Fifa reúne Irã em Zurique para resolver vistos e segurança antes da Copa 2026

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Troféu da Copa do Mundo FIFA de 2026 Foto: Troféu da Copa do Mundo FIFA de 2026 - Djem/ shutterstock.com

A Fifa convocou a federação de futebol do Irã para uma reunião presencial em Zurique, na Suíça, no dia 20 de maio, apenas três semanas antes do início da Copa do Mundo de 2026. O encontro, coordenado pelo secretário-geral Mattias Grafström, busca resolver questões críticas de vistos, segurança e logística para a participação da seleção iraniana no torneio. O presidente Gianni Infantino reafirmou publicamente o compromisso da entidade em garantir a presença do time no campeonato. A convocação surge após um impasse diplomático grave durante o Congresso da Fifa em Vancouver, quando o Canadá negou entrada ao presidente da federação iraniana, Mehdi Taj.

Impasse diplomático em Vancouver prejudica delegação iraniana

O governo canadense impediu a entrada de Mehdi Taj em seu território, citando supostas ligações históricas com a Guarda Revolucionária do Irã. A decisão impossibilitou sua participação nos congressos da AFC e da própria Fifa, tornando a delegação iraniana a única ausente entre todos os países membros. Embora dois outros representantes tivessem autorização para entrar, o grupo optou por retornar ao Irã em solidariedade ao presidente vetado. O episódio criou um clima de incerteza sobre a capacidade de o Irã participar normalmente da Copa nos Estados Unidos, país com o qual não mantém relações diplomáticas.

Zurique como campo neutro para resolver pendências burocráticas

A escolha da sede da Fifa na Suíça serve como território neutro para contornar as barreiras diplomáticas. A pauta principal envolve garantir o trânsito seguro de dirigentes, técnicos e jogadores até os Estados Unidos. O Irã terá seus jogos realizados em solo americano, o que gera preocupação de que o Departamento de Estado dos EUA siga o exemplo canadense e restrinja vistos para membros da federação. A Fifa teme que obstáculos administrativos prejudiquem a preparação técnica da seleção nas semanas anteriores ao torneio.

O planejamento prevê o desembarque da delegação iraniana até 10 de junho, cumprindo o prazo regulamentar. A equipe reservou um centro de treinamentos em Tucson, no Arizona, para aclimatação antes da estreia. Sem garantias de vistos para os gestores, toda essa logística fica em risco. A reunião de 20 de maio é considerada o último grande esforço diplomático antes da viagem oficial para a América do Norte.

Calendário apertado e penalidades milionárias em caso de desistência

A estreia iraniana está marcada para 15 de junho contra a Nova Zelândia, em Los Angeles. Qualquer desistência ou ausência envolve penalidades severas estabelecidas pela Fifa. O regulamento prevê multas e obrigações financeiras rigorosas para seleções que se retirem da competição.

  • Multas mínimas de 250 mil francos suíços (aproximadamente R$ 1,6 milhão) para desistências até 30 dias antes da abertura.
  • Valor da multa dobrado caso a retirada ocorra a menos de um mês da partida inaugural.
  • Reembolso obrigatório de todos os custos operacionais já investidos pela Fifa no país.
  • Possibilidade de exclusão de competições futuras conforme análise do Comitê Disciplinar.
  • Perda imediata da vaga, com substituição decidida exclusivamente pela Fifa.

Essas penalidades refletem a importância de manter a integridade do calendário de um torneio de escala global. A Fifa monitora rigorosamente o cumprimento de todas as etapas para evitar vazios na tabela de jogos e prejuízos financeiros aos patrocinadores e torcedores que já adquiriram ingressos.

Tensões geopolíticas e diplomacia esportiva em teste

O contexto é complexo devido ao estado de conflito indireto entre Irã e Estados Unidos. Recentemente, a seleção iraniana realizou homenagens públicas a vítimas de ataques, elevando a temperatura política em torno dos jogos. Infantino tem reiterado que o futebol deve permanecer apartado de questões militares, mas o veto canadense demonstrou que as barreiras migratórias são reais e podem se repetir. A reunião de 20 de maio representa um teste crítico da capacidade da diplomacia esportiva em superar tensões entre nações.

A federação internacional não revelou quem serão os interlocutores além de Mehdi Taj, mas espera-se uma delegação completa na Suíça. O objetivo central é obter garantias do governo americano de que não haverá interferência política na entrada de atletas e comissão técnica. Caso ocorra uma desistência forçada por falta de vistos, a Fifa enfrentará um problema jurídico e técnico sem precedentes para resolver em menos de duas semanas. Até o momento, a federação iraniana não se manifestou oficialmente sobre o convite para Zurique.

Próximos passos e expectativas até o início do torneio

A administração do centro de treinamentos em Tucson aguarda confirmações finais. A movimentação de uma seleção de futebol envolve centenas de profissionais, entre segurança, logística de equipamentos e estafe médico. Qualquer atraso na reunião de Zurique pode gerar efeito cascata em contratos já assinados com fornecedores locais no Arizona. A expectativa é que, após 20 de maio, uma nota oficial conjunta seja divulgada para acalmar patrocinadores e torcedores que já adquiriram ingressos para o jogo em Los Angeles. O mundo do esporte observa se a diplomacia conseguirá superar as tensões geopolíticas envolvidas nesta Copa do Mundo.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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