O Grupo Toky, controlador das redes Mobly e Tok&Stok, protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A dívida total declarada chega a cerca de R$ 1,1 bilhão. A empresa informou a medida nesta terça-feira, 12 de maio, por meio de comunicado à Comissão de Valores Mobiliários.
A decisão ocorre após meses de tentativas de reestruturação. Juros elevados, restrição de crédito e queda nas vendas de bens duráveis pressionaram o caixa. A companhia mantém as operações em andamento enquanto busca acordo com credores.
Pedido protocolado em São Paulo
A petição foi apresentada na 1ª Vara Empresarial da capital paulista. O processo tramita em segredo de justiça. O Grupo Toky solicitou a suspensão de cobranças por 180 dias, o chamado stay period. Essa medida permite negociar dívidas sem risco imediato de execução.
Além disso, a empresa pediu a liberação de R$ 77 milhões retidos em vendas no cartão de crédito pela SRM Bank. Esses recursos seriam essenciais para cobrir folha de pagamento de mais de 2 mil funcionários e custos operacionais básicos. A administração argumenta risco de dano irreparável às atividades caso o bloqueio persista.
Motivos citados pela companhia
O setor de móveis e decoração sofre desde a pandemia. O grupo fechou mais de 17 lojas da Tok&Stok nesse período. Inflação persistente e endividamento das famílias reduziram o consumo de itens como sofás, mesas e colchões.
O comunicado destaca que negociações prévias com credores da Tok&Stok não evitaram o crescimento do endividamento. Em 2023, houve tentativa de reorganizar R$ 339 milhões em dívidas bancárias e aporte de R$ 100 milhões dos acionistas. Mesmo assim, o caixa continuou pressionado.
- Dívida total declarada: cerca de R$ 1,1 bilhão
- Valores retidos no cartão: R$ 77 milhões
- Funcionários impactados diretamente: mais de 2 mil
- Lojas fechadas desde a pandemia: mais de 17
- Período de stay period solicitado: 180 dias
Histórico da fusão e desafios recentes
A Mobly assumiu o controle da Tok&Stok em novembro de 2024, com 61,1% de participação. A união criou o Grupo Toky, uma das maiores plataformas de varejo de casa e decoração da América Latina. A operação combinou canais físicos e digitais.
Nos últimos meses, saíram dois conselheiros: Fernando Porfirio Borges e Felipe Fonseca Pereira. Quatro fundos da SPX Capital negociam a venda total de sua participação, incluindo ações e bônus. Essas mudanças ocorrem em paralelo ao pedido judicial.
O grupo também reúne a marca Guldi, de colchões. A estrutura abrange megastores, outlets e operações online. Fundada em 2011, a Mobly começou com foco em e-commerce e expandiu para lojas físicas. A Tok&Stok, de 1978, trouxe tradição em móveis modulares acessíveis.
O que a recuperação judicial permite
O mecanismo oferece proteção para renegociar obrigações. A empresa continua funcionando normalmente e preserva contratos essenciais. Logística, sistemas digitais, energia e abastecimento de água devem ser mantidos.
Credores incluem instituições financeiras, empresas de tecnologia e concessionárias de serviços. A companhia planeja apresentar plano de recuperação em prazo legal. O objetivo é equilibrar o balanço e retomar crescimento sustentável.
Impacto no mercado e próximos passos
As ações da Toky (TOKY3) caíram forte após o anúncio. O volume de negócios aumentou e os papéis entraram em leilão por oscilação. Analistas acompanham o desfecho do processo para avaliar potencial diluição ou recuperação de valor.
A Justiça deve analisar o deferimento inicial do pedido. Em paralelo, assembleia de acionistas deve ratificar a medida. O Grupo Toky reforça que a iniciativa visa preservar empregos e operações em todo o país.
