A gravação de um vídeo promocional para a música “Dai Dai” reuniu a cantora colombiana Shakira e o coletivo Dance Maré no Maracanã no dia 30 de abril, sob sigilo total. O material, que será divulgado nas redes sociais, marca a continuação de uma parceria que começou de forma orgânica durante a Copa do Mundo de 2022, quando o grupo carioca viralizou com um cover de “Waka Waka”.
A faixa “Dai Dai”, lançada oficialmente nesta quinta-feira (14), é uma colaboração entre Shakira e o artista nigeriano Burna Boy, criada especificamente para a Copa do Mundo de 2026. Dois dias antes da gravação no Maracanã, o Dance Maré havia dividido o palco com a colombiana em um show histórico na Praia de Copacabana que reuniu aproximadamente 2 milhões de pessoas.
Os detalhes da produção internacional
O convite para participar da gravação chegou de forma inesperada. Enquanto ensaiava para a apresentação em Copacabana, o grupo recebeu o chamado para trabalhar no Maracanã. O coletivo chegou ao estádio no início da tarde para aprender novas sequências coreográficas com as coreógrafas Liz e Darina, que coordenaram os trabalhos sob supervisão remota da própria Shakira.
“A gente gravava e enviava para ela ver se aprovava a formação e a proposta”, explicou Maria Eduarda Reis, dançarina de 24 anos do coletivo. Diferente das especulações que circulavam, o vídeo produzido no Maracanã não integra o videoclipe oficial da música, mas funciona como material estratégico de divulgação para plataformas digitais.
Shakira chegou ao set apenas no período noturno para gravar suas cenas pessoais com o grupo. Para a produção, o Dance Maré contou com reforço de outros dez dançarinos convidados, totalizando vinte pessoas em cena. Ao fim das gravações, o coletivo presenteou a cantora com uma cesta contendo itens brasileiros tradicionais, incluindo sandálias, brigadeiro e cajuzinho.
Do cover viral à colaboração internacional
A história da parceria começou dois anos antes, de forma despretensiosa. Durante a Copa de 2022, o Dance Maré decidiu produzir um remake do clipe de “Waka Waka”, criação original de Shakira. Sem qualquer expectativa de alcançar a artista, o vídeo viralizou rapidamente e em apenas uma semana foi compartilhado pela própria Shakira em todas as suas redes sociais, gerando repercussão imediata.
O alcance conquistado com aquele primeiro vídeo abriu portas para uma sequência de oportunidades:
- Gravação de um vídeo oficial para o remix de “Estoy Aquí”, parceria da cantora com o artista Papatinho
- Participação no palco do programa “Domingão com Huck”
- Convite para a performance histórica na Praia de Copacabana
- Atuação no vídeo promocional de “Dai Dai” no Maracanã
A experiência em Copacabana
A apresentação no show de Shakira na Praia de Copacabana representou o auge das experiências do coletivo em grandes eventos até o momento. O grupo subiu ao palco já nos momentos finais da apresentação para dançar “Waka Waka”, exatamente a música que havia estabelecido a primeira conexão entre eles e a colombiana.
João Victor Silva, integrante de 25 anos, descreveu a emoção do momento com intensidade. “Quando vimos aquela multidão e depois a Shakira vindo abraçar a gente, percebemos que tinha acontecido. Saímos do palco muito emocionados, com todo mundo chorando, porque foi, de fato, a maior experiência de nossas vidas”, revelou o dançarino sobre a apresentação para aproximadamente 2 milhões de pessoas reunidas na praia carioca.
As origens do coletivo
A trajetória do Dance Maré começou em um ministério de dança vinculado a uma igreja local na comunidade da Maré. A inspiração inicial, porém, veio de um coletivo internacional chamado Now United, especializado em “global pop”. Raphael Vicente, fundador do grupo, contou como tudo começou: “Fizemos um videocover de uma música deles, um clipe, e as pessoas da nossa bolha amaram. A partir dessa vontade de expor nossa arte para além da igreja, de forma externa, que nasce o Dance Maré”.
Atualmente, o coletivo é formado por dez integrantes fixos com idades variando entre 24 e 29 anos. Todos conciliam a participação no grupo com outras profissões, trabalhando como instrutores de dança em academias, dançarinos profissionais, criadores de conteúdo digital e estudantes universitários em diversos cursos.
Transformação social prevista para 2026
A repercussão internacional conquistada pela parceria com Shakira deverá gerar impacto social permanente com a inauguração do “Dance Maré Space” até o final de 2026. A sede própria, que já está em processo de construção, funcionará como um centro de treinamento e escola de dança com preços sociais voltados exclusivamente para moradores da comunidade da Maré.
Para Vicente, a passagem pelos principais palcos do mundo representa a validação do propósito central que move o coletivo desde sua formação. “Fazer com que as pessoas continuem vendo palcos cheios de gente da favela sendo talentosa”, finaliza o fundador, sintetizando a missão do grupo que transformou um cover amador em ponte para colaborações internacionais e oportunidades transformadoras para a comunidade.
