Espuma tóxica recompõe-se no Tietê; poluição da Grande São Paulo é culpada

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Espuma Branca Rio Tietê Foto: Espuma Branca Rio Tietê - Reprodução Globo

Camadas de espuma branca cobriram novamente o Rio Tietê em Salto, no interior de São Paulo, na manhã desta quarta-feira. O fenômeno se estende pela cachoeira, principal ponto turístico da cidade, atraindo curiosos apesar do aviso de toxicidade. A Defesa Civil alertou que o contato com a pele e os olhos pode causar irritação.

O ciclo recente de estiagem seguido de chuvas no domingo intensificou a vazão das águas. Nas corredeiras de Salto, onde a movimentação é maior, essas condições favorecem a formação de espuma. O cinegrafista Daniel Santos documentou a cena e relatou que o fenômeno persiste desde terça-feira à noite. “O rio está assim, todo cheio de espuma, desde a tarde de ontem. Normalmente acontece no inverno, quando o rio está muito baixo. Este ano a espuma veio mais cedo”, descreveu.

Origem da poluição concentrada na região metropolitana

A prefeitura de Salto atribui o fenômeno ao despejo de resíduos sem tratamento na Grande São Paulo. Detergentes, matéria orgânica e outros poluentes lançados no Tietê a montante chegam às quedas d’água e produzem a espuma visível. O município reforça que o problema se repete anualmente e só cessaria se cidades da região metropolitana interrompessem os lançamentos irregulares.

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) confirmou que o período de estiagem contribuiu para concentrar os poluentes já presentes no rio. Com as chuvas subsequentes e o aumento da vazão nas corredeiras, a formação de espuma se intensificou. A companhia monitora continuamente a situação.

Surfactantes como principal componente

Segundo a SOS Mata Atlântica, as espumas resultam de surfactantes — substâncias presentes em detergentes, shampoos e produtos de limpeza. Esses compostos chegam ao Tietê via sistema de esgoto da região metropolitana, especialmente da zona do Alto Tietê. O acúmulo ocorre em trechos onde há quedas d’água e concentração de poluentes.

O fenômeno é recorrente quando o nível do rio baixa e há maior concentração de resíduos. A capacidade de diluição diminui, intensificando a visibilidade e a toxicidade da espuma.

Recomendações de segurança

A Defesa Civil recomenda que moradores e turistas não se aproximem das áreas com concentração de espuma. A irritação em pele e olhos é o principal risco identificado. O contato prolongado pode agravar o desconforto.

Informações sobre o monitoramento:

  • Cetesb acompanha continuamente a qualidade das águas
  • Secretaria de Meio Ambiente de Salto participa de reuniões nos Comitês da Bacia
  • Programa Integra Tietê implementa medidas de curto, médio e longo prazo
  • Governo de São Paulo coordena iniciativas para melhoria da qualidade hídrica

Histórico recorrente em Salto

O fenômeno não é novo em Salto. Ocorre sazonalmente, sobretudo durante períodos de estiagem quando o rio está baixo. Este ano, segundo relatos locais, a espuma chegou mais cedo que o habitual. A cachoeira, que atrai visitantes pela beleza natural, torna-se cenário de preocupação ambiental quando a espuma surge.

A prefeitura reconhece que a solução estrutural exige ação coordenada de toda a região metropolitana. Sem redução dos lançamentos de esgoto na bacia hidrográfica do Tietê, a situação permanecerá cíclica. As medidas em curso visam reduzir essa frequência.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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