Corinthians

Gasto de R$ 19 mil em celulares para atletas gera desgaste para Osmar Stabile no Corinthians

Osmar Stabile
Foto: Osmar Stabile - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Compartilhar
Siga no Google

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, utilizou recursos financeiros do próprio clube para adquirir dois aparelhos de telefone celular destinados a atletas do elenco em 2025. Os aparelhos eletrônicos foram comprados de forma urgente por meio do cartão corporativo vinculado ao setor de suprimentos. A contabilidade interna registrou a saída exata de R$ 19.001,00 para cobrir os custos das duas aquisições realizadas na temporada passada.

As movimentações financeiras serviram como artifício do dirigente para tentar solucionar problemas internos em períodos distintos do ano político do Parque São Jorge. Os beneficiados com as entregas dos equipamentos foram o zagueiro Cacá e o jovem atacante Gui Amorim, revelado nas categorias de base. Em posicionamento oficial enviado à imprensa, a agremiação paulista garantiu que os trâmites administrativos respeitaram todas as exigências das normas internas de governança institucional. A manifestação assegura que houve emissão regular de notas fiscais e que o fluxo do sistema operou dentro dos padrões da normalidade corporativa.

Osmar Stábile
Osmar Stábile – Reprodução/Youtube

Negociação contratual da base teve aparelho como agrado

A primeira destas operações que vieram a público envolveu diretamente a permanência do jovem Gui Amorim no plantel profissional da equipe alvinegra. O mandatário corintiano decidiu efetivar a compra do equipamento eletrônico no dia 19 de agosto de 2025, período no qual as partes debatiam cláusulas financeiras rígidas. A assinatura do novo vínculo profissional ocorria sob forte cobrança externa sobre a diretoria executiva, que havia perdido outro atleta formado no terrão poucos dias antes.

O Bahia havia depositado o montante correspondente à multa rescisória de R$ 14 milhões para fechar a contratação do jovem Kauê Furquim. Como os dois atletas da base dividem o agenciamento com os mesmos empresários, existia o temor de nova perda significativa para o mercado nacional. A gestão acelerou os processos de renovação com outras promessas da base, oferecendo reajustes salariais e multas contratuais mais elevadas para evitar assédio.

O registro interno da área de compras do Corinthians indicou a aquisição de um modelo iPhone 16 com capacidade de armazenamento de 250 gigabytes. O preço repassado pela loja de varejo Magazine Luiza atingiu a marca de R$ 6.333,00 na data do acerto. Uma anotação no sistema da tesouraria justificou a retirada presencial do item na filial comercial devido à necessidade iminente de repassar o agrado à presidência. Aliados do dirigente confirmaram que o presente funcionou como elemento pacificador no Parque São Jorge para obter as assinaturas definitivas dos familiares no papel.

Tentativa de aproximação com o grupo principal motivou gasto

Outra compra com o dinheiro do clube ocorreu meses antes da negociação com o atacante da base, mais especificamente na primeira semana de junho de 2025. Naquela oportunidade, o zagueiro Cacá havia sido vítima de uma ação criminosa ao sofrer um assalto na região do Tatuapé, na Zona Leste da capital. Os criminosos roubaram os pertences pessoais do defensor quando o profissional se deslocava em direção ao centro de treinamentos Joaquim Grava.

O mandatário alvinegro havia assumido o controle administrativo de forma provisória no final de maio, após o afastamento oficial do então presidente Augusto Melo. Havia desconfiança evidente dos atletas do elenco em relação aos rumos políticos e administrativos do comando do futebol depois da troca de poder. Osmar Stabile utilizou a reposição do bem roubado como estratégia para quebrar o gelo e tentar reduzir a resistência encontrada nos bastidores do CT.

Os relatórios do sistema de informática apontaram a compra detalhada das seguintes peças no dia 6 de junho de 2025:

  • Um telefone celular modelo iPhone 16 Pro Max com capacidade total de 512 gigabytes
  • O aparelho foi adquirido na cor preta por determinação expressa da chefia da diretoria
  • Um carregador de parede compatível com as especificações técnicas exigidas pela fabricante do eletrônico
  • O valor desembolsado pelo telefone somou a quantia exata de R$ 12.499,00 na nota fiscal
  • O acessório de carregamento teve o custo complementar de R$ 169,00 repassado às contas da agremiação

Os registros cronológicos do setor administrativo revelaram que a nota fiscal do comércio foi emitida às 10h03 daquela manhã de sexta-feira. A abertura formal da requisição de compra no sistema interno do Parque São Jorge só ocorreu horas depois, precisamente às 13h19. A incongruência de horários foi justificada pela urgência em entregar o produto antes das 11h diretamente para o atleta no CT profissional.

Desgaste político aumenta após revelações financeiras

Os fatos envolvendo os gastos com os telefones celulares foram apurados originalmente pelo jornalista Tiago Salazar antes da confirmação oficial das planilhas financeiras. A divulgação dos dados acentuou a crise política que envolve a cúpula diretiva do time do Parque São Jorge nos bastidores nesta temporada. Conselheiros e opositores argumentam abertamente que o presidente do clube deveria ter utilizado recursos particulares para arcar com as cortesias individuais.

A situação do mandatário apresenta contornos de instabilidade devido a outras investigações contábeis que surgiram ao longo dos últimos dias na capital paulista. A agremiação realizou repasses financeiros no valor total de R$ 676 mil para uma empresa privada que prestava serviços na área de segurança. O estabelecimento comercial pertencia formalmente a um funcionário do próprio quadro do clube e operava sem as devidas vistorias técnicas regulamentares. O negócio não possuía a autorização legal da Polícia Federal para o funcionamento da atividade e também não contava com um contrato formalizado.

Compartilhar

Mais notícias em Corinthians

Veja mais