James Webb revela mapa tridimensional da teia cósmica com 164 mil galáxias

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Galáxia Foto: Galáxia - Don Pedro da Costa/shutterstock.com

Astrônomos internacionais divulgaram esta semana o mapa mais preciso da teia cósmica já capturado pela humanidade. O supertelescópio espacial James Webb permitiu rastrear a estrutura gigantesca que funciona como esqueleto do Universo até uma época em que o cosmos tinha apenas 1 bilhão de anos de idade. O catálogo contém 164 mil galáxias e foi disponibilizado gratuitamente em repositório online para toda a comunidade científica acessar os dados.

A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside (UCR), nos Estados Unidos, com participação de pesquisadores de nove países adicionais, incluindo Dinamarca, Chile, França, Japão e Alemanha. O documento científico foi publicado no periódico The Astrophysical Journal após revisão por pares. Hossein Hatamnia, aluno de pós-graduação da UCR e principal autor do estudo, explicou que o James Webb tornou possível essa precisão inédita ao detectar galáxias muito mais tênues e medir suas distâncias com precisão extraordinária.

Capacidades superiores do telescópio espacial

O James Webb supera significativamente os instrumentos anteriores, especialmente o Telescópio Espacial Hubble. O telescópio captura luz infravermelha, característica que permite atravessar a poeira cósmica que normalmente obscurece as observações. Essa capacidade possibilita a detecção de galáxias muito tênues e distantes que passavam despercebidas em levantamentos anteriores.

Estruturas que pareciam únicas e isoladas nos mapas antigos se revelaram, na verdade, conjuntos de várias outras estruturas menores quando observadas com maior resolução. Detalhes que antes apareciam borrados ou indistintos agora podem ser observados com clareza notável. Bahram Mobasher, professor de física e astronomia da UCR e coautor do estudo, destacou que o salto em profundidade e resolução permite aos cientistas observar épocas do Universo que estavam praticamente fora do alcance de equipamentos anteriores.

Estrutura e organização da teia cósmica

A teia cósmica representa a forma como a matéria se organiza em larga escala no Universo. Em vez de estarem distribuídas uniformemente pelo cosmos, as galáxias se concentram em filamentos e folhas formadas por gás e matéria escura. Imensos vazios separam essas estruturas, regiões praticamente desprovidas de qualquer conteúdo observável. Uma analogia útil compara essa arquitetura cósmica à estrutura de uma esponja: as paredes finas representam os filamentos onde se concentram as galáxias, e os buracos correspondem aos vazios entre elas.

Os dados visuais do mapa indicam padrões específicos nessa distribuição:

  • As áreas amarelas representam regiões densas, cheias de galáxias.
  • As áreas escuras indicam os vazios imensos entre os filamentos galácticos.
  • A profundidade do mapa rastreia galáxias desde tempos atuais até bilhões de anos no passado.
  • O ponto à esquerda na imagem representa os dias de hoje, enquanto pontos mais distantes indicam galáxias mais antigas.
  • Filamentos cósmicos conectam aglomerados de galáxias em uma rede contínua que se estende por bilhões de anos-luz.

Programa COSMOS-Web e metodologia científica

Os dados utilizados neste mapeamento vieram do programa COSMOS-Web, identificado como o maior levantamento já realizado com o James Webb até o momento. O projeto observou uma área do céu equivalente ao tamanho de três luas cheias durante as sessões de observação. A região foi cuidadosamente selecionada e continuamente monitorada para maximizar a quantidade de dados coletados.

O processo de medição de distâncias cósmicas é fundamental para a construção tridimensional do mapa. Conhecer a distância de cada galáxia permite aos cientistas posicioná-la corretamente no tempo cósmico, criando uma verdadeira representação da estrutura do Universo em diferentes épocas. A precisão nas medições de distância ganhou importância crítica neste projeto, pois pequenas variações podem deslocar uma galáxia entre diferentes “fatias” do tempo cósmico, alterando completamente a compreensão de como a teia cósmica se formou e evoluiu.

Implicações para a astronomia observacional

Olhar para galáxias distantes é, na prática, olhar para o passado do Universo. A luz emitida por essas galáxias leva bilhões de anos para percorrer a distância até a Terra. O que os cientistas observam hoje revela como essas galáxias eram bilhões de anos atrás, durante épocas primitivas do cosmos. Com este mapeamento, os astrônomos conseguem acompanhar como a teia cósmica foi se formando e se transformando ao longo de quase 14 bilhões de anos de história cósmica.

A disponibilidade pública dos dados no repositório online permite que pesquisadores de todo o mundo utilizem as informações para novos estudos e investigações. Esse acesso aberto acelera o progresso científico global e possibilita múltiplas interpretações dos mesmos dados por diferentes equipes especializadas. A colaboração internacional envolvida no projeto reflete a importância deste levantamento para toda a comunidade de astronomia observacional, consolidando o James Webb como instrumento revolucionário para a exploração do Universo primitivo.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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