Espuma tóxica volta a cobrir cachoeira de Salto; Grande São Paulo é responsável

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Espuma Branca Rio Tietê Foto: Espuma Branca Rio Tietê - Reprodução Globo

O Rio Tietê apresentou novamente camadas densas de espuma branca na cachoeira de Salto, no interior paulista, na manhã de quarta-feira. O fenômeno se estende pelos corredores da queda d’água, principal atração turística da região, atraindo curiosos apesar dos alertas de risco. A Defesa Civil orientou que o contato direto com a pele e olhos provoca irritação imediata e desconforto prolongado.

O ciclo recente de estiagem seguido por chuvas no domingo ampliou a vazão das águas do rio. Nas corredeiras de Salto, onde a movimentação é mais intensa, essas condições aceleram a formação de espuma. Cinegrafista que documentou a cena relatou persistência do fenômeno desde terça-feira à noite. O padrão sazonal se repete, mas este ano chegou mais cedo que o esperado pelos moradores locais.

Resíduos da região metropolitana alimentam a poluição

A prefeitura de Salto atribui o surgimento da espuma ao despejo contínuo de resíduos sem tratamento adequado nas cidades da Grande São Paulo. Detergentes, matéria orgânica e outros contaminantes lançados no Tietê a montante chegam às quedas d’água e geram a espuma visível. O município reforça que o ciclo se repete anualmente e só seria interrompido se a região metropolitana cessasse os lançamentos irregulares de esgoto.

A Cetesb confirmou que o período de estiagem concentrou os poluentes já presentes no rio. Com as chuvas subsequentes e o aumento da vazão nas corredeiras, a formação de espuma se intensificou significativamente. A companhia mantém monitoramento contínuo da situação e acompanha variações na qualidade das águas.

Surfactantes: o principal culpado da espuma

Segundo a SOS Mata Atlântica, as espumas resultam de surfactantes, substâncias presentes em detergentes, shampoos e produtos de higiene pessoal. Esses compostos chegam ao Tietê via sistema de esgoto da região metropolitana, especialmente da zona do Alto Tietê. O acúmulo ocorre em trechos com quedas d’água e concentração elevada de poluentes.

O fenômeno se intensifica quando o nível do rio baixa e há maior concentração de resíduos. A capacidade natural de diluição diminui, aumentando a visibilidade e a toxicidade da espuma. Períodos de estiagem prolongada agravam o problema de forma exponencial.

Medidas de proteção e monitoramento ambiental

A Defesa Civil recomenda que moradores e turistas evitem aproximação das áreas com concentração de espuma. A irritação em pele e olhos representa o principal risco identificado. O contato prolongado pode agravar significativamente o desconforto e exigir atendimento médico.

  • Cetesb realiza acompanhamento contínuo da qualidade das águas do Tietê
  • Secretaria de Meio Ambiente de Salto participa de reuniões nos Comitês da Bacia Hidrográfica
  • Programa Integra Tietê implementa medidas de curto, médio e longo prazo para recuperação
  • Governo de São Paulo coordena iniciativas estaduais para melhoria da qualidade hídrica

Problema recorrente exige solução estrutural

O fenômeno não é novo em Salto. Ocorre sazonalmente, sobretudo durante períodos de estiagem quando o rio está com nível baixo. Este ano, segundo relatos de moradores, a espuma chegou mais cedo que o habitual, indicando piora nas condições ambientais. A cachoeira, que atrai visitantes pela beleza natural, torna-se cenário de preocupação ambiental quando a espuma surge.

A prefeitura reconhece que a solução estrutural exige ação coordenada de toda a região metropolitana. Sem redução dos lançamentos de esgoto na bacia hidrográfica do Tietê, a situação permanecerá cíclica e se repetirá anualmente. As medidas em curso visam reduzir a frequência do fenômeno e melhorar a qualidade geral das águas do rio.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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