com protocolo de isolamento
O primeiro grupo a deixar a embarcação foi composto por 14 cidadãos espanhóis, transferidos rapidamente para barcos menores e depois em veículos isolados até o aeroporto de Tenerife Sul. Um avião militar os levou a Madri para quarentena no Hospital Gómez Ulla. Autoridades locais e especialistas em saúde coordenaram a logística complexa, garantindo fluidez e segurança do processo. A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, confirmou à imprensa local a normalidade do procedimento, enfatizando a necessidade de permitir que as equipes trabalhem com eficácia apesar dos desafios burocráticos e sanitários.
Após a evacuação dos espanhóis, a repatriação prosseguiu com passageiros de outras nacionalidades, como alemães, belgas e gregos, que embarcaram em voos fretados pela Holanda, país responsável pela organização de parte do transporte internacional. Os cinco passageiros franceses foram evacuados em voo médico especialmente fretado para a França, onde cumprem quarentena hospitalar obrigatória de 72 horas para avaliação médica completa, seguida de isolamento domiciliar de 45 dias sob monitoramento das autoridades de saúde francesas.
Protocolos sanitários rigorosos em toda a operação
Cada indivíduo que deixou o MV Hondius foi instruído a usar máscaras FFP2 de alta proteção. As equipes de saúde e segurança envolvidas na transferência estavam devidamente equipadas com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), reforçando a barreira contra qualquer possível transmissão. Quatro especialistas em gerenciamento de emergências sanitárias já estavam a bordo do navio desde o início da semana, supervisionando continuamente a situação de saúde e implementando as diretrizes de contenção estabelecidas.
- Transferência imediata dos passageiros do navio para embarcações de apoio.
- Condução em veículos especialmente designados e isolados até o aeroporto local.
- Embarque em voos de repatriação fretados conforme a nacionalidade de cada viajante.
- Acolhimento em instalações de quarentena monitoradas ou isolamento domiciliar conforme determinações de saúde de cada país.
- Monitoramento contínuo da saúde dos repatriados durante o período de isolamento obrigatório.
Organização Mundial da Saúde descarta risco de disseminação local
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu comunicado afirmando que o risco de disseminação do hantavírus para a população local das Ilhas Canárias é considerado baixo. A entidade diferenciou claramente a situação atual de eventos pandêmicos anteriores, expressando que “não é outra Covid-19” para tranquilizar a população global e local sobre a natureza e o potencial de contágio do vírus. O hantavírus tipicamente não se transmite de pessoa para pessoa em condições normais. Os registros no navio apontam para oito casos notificados, com seis confirmações laboratoriais e três mortes associadas ao surto viral.
Impasse político e intervenção do governo central espanhol
A autorização final para o desembarque do MV Hondius em Tenerife só foi concedida após intenso debate e resistência do governo regional das Ilhas Canárias. As autoridades locais expressaram preocupações significativas sobre a capacidade logística e de infraestrutura de saúde para gerenciar uma crise sanitária dessa complexidade. O governo central da Espanha interveio e determinou que o cruzeiro fosse recebido, priorizando a situação humanitária e sanitária dos passageiros a bordo, que já estavam em alto mar há dias.
A ministra Mónica García foi figura-chave na defesa da decisão governamental, salientando a responsabilidade de acolher os cidadãos espanhóis e a necessidade premente de ação coordenada. A chegada do navio foi marcada pela presença de autoridades de alto nível, incluindo o presidente das Ilhas Canárias, Clavijo, a ministra García e a delegada do governo, Barcones, acompanhados por membros do consulado holandês, evidenciando a complexidade diplomática e mobilização internacional envolvida neste delicado processo.
Suporte psicológico integrado à operação de repatriação
Uma estrutura robusta de apoio emocional e psicológico foi estabelecida paralelamente aos cuidados médicos e logísticos, especialmente para os passageiros espanhóis. O Ministério da Saúde organizou operação abrangente com psiquiatra especializado em intervenções em emergências de saúde mental integrando a equipe de recepção em terra desde o primeiro momento do desembarque. Os passageiros repatriados para Madri têm acesso contínuo e irrestrito a atendimento telefônico especializado durante todo o período de internação hospitalar para quarentena, assegurando acompanhamento constante que minimiza o impacto psicológico de uma situação de emergência sanitária prolongada e do isolamento forçado.

