Entretenimento

Denúncias de abuso infantil contra Michael Jackson ressurgem em depoimento de irmãos

Michael Jackson - Instagram/michaeljackson
Foto: Michael Jackson - Instagram/michaeljackson

Eddie, Aldo, Dominic e Marie-Nicole Cascio abriram um processo em fevereiro contra o Rei do Pop. Os quatro irmãos concederam entrevista ao programa “60 Minutes Australia” e detalharam denúncias de abuso sexual infantil que duraram aproximadamente 25 anos. Segundo relato dos irmãos, Jackson aproveitava sua proximidade com a família para cometer os crimes, oferecendo presentes, drogas e álcool como forma de aliciamento e manutenção do silêncio.

O contato entre Jackson e a família Cascio iniciou nos anos 1980. O pai dos quatro, Dominic Sr., conheceu o artista quando trabalhava no Hotel Helmsley Palace, em Nova York. A proximidade evoluiu rapidamente: Jackson convidava a família para férias no Rancho Neverland, realizava viagens internacionais com eles e os apresentava a seu chimpanzé Bubbles. Essa relação aparentemente calorosa serviria como base para décadas de exploração sexual.

Detalhes dos abusos alegados pelos irmãos

Eddie Cascio, hoje com 43 anos, afirma que Jackson começou a molestá-lo aos 11 anos. Os abusos ocorriam durante a noite, quando ambos compartilhavam a mesma cama. Eddie relatou que durante uma turnê, Jackson se aproximou dele, acariciou suas pernas enquanto estava no colo do cantor e o beijou nos lábios. Os comportamentos abusivos prosseguiram até a vida adulta do irmão.

Dominic Cascio descreveu um padrão de abuso que envolvia um jogo perturbador chamado “briga de bunda”. Nesse jogo, Jackson o deitava sobre si mesmo de forma que seus genitais entrassem em contato, enquanto se pressionava contra o menino. Dominic também relatou ato ainda mais chocante: Jackson bebia sua urina e dizia que era sua forma de demonstrar amor. Essas ações ocorreram quando Dominic tinha aproximadamente 12 anos de idade.

Marie-Nicole Cascio, a única filha da família, foi submetida a abuso visual. Jackson obrigava a menina a se despir aos 12 anos enquanto se masturbava na sua frente. Ela presenciava os atos do cantor sem poder consentir ou se recusar. O padrão revelado pelos irmãos aponta para comportamento deliberado e repetido de um adulto em posição de poder sobre crianças vulneráveis.

Aldo Cascio, o irmão mais jovem, relembrou abuso sexual oral. Enquanto os dois estavam deitados jogando videogame, Jackson abaixou sua roupa e realizou ato sexual oral no menino. Após o ato, Jackson disse frases como “Não é uma sensação boa?” e “Eu te amo”, tentando normalizar o comportamento criminoso. Esse padrão de normalização através de afeto aparente é consistente entre todos os relatos.

Os irmãos Cascio no programa '60 Minutes Australia - Reprodução
Os irmãos Cascio no programa ’60 Minutes Australia – Reprodução

Drogas, álcool e condicionamento psicológico

Os irmãos afirmam que Jackson fornecia medicamentos controlados como Xanax e Vicodin desde tenra idade. Bebidas alcoólicas também foram oferecidas às crianças, sendo nomeadas de forma lúdica para facilitar seu consumo. Jackson se referia ao vinho como “suco de Jesus” e a bebidas alcoólicas mais fortes como “suco da Disney”. Essa estratégia de nomenclatura buscava contornar a resistência natural de crianças ao álcool.

Eddie relembrou que seus pais eram jovens quando Michael Jackson surgiu em suas vidas como uma celebridade poderosa querendo ser amiga deles. Seus pais se sentiram especiais e honrados com a atenção. As crianças também experimentavam essa sensação de privilégio. Jackson construiu deliberadamente essa ilusão de pertencimento familiar para facilitar o aliciamento. Ele dizia aos irmãos que os considerava sua família, seus filhos, seu tudo.

Além de drogas e álcool, Jackson também treinou as crianças para mentir. Ele instruía os irmãos sobre como se comportar em possíveis interrogatórios da polícia ou de seus pais. Ensinou-os a negar qualquer situação anormal e a fingir que nada de impróprio ocorria na sua companhia. Esse adestramento representa manipulação psicológica sofisticada de menores.

Cronologia e locais dos abusos

Os irmãos Cascio descrevem um processo gradual de aproximação e abuso que começou nos anos 1980:

  • Década de 1980: Pai dos irmãos conhece Jackson no Hotel Helmsley Palace, em Nova York; família é convidada para Rancho Neverland
  • Anos 1990: Jackson intensifica contato, realiza viagens internacionais com a família
  • 1995 a 2009: Período de abuso prolongado conforme alegações dos irmãos; abusos também teriam ocorrido nas residências de celebridades como Elizabeth Taylor e Elton John
  • Fevereiro de 2026: Irmãos formalizam processo judicial contra o espólio de Jackson
  • Maio de 2026: Entrevista ao programa “60 Minutes Australia” torna pública as acusações

Dominic Cascio mencionou especificamente que os abusos ocorreram não apenas na Neverland, mas também em casas de outras celebridades amigas de Jackson. A mobilidade do cantor e sua conexão com casarões de pessoas influentes criava ambientes onde ele acreditava estar protegido da supervisão. As crianças viajavam com Jackson, visitavam suas residências e dormiam em seus quartos, criando oportunidades recorrentes para abuso.

Resposta do espólio de Michael Jackson

Um representante do espólio de Jackson respondeu às acusações dos irmãos Cascio caracterizando-as como “tentativa de extorsão”. O representante alegou que tal prática ocorre há mais de 15 anos, sugerindo que as acusações fazem parte de padrão conhecido de tentativas de obter compensação financeira. A declaração afirma que “assim como em vida, o talento e o sucesso de Jackson continuam a torná-lo um alvo”. A resposta não nega especificamente nenhum dos relatos dos irmãos, mas os enquadra como motivados financeiramente.

Impacto das acusações e contexto histórico

As acusações dos irmãos Cascio seguem padrão semelhante ao documentário “Leaving Neverland”, lançado em 2019, que apresentava relatos de dois homens que alegavam ter sofrido abuso sexual de Jackson durante a infância. Assim como naquele caso, as acusações surgem após a morte de Jackson, ocorrida em 2009. A impossibilidade de defesa direta do cantor amplia o alcance reputacional dos relatos sem permitir resposta específica do acusado.

Michael Jackson faleceu há 17 anos. Apesar disso, novas acusações continuam emergindo e alcançando audiências globais através de plataformas de mídia internacional. O documentário de 2019 reacendeu discussões sobre o legado do artista e sua responsabilidade por possível exploração sexual infantil. As acusações atuais dos Cascio representam novo capítulo nessa trajetória de revelações póstumas.

Os irmãos descrevem como Jackson utilizou sua fama, riqueza e conexões para acessar crianças vulneráveis e contornar proteção parental. A estratégia incluía convencimento dos pais através de atenção especial, convites para viagens internacionais e oferecimento de experiências únicas para menores. Uma vez conquistada a confiança e isoladas as crianças, Jackson supostamente iniciava os abusos de forma gradual, normalizando comportamentos através de linguagem afetiva e oferecimento de substâncias.

Processo legal em andamento

O processo formal dos irmãos Cascio contra o espólio de Michael Jackson foi apresentado em fevereiro de 2026. A ação judicial ocorre sob legislação que pode permitir reabertura de casos históricos de abuso sexual infantil. Os irmãos buscam reparação legal e reconhecimento público das violações que alegam ter sofrido. A exposição pública através da entrevista ao “60 Minutes Australia” representa estratégia paralela de trazer credibilidade e pressão social sobre o processo.

A declaração de Dominic Cascio ao programa resume a perspectiva dos irmãos: “Ele é um monstro, ele é mau, o que ele fez foi mau. E ele enganou o mundo inteiro fazendo-os pensar que ele era um ser humano inocente e perfeito, e ele não era”. Essa afirmação cristaliza a narrativa central das acusações: uma discrepância entre a imagem pública construída por Jackson e suas ações privadas contra menores sob sua influência e controle.