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Textor e Montenegro trocam ataques e ex-presidente cita SAF 171 no Botafogo

John Textor
Foto: John Textor - Vitor Silva / Botafogo

O clima de rivalidade nos bastidores do Botafogo atingiu um novo patamar de tensão nesta segunda-feira. John Textor, dono da SAF alvinegra, e o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro trocaram acusações graves e ironias públicas. O americano rebateu críticas recentes e desafiou o ex-dirigente a investir nos Estados Unidos. A disputa envolve o legado dos títulos de 2024 e o controle financeiro do clube.

A crise ganhou contornos de guerra pessoal após meses de distanciamento entre as partes. Textor acusa Montenegro de liderar uma campanha de difamação nos bastidores. Por outro lado, o ex-presidente questiona a saúde financeira da gestão atual e o endividamento da associação. O racha ocorre pouco tempo depois de o clube atingir o topo do futebol sul-americano.

John Textor entre João Paulo Magalhães e Durcesio Mello
John Textor entre João Paulo Magalhães e Durcesio Mello – Vítor Silva/Botafogo

Textor desafia ex-dirigente a conquistar títulos na NFL

O empresário americano reagiu com sarcasmo às declarações de Montenegro, que o chamou de covarde em entrevistas recentes. John Textor utilizou um exemplo de sua terra natal para confrontar o ex-aliado. Ele sugeriu que o brasileiro comprasse o Dallas Cowboys, uma das maiores franquias da liga de futebol americano (NFL). O objetivo seria provar que Montenegro consegue vencer um Super Bowl fora de seu ambiente habitual.

Textor ressaltou que mudou de país e aprendeu uma nova cultura para gerir o Alvinegro. Ele afirmou que nunca foi covarde em suas decisões empresariais ou esportivas. O dono da SAF lembrou que convidou Montenegro para a cerimônia do Ballon D’Or em Paris, mas o brasileiro não compareceu. Para o americano, o ex-presidente trabalha contra a sua liderança desde os primeiros meses após as conquistas de 2024.

  • Troca de farpas começou após vazamento de áudios com críticas à SAF
  • Textor afirma que Montenegro tenta apagar o sucesso recente da gestão
  • Ex-presidente faltou a eventos oficiais de premiação do clube em 2025
  • Americano nega priorizar o Lyon em detrimento do Botafogo
  • Relacionamento entre clube social e empresa está em ponto crítico

Montenegro cita SAF 171 e critica aumento de dívida

A resposta de Carlos Augusto Montenegro foi imediata e carregada de termos técnicos e jurídicos. O ex-dirigente ironizou a proposta de uma “versão 2.0” da SAF apresentada por John Textor. De acordo com Montenegro, o projeto não passa de uma estratégia para ampliar as dívidas do clube social. Ele utilizou o número 171, referência ao crime de estelionato, para definir o plano do americano.

O ex-presidente detalhou que a proposta de aumentar a fatia do social na SAF de 10% para 20% é uma armadilha financeira. Ele explicou que isso elevaria a responsabilidade sobre a dívida, que hoje beira os R$ 2,7 bilhões. Montenegro garantiu que ninguém na associação tem interesse em assumir tal passivo. Para ele, a gestão de Textor está deixando um rastro de insegurança jurídica e financeira para o futuro.

A acusação de arrogância também pautou o discurso do ex-mandatário. Ele afirmou que Textor usa canais de comunicação de forma imoral para atacar quem discorda de suas ideias. Montenegro negou que manipule a imprensa ou influenciadores contra o investidor. O ex-dirigente se definiu apenas como um torcedor que está preocupado com o rumo da instituição. Ele lembrou que, no passado, chegou a celebrar o americano como um herói, mas que o cenário mudou.

Disputa judicial e bloqueios complicam cenário político

O embate entre os dois líderes ocorre em um momento de incerteza nos tribunais. A Justiça suspendeu novamente os direitos políticos da Eagle Bidco, holding de Textor, dentro do clube. Essa decisão reafirma Durcesio Mello no poder do lado associativo e enfraquece a influência direta do americano em certas decisões. A briga com Montenegro é vista como um reflexo dessa instabilidade política.

Textor alega que “engraxou os sapatos” do ex-presidente no passado para tentar incluí-lo no projeto. Ele se diz ofendido pela forma como as críticas surgiram logo após os primeiros desafios de 2025. O investidor mantém o discurso de que o Botafogo é o seu clube favorito no grupo multiclubes. No entanto, a pressão por resultados e a transparência nas contas seguem como principais armas de Montenegro.

Abaixo, os pontos centrais do conflito de gestão:

  • Valor da dívida citado por Montenegro chega a R$ 2,7 bilhões atualmente
  • Proposta da SAF 2.0 elevaria participação do social para 20% das ações
  • Direitos políticos da Eagle Bidco seguem suspensos por decisão judicial recente
  • Textor afirma que Montenegro envia mensagens depreciativas para jornalistas há meses

O cenário para as próximas semanas é de monitoramento intenso por parte da torcida. Enquanto o time busca manter a competitividade em campo, a diretoria precisa lidar com o desgaste de imagem. A guerra pública entre o dono da SAF e o maior nome da história política recente do clube não tem previsão de trégua. O impacto dessa crise na busca por novos investidores ou patrocínios ainda é incerto no Rio de Janeiro.