Jovem britânica enfrentará amputação após sete anos com pernas travadas

4 min de leitura
Megan Dixon - Reprodução/Rede Sociais Foto: Megan Dixon - Reprodução/Rede Sociais

Megan Dixon, de 21 anos, moradora de Cambridgeshire, na Inglaterra, terá ambas as pernas amputadas em agosto após sofrer por sete anos com uma condição neurológica rara que deixou seus membros inferiores permanentemente travados em um ângulo de 45 graus. A decisão pela cirurgia marca o fim de uma jornada dolorosa que começou aos 14 anos, quando a jovem perdeu a capacidade de caminhar.

O caso de Megan revela a complexidade do transtorno neurológico funcional (TNF), uma condição que afeta a comunicação entre o cérebro e o corpo. Após anos recebendo diagnósticos incorretos e tratamentos ineficazes, a jovem finalmente encontrou um cirurgião disposto a realizar a amputação como última alternativa para melhorar sua qualidade de vida.

Início dos sintomas e diagnósticos equivocados

A história de Megan começou quando ela tinha apenas 14 anos. Naquela época, apresentou dificuldades progressivas de locomoção que evoluíram para a paralisia total das pernas. Os profissionais de saúde que a atenderam inicialmente chegaram a diagnosticá-la com encefalomielite miálgica (EM), uma doença neurológica crônica caracterizada por fadiga extrema. Sessões de fisioterapia foram prescritas, mas o quadro continuou piorando.

A situação agravou-se significativamente durante uma internação no hospital infantil de Bristol. Foi nesse período que Megan recebeu o diagnóstico correto de transtorno neurológico funcional (TNF). A condição evoluiu de forma devastadora. Ela perdeu a fala, a visão e os movimentos do pescoço para baixo. A alimentação passou a ser feita exclusivamente por sonda, deixando a jovem totalmente dependente de cuidados constantes.

Aos 18 anos, recebeu alta do hospital infantil e precisou ser transferida para uma casa de repouso particular especializada em distúrbios neurológicos. Nesse centro, conseguiu recuperar algumas funções perdidas, como a fala e a visão. Porém, a capacidade de caminhar nunca retornou.

Jovem Megan Dixon terá que amputar as pernas - Reprodução/Rede Sociais
Jovem Megan Dixon terá que amputar as pernas – Reprodução/Rede Sociais

O calvário físico e emocional

A experiência de Megan durante esses anos foi marcada por dores intensas que frequentemente não eram reconhecidas pela equipe médica. “Eu sentia os ossos das minhas pernas rangendo, mas me diziam que a dor era coisa da minha cabeça. Eu gritava em silêncio 24 horas por dia”, revelou ela em entrevista. Essa negação da dor por parte dos profissionais de saúde intensificou seu sofrimento emocional e físico.

A situação cotidiana de Megan ilustra o grau de dependência em que vive. Para deitar na cama ou ir ao banheiro, ela precisa de ajuda constante. Para se locomover dentro de casa, arrasta-se sentada de lado, uma solução improvável que compromete ainda mais sua dignidade e independência.

Busca pela solução cirúrgica

Encontrar um médico disposto a realizar a amputação não foi tarefa simples. Megan foi rejeitada por cinco cirurgiões antes de conseguir encontrar um profissional em um centro especializado em amputação que concordasse em realizar o procedimento. O cirurgião avaliou que o tempo decorrido desde o início da paralisia causou danos irreversíveis nos joelhos. A amputação tornou-se, portanto, a única alternativa viável.

Segundo avaliação médica, o joelho esquerdo de Megan está dobrado em um ângulo de aproximadamente 45 graus, enquanto o direito encontra-se em situação semelhante. Esses danos estruturais nos ossos e articulações impossibilitam qualquer outro tipo de intervenção. A cirurgia está agendada para agosto deste ano.

Preparação para vida pós-operatória

Megan está buscando recursos financeiros através de uma vaquinha online para garantir sua independência após a cirurgia. O objetivo é arrecadar fundos para a compra de uma cadeira de rodas elétrica e outros equipamentos que possam restaurar sua mobilidade e autonomia. A jovem acredita que a amputação, embora seja uma decisão radical, representará uma oportunidade de recuperar controle sobre sua própria vida e participação social.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

Notícias relacionadas